Terça-feira, Dezembro 7, 2021

“Rio Tejo: será mesmo uma causa de todos?”, por Duarte Marques

Se há tema que tem unido a comunidade da nossa região é o combate à poluição e à destruição do nosso rio Tejo. Ao longo dos últimos 3-4 anos todos os partidos sem exceção têm encarado este como um dos principais problemas a resolver.

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Mas não posso deixar passar em claro uma verdadeira afronta ao rio e ao ambiente que é o Orçamento de Estado para 2018, agora em discussão na Assembleia da República. Naquele que é o principal instrumento de ação política, o governo decide aumentar o dinheiro disponível para a área ambiental em 39%. Fantástico. Confesso que esperei que parte desse aumento se traduzisse em mais fiscais, mais inspetores, mais equipamento e mais tecnologia para a fiscalização da poluição. Mas não, é quase tudo para o Metro de Lisboa e do Porto e para o programa Pólis da Costa da Caparica.

O Governo de António Costa, com o apoio dos deputados do Bloco de Esquerda, do PCP, dos Verdes e do PS, reduz em – 4,4% o dinheiro para a Agência Portuguesa do Ambiente, e apenas aumenta a Inspeção Geral (IGAMAOT) em 7%, o que nem chega para as atualizações de salários. Reforço da fiscalização nada.

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Ou seja, naquela que era a oportunidade de investir no combate à poluição e aos prevaricadores o governo nada faz. Não era mais responsável e sério, face às posições públicas do Ministro do Ambiente e da Geringonça, alocar parte deste aumento ao incremento da fiscalização? Pelos vistos não. Vamos é fazer alargar o metro.

De nada serve participar em manifestações, fazer denúncias e questões ao governo se quando chega a hora H, onde podemos fazer a diferença numa decisão política, ficamos quietos perante uma decisão injusta.

PS, BE, PCP e Verdes têm um acordo para o OE2018 e o aumento da fiscalização dos poluidores não está lá. Se já não há austeridade, se o défice já não está nos 12%, se já não há troika, qual é afinal a desculpa? Há dinheiro para o Metro do Porto, para o Metro de Lisboa e para a Caparica, mas não uns tostões para o rio Tejo? Bastava uma pequena parcela, bastava o equivalente a uma “parede” de uma das novas estações de metro.

Fica o desabafo ou desafio. Fica o recado.

Duarte Marques, 39 anos, é natural de Mação. Fez o liceu em Castelo Branco e tirou Relações Internacionais no Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, com especialização em Estratégia Internacional de Empresa. É fellow do German Marshall Fund desde 2013. Trabalhou com Nuno Morais Sarmento no Governo de Durão Barroso ao longo de dois anos. Esteve seis anos em Bruxelas na chefia do gabinete português do PPE no Parlamento Europeu, onde trabalhou com Vasco Graça Moura, José Silva Peneda, João de Deus Pinheiro, Assunção Esteves, Graça Carvalho, Carlos Coelho, Paulo Rangel, entre outros.
Foi Presidente da JSD e deputado na última legislatura, onde desempenhou as funções Vice Coordenador do PSD na Comissão de Educação, Ciência e Cultura e integrou a Comissão de Inquérito ao caso BES, a Comissão de Assuntos Europeus e a Comissão de Negócios Estrangeiros e Cooperação. O Deputado Duarte Marques, eleito nas listas do PSD pelo círculo de Santarém, foi eleito em janeiro de 2016 um dos novos representantes portugueses na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, com sede em Estrasburgo. É ainda membro da Assembleia Municipal de Mação.
Sócio de uma empresa de criatividade e publicidade com sede em Lisboa, é também administrador do Instituto Francisco Sá Carneiro, director Adjunto da Universidade de Verão do PSD, cronista do Expresso online, do Médio Tejo digital e membro do painel permanente do programa Frente a Frente da SIC Notícias.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Realmente, à exceção dos incêndios este caso é hoje em dia o mais calamitoso a nível nacional. O Tejo, o maior rio que temos, está um esgoto. Não se compreende tanta passividade.

  2. O Rio Tejo é um ” caixote do lixo ” cada vez mais volumoso que Castela (Espanha) despeja para o seu “vizinho” Portugal . As autoridades portuguesas têm sido demasiado condescendente para com as congéneres espanholas . E não é apenas o Rio Tejo que é tratado desta maneira . Os outros rios provenientes do país vizinho não escapam a este expediente .

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