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Sábado, Setembro 25, 2021

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“Reserva da Biosfera do Paúl do Boquilobo”, por José Alho

Entre Torres Novas e Golegã deparamo-nos com um paraíso de biodiversidade alimentado pelas dinâmicas do rio Almonda que ali próximo abraça o Tejo.

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Nas terras encharcadas do Paúl do Boquilobo encontram guarida milhares de aves que ali garantem a necessária segurança e abundante alimentação para perpetuarem a vida das suas espécies.

Esta área foi classificada como Reserva Natural no âmbito da Rede Nacional de Áreas Classificadas desde 24 de Junho de 1980.

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Desde 15 de Dezembro de 1981 que a Reserva Natural do Paul do Boquilobo é considerada pela UNESCO como Reserva da Biosfera.

As reservas da biosfera são definidas pela UNESCO “como laboratórios vivos, onde se desenvolvem como funções principais a conservação de paisagens, ecossistemas e espécies, o desenvolvimento sustentável a nível social, económico, cultural e ecológico; atuam como plataformas de investigação, monitorização, educação e sensibilização, visando sempre a partilha de informação e de experiência adquirida”.

Esta foi a primeira área portuguesa a integrar esta Rede Biosfera e única durante largos anos, sendo reconhecida “como uma amostra representativa de um ecossistema terrestre onde se procuram formas de conciliar a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento sustentável”.

Foi também classificada em 1996 como uma Zona Húmida de Importância Internacional ao abrigo da Convenção de Ramsar e desde 1999, está classificada como uma Zona de Proteção Especial no âmbito acordo da Diretiva n.º 2009/147/CE,devido à sua importância para a conservação da avifauna.

O simples elencar de estatutos de classificação ilustra bem a enorme riqueza natural que esta área natural representa para o mundo tal como um seu vizinho ilustre que ali nasceu na Azinhaga, representa na literatura. Motivos de orgulho!

Esta reserva resulta de condições naturais especiais e também da forma como o homem foi gerindo esse espaço e as suas atividades na envolvente, tendo-se conseguido até ao momento uma relativa harmonia pese embora a existência de alguns problemas ambientais associados à poluição das águas, quer por esgotos quer por agroquímicos e também da pressão colocada na sua utilização para fins de agricultura intensiva.

A avifauna é o ex-libris desta reserva com registos de observação de mais de duas centenas de espécies com destaque para as diversas espécies de garças, o colhereiro,o íbis-negro e diversos anatídeos sendo  um território de importância nas rotas migratórias sazonais.

Muitas outras jóias da biodiversidade de zonas húmidas ali se podem encontrar variando ao longo das estações, dos peixes, aos anfíbios, répteis e mamíferos, como a lontra.

Registe-se o facto de estarem inventariadas mais de três centenas de espécies vegetais como motivo para se perceber o valor que este espaço natural representa para a biodiversidade e que passa quase desconhecido, mesmo das pessoas que vivem nos seus arredores e que normalmente se ficam pelo registo dos salgueiros na paisagem.

Esta jóia da coroa ribatejana, e do mundo, oferece-nos cenários e protagonistas a descobrir, com a recomendação de não os importunar, sendo isso possível através da utilização dos trilhos e do observatório de aves, respeitando as regras do turismo de natureza e da sustentabilidade.

Em Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento, a descoberta e a valorização do Paúl do Boquilobo é sem dúvida um desafio muito interessante!

 

José Manuel Pereira Alho
Nasceu em 1961 em Ourém onde reside.
Biólogo, desempenhou até janeiro de 2016 as funções de Adjunto da Presidente da Câmara Municipal de Abrantes. Foi nomeado a 22 de janeiro de 2016 como vogal do Conselho de Administração da Fundação INATEL.
Preside à Assembleia Geral do Centro de Ciência Viva do Alviela.
Exerceu cargos de Diretor do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, Coordenador da Reserva Natural do Paúl do Boquilobo, Coordenador do Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios da Serra de Aire, Diretor-Adjunto do Departamento de Gestão de Áreas Classificadas do Litoral de Lisboa e Oeste, Diretor Regional das Florestas de Lisboa e Vale do Tejo na Autoridade Florestal Nacional e Presidente do IPAMB – Instituto de Promoção Ambiental.
Manteve atividade profissional como professor convidado na ESTG, no Instituto Politécnico de Leiria e no Instituto Politécnico de Tomar a par com a actividade de Formador.
Membro da Ordem dos Biólogos onde desempenhou cargos na Direcção Nacional e no Conselho Profissional e Deontológico, também integra a Sociedade de Ética Ambiental.
Participa com regularidade em Conferências e Palestras como orador convidado, tem sido membro de diversas comissões e grupos de trabalho de foro consultivo ou de acompanhamento na área governamental e tem mantido alguma actividade editorial na temática do Ambiente.
Foi ativista e dirigente da Quercus tendo sido Presidente do Núcleo Regional da Estremadura e Ribatejo e Vice-Presidente da Direcção Nacional.
Presidiu à Direção Nacional da Liga para a Protecção da Natureza.
Foi membro da Comissão Regional de Turismo do Ribatejo e do Conselho de Administração da ADIRN.
Desempenhou funções autárquicas como membro da Assembleia Municipal de Ourém, Vereador e Vice-Presidente da Câmara Municipal de Ourém, Presidente do Conselho de Administração da Ambiourem, Centro de Negócios de Ourém e Ouremviva.
É cronista regular no jornal digital mediotejo.net.

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