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Sexta-feira, Julho 30, 2021

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“Relíquias da Floresta e da Biodiversidade em Lisboa e Vale do Tejo”, José Alho

Biodiversidade é entendida como a variabilidade existente entre todos os organismos vivos, compreendendo a diversidade ao nível dos genes, das espécies e dos ecossistemas, em resultado da evolução biológica que ocorreu ao longo dos mais de 3.800 milhões de anos de vida na Terra.

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O valor da biodiversidade lembra-nos o seu papel central não só como suporte ao desenvolvimento sustentável, mas também enquanto salvaguarda da nossa saúde e bem-estar. Esse valor pode ser melhor entendido se tivermos em conta que ela está relacionada com o desenvolvimento de medicamentos e a produção de alimentos, suportando variadas atividades económicas.

Da biodiversidade depende a manutenção de um ambiente saudável, uma vez que intervém nos ciclos biogeoquímicos, na mitigação da poluição, na protecção dos recursos hidrológicos, no combate à erosão dos solos, na redução dos impactes das catástrofes naturais, entre outros. Ou seja, trata de zelar, ainda que indirectamente, pelo bem-estar humano.

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A necessidade de conservar a biodiversidade tem por detrás fundamentos ecológicos, éticos, sociais, mas também económicos. Estima-se que cerca de 40% da economia global se baseie em produtos e processos biológicos.

Atualmente, o ritmo de destruição de habitats e de desaparecimento de espécies directamente relacionado com a actividade humana não tem precedentes, estimando-se que seja, pelo menos, 100 vezes superior ao que ocorreria sem a intervenção humana.

É, por isso, urgente conhecer e conservar!

Em Portugal, o montado de sobro foi considerado pelo relatório de síntese da Avaliação dos Ecossistemas do Milénio como o ecossistema melhor preservado que continua a fornecer serviços na área da biodiversidade, alimentos, água, cortiça, protecção dos solos e turismo.

sobreiro-mata-vimeiro
sobreiro-mata-vimeiro

O que esperar relativamente a outras espécies, habitats e ecossistemas que não tenham as mais-valias económicas de um montado de sobro, mas que estejam igualmente protegidos ou ameaçados?

Na Região Florestal de Lisboa e Vale do Tejo existem algumas “relíquias genéticas”, Infelizmente pouco conhecidas, mas que merecem destaque pelo que significam em termos de potencial acumulado ao longo de décadas de investigação.

Na Mata Nacional do Escaroupim (concelho de Salvaterra de Magos) existe a maior coleção de eucaliptos de toda a Europa, com cerca de 200 espécies diferentes, coleção essa instalada pelo Engº. Ernesto Goes nos anos 40. Aí existem também pomares produtores de sementes de pinheiro bravo e ensaios de descendência, bem como parcelas com proveniências de diferentes países de pinheiro manso.

eucalipto-escaroupim
eucalipto-escaroupim

Na Mata Nacional do Vimeiro (concelho de Alcobaça)  existem sobreiros instalados pelo Engº. Vieira da Natividade (anos 50) com proveniências dos melhores produtores de cortiça de Portugal e outros provenientes de diferentes países assim como exemplares de híbridos e diversos carvalhos cerquinhos de porte singular.

Na Serra de Aire também a regeneração natural de azinheiras e a sua gestão têm conduzido à constituição de manchas muito interessantes de azinhal.

Estas relíquias de património genético têm sido valorizadas apenas por um pequeno grupo de investigadores, mas reúnem um potencial para a investigação aplicada, que é importante considerar pelo que pode representar para a causa da biodiversidade global e para os ecossistemas e também para a economia!

Azinhal-Serra de Aire
Azinhal-Serra de Aire

José Manuel Pereira Alho
Nasceu em 1961 em Ourém onde reside.
Biólogo, desempenhou até janeiro de 2016 as funções de Adjunto da Presidente da Câmara Municipal de Abrantes. Foi nomeado a 22 de janeiro de 2016 como vogal do Conselho de Administração da Fundação INATEL.
Preside à Assembleia Geral do Centro de Ciência Viva do Alviela.
Exerceu cargos de Diretor do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, Coordenador da Reserva Natural do Paúl do Boquilobo, Coordenador do Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios da Serra de Aire, Diretor-Adjunto do Departamento de Gestão de Áreas Classificadas do Litoral de Lisboa e Oeste, Diretor Regional das Florestas de Lisboa e Vale do Tejo na Autoridade Florestal Nacional e Presidente do IPAMB – Instituto de Promoção Ambiental.
Manteve atividade profissional como professor convidado na ESTG, no Instituto Politécnico de Leiria e no Instituto Politécnico de Tomar a par com a actividade de Formador.
Membro da Ordem dos Biólogos onde desempenhou cargos na Direcção Nacional e no Conselho Profissional e Deontológico, também integra a Sociedade de Ética Ambiental.
Participa com regularidade em Conferências e Palestras como orador convidado, tem sido membro de diversas comissões e grupos de trabalho de foro consultivo ou de acompanhamento na área governamental e tem mantido alguma actividade editorial na temática do Ambiente.
Foi ativista e dirigente da Quercus tendo sido Presidente do Núcleo Regional da Estremadura e Ribatejo e Vice-Presidente da Direcção Nacional.
Presidiu à Direção Nacional da Liga para a Protecção da Natureza.
Foi membro da Comissão Regional de Turismo do Ribatejo e do Conselho de Administração da ADIRN.
Desempenhou funções autárquicas como membro da Assembleia Municipal de Ourém, Vereador e Vice-Presidente da Câmara Municipal de Ourém, Presidente do Conselho de Administração da Ambiourem, Centro de Negócios de Ourém e Ouremviva.
É cronista regular no jornal digital mediotejo.net.

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