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“Rio Nabão: necessidade de respostas contra a vergonha”, por Hugo Costa

Escrevo esta crónica alguns dias depois de se ter registado um novo foco de poluição no Rio Nabão. Considero que é uma vergonha os sucessivos atentando ambientais, resultantes de descargas poluentes neste rio que nasce no concelho de Ansião (Distrito de Leiria) e desagua no Zêzere em Tomar, estando intrinsecamente ligado às gentes desta cidade.

A defesa do ambiente e da sustentabilidade são bandeiras das quais não abdico. Aliás, as questões ambientais marcam sem sombra de dúvida muita da agenda política regional no Médio Tejo.

Ao longo dos últimos anos a população de Tomar tem sido surpreendida com fenómenos de poluição neste recurso hídrico. Esta matéria tem levado, inclusive, a autarquia de Tomar a tomar um conjunto de posições públicas e gerado ações da APA – Agência Portuguesa do Ambiente.

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Na sua página, após a constatação desta última descarga, o Município de Tomar refere que foi feita denuncia às autoridades competentes, nomeadamente ao SEPNA, à APA e à Tejo Ambiente, “requerendo junto das mesmas que o problema seja tratado definitivamente e apelando a que sejam aplicados os esforços possíveis por forma a implementar todas as medidas corretivas necessárias”.

Estes crimes ambientais ocorrem, tal como habitualmente em circunstâncias anteriores, sempre que se verificam condições meteorológicas de forte precipitação. Sublinha o município tomarense que as descargas de efluentes, qualquer que seja a sua origem, sem o adequado tratamento prévio, “são ilegais e provocam impactos muito significativos no curso de água e na sua envolvente, com consequências graves quer para o meio ambiente quer para a saúde pública”.

Conheço bem a situação do Rio Nabão. Neste sentido, recordo que os deputados do PS eleitos pelo círculo de Santarém já levaram, por diversas vezes, esta problemática ao parlamento, quer através de intervenções quer através de perguntas que entregamos por escrito junto do Ministro do Ambiente e da Acão Climática.

Pretendemos saber, por exemplo, quais os resultados e conclusões das diversas diligências efetuadas no sentido de identificar os infratores e que medidas estão a ser preparadas com vista à resolução deste problema.

A pressão na resolução dos problemas junto do Ministério do Ambiente é sem dúvida uma marca do trabalho parlamentar, procurando fazer parte da solução. Vamos continuar a defender o Rio Nabão, incansavelmente, até que estas situações sejam apenas o vislumbre de má memória. Sei que o Município de Tomar partilha este desígnio.

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Hugo Costa
Deputado na Assembleia da República e membro das Comissões de Economia, Inovação e Obras Públicas e Habitação, é também membro da Comissão de Orçamento e Finanças. Diz adorar o Ribatejo e o nosso país. Defende uma política de proximidade junto dos cidadãos. Tem 36 anos, é de Tomar e licenciou-se em Economia pelo ISEG. É membro da Assembleia Municipal de Tomar e da Assembleia da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo. Tem como temas de interesse a economia, a energia, os transportes, o ambiente e os fundos comunitários.

1 COMENTÁRIO

  1. ” A pressão na resolução dos problemas junto do Ministério do Ambiente é sem dúvida uma marca do trabalho parlamentar, procurando fazer parte da solução. ”

    Era bom que a Inspeção Geral do Ambiente fosse mais célere e assertiva na sua atuação em defesa do Nabão.

    Um abraço,
    Fernando Marques

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