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Quarta-feira, Julho 28, 2021

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Reportagem Incêndios: Os bravos da aldeia de São Simão, Sardoal (c/vídeo)

Mangueiras, baldes e enxadas foram instrumentos decisivos para os populares da aldeia de São Simão, em Sardoal, salvarem os seus bens e habitações do cerco das chamas que assolaram o concelho nas últimas 24 horas.

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O incêndio que entrou em fase resolução ao início da tarde de hoje, chegou sorrateiro aos Andreus mas rapidamente ganhou uma força incontrolável pelos bombeiros, impulsionado pelo vento forte, tendo cercado ao início da noite a pequena e verdejante aldeia de São Simão, com pouco mais de 50 habitantes, na maioria idosos.

“Primeiro vi uma coluna de fumo branco, perto da aldeia. Até comentei para o meu neto, que estava ao computador, que andava fogo por perto. Passados poucos minutos já só vejo colunas negras de fumo e chamas enormes no meio da aldeia. Foram momentos de terror os que vivemos aqui”, descreveu Maria Fátima Lopes, 58 anos.

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Com a casa ainda afastada das chamas, “a primeira lembrança foi acudir ao gado”, tendo pedido ajuda ao neto para salvar as ovelhas do pasto. “Aquilo era um cenário tal que o meu neto entrou em pânico. Tivemos de ir de ambulância para o hospital com ele, e só regressei hoje de manhã. A casa estava intacta e as ovelhas a salvo”, notou.

Foi o vizinho Celino quem lhe salvou o gado e esteve a combater as chamas para lhe defender a casa. “Fico-lhe agradecida para o resto da minha vida”, reconhece Fátima.

Com as chamas ainda afastadas da sua habitação e o gado protegido, Celino Ribeiro, 67 anos, decidiu ir buscar mangueiras, baldes e enxadas para defender os bens alheios.

“Olhe, foram 24 horas em que não me deitei porque havia trabalho a fazer, a salvar o gado dos vizinhos e a ajudar a defender as suas habitações. Foi uma noite para esquecer”, suspira.

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Populares mantiveram-se a ajudar os bombeiros a salvar os bens da comunidade. Foto: Paulo Jorge de Sousa

Celino, e toda a população de São Simão, recebeu ordem de retirada imediata da aldeia para a sede do concelho, perante o cair da noite e a ameaça das chamas sem controlo. Acatou as ordens mas depressa regressou.

“Quando cheguei ao Sardoal bebi uma água e disseram-me que havia mais casas em perigo. Agarrei-me ao carro, fiz-me à estrada e lá consegui passar para a aldeia, no meio de um manto negro de fumo e chamas. Com a água dos tanques e de depósitos, baldes, mangueiras e enxadas para mandar terra para o fogo, salvei umas casas, ovelhas e apaguei o fogo em várias oliveiras. Só a casa de um vizinho é que não conseguimos salvar. Bem tentámos, eu e ele, mas já não havia hipótese”, lamenta.

“A casa ardeu toda, à exceção de um anexo. Está tudo queimado. Quartos, telhado, sala. Ainda tentámos mas não conseguimos”, contaram Bernard Huot e Ana Silva, residentes na única habitação que ardeu no concelho de Sardoal.

“Não sei o que fazer mas para já vamos para casa de familiares. Mas esta casa vai ter de ir toda abaixo e fazer tudo de novo”, antecipou Bernard.

Foto: Maria João Newton
São Simão amanheceu pintada de negro. Foto: Maria João Newton

A ordem de retirada da população da aldeia de São Simão foi dada pelo presidente da Câmara de Sardoal, uma decisão que “não foi difícil” perante as circunstâncias e a dimensão do incêndio.

“Não foi uma decisão difícil de tomar porque primeiro estão as pessoas, depois os bens”, salientou Miguel Borges, tendo lembrado que “toda a aldeia estava em risco” e que é habitada por gente idosa. Foi uma decisão tomada a tempo e horas, e de manhã todos puderam regressar a suas casas, sãos e salvos”, destacou.

*c/Lusa

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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