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Sábado, Dezembro 4, 2021
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Revitalização do minderico: Campanha não atinge objetivo mas projeto continua

A campanha para angariação de fundos para o projeto de revitalização do minderico, língua ameaçada de Minde, no concelho de Alcanena, não atingiu o objetivo de reunir, até à meia-noite de quinta-feira, os 8.900 euros a que se propunha.

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Contudo, a disponibilidade da Câmara Municipal de Alcanena em vir a contribuir com uma verba de 5.000 euros e a manutenção do apoio por parte das 25 pessoas que haviam permitido reunir 1.645 euros na campanha que decorreu na plataforma Hubbub entre 13 de agosto e 15 de outubro, podem viabilizar o projeto, disse ao Mediotejo.net. à responsável pela iniciativa.

Vera Ferreira, linguista documental e presidente do Centro Interdisciplinar de Documentação Linguística e Social (CIDLeS), disse que tendo os participantes na campanha de ‘crowdfunding’ (angariação de fundos na Internet) aceitado manter o seu apoio, a ajuda da Câmara de Alcanena e um donativo suplementar de um patrocinador particular na Alemanha, no valor de 2.400 euros, permitirão chegar aos 8.900 euros necessários.

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Com essa verba, o CIDLeS poderá assegurar uma aula semanal de minderico para cada um dos quatro anos do primeiro ciclo da escola de Minde, elaborar o manual de apoio para os quatro anos e dar formação aos professores que integram a língua na expressão dramática (sobre a estrutura gramatical mas também do ponto de vista pedagógico).

A empresa de ilustração Princess Pea, que tem sede em Minde, elegeu o projeto como uma das suas causas e o escritor, ilustrador e realizador de filmes de animação Afonso Cruz vai criar um livro bilingue para crianças para fomentar a escrita e a leitura em minderico, que era outro dos objetivos da campanha.

Vera Ferreira mantém contudo a determinação em conseguir reunir 12.000 euros para poder alargar o projeto à comunidade, com a realização de dois ‘workshops’ por cada período letivo, sobretudo para os encarregados de educação dos alunos inscritos, e a elaboração de um livro de receitas locais em minderico.

A campanha que decorreu no Hubbub contou com donativos de 25 pessoas, 11 das quais estrangeiras (uma das que doou à última hora é do Vanuatu, na Oceânia) e duas de nacionalidade desconhecida, salientou.

Vera Ferreira realçou ainda que, após a manifestação de interesse da Direção Geral do Património Cultural em vir a inscrever o minderico no inventário do património nacional imaterial, este foi inserido, no passado dia 09, no Registo da Memória do Mundo da UNESCO.

“O registo do minderico processou-se no âmbito da integração de 64 “coleções” de material linguístico de The Language Archive na Memória do Mundo da UNESCO, coleções essas que provêm de projetos financiados pela Fundação Volkswagen, como foi o caso do minderico”, tendo o pedido de registo sido efetuado pelo The Language Archive (TLA) na Holanda, disse.

Sentiu-se pela primeira vez jornalista quando aterrou à noite e sem hotel marcado em Windhoek para cobrir o processo de independência da Namíbia. Era estagiária no semanário África, área que a levou à agência Lusa, a cujos quadros pertence há quase 25 anos. Foi editora adjunta da Editoria África e, mais recentemente, da Editoria Lusofonia/Mundo, com passagem, como redatora, na Editoria Economia. É, contudo, ao distrito de Santarém (que a adotou) que regressa sempre. Gosta da diversidade, da pluralidade, da diferença. Acredita que o mediotejo.net pode mostrar que há mais vida para além da que marca a chamada “atualidade”.

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