“Regresso às aulas com fé no improviso dos professores”, por Duarte Marques

Foto: DR

Felizmente os alunos de todo o país regressam às aulas presenciais, algo fundamental para uma geração que não pode ver a sua aprendizagem interrompida, suspensa ou adiada. Apesar de todas as regras anunciadas pelos Ministérios da Educação e da Saúde, a verdade é que muitas delas são impossíveis de concretizar, quer pelas condições e realidade de cada escola quer pelos meios que lhes foram, ou não foram, disponibilizados. Depois de um atraso monumental na definição das regras, o que chegou às escolas é por vezes exagerado e contraditório.

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A confiança da comunidade escolar deverá assentar na capacidade que as direções das escolas tiverem para se adaptar, para minimizar riscos e levar os alunos e professores a cumprir o mais possível as regras, sabendo de antemão que não têm à sua disposição nem meios nem condições para cumprir aquilo que o Governo e que o Primeiro-Ministro anunciam.

É uma perfeita tolice tentar fazer crer aos pais e alunos que há condições para garantir o distanciamento social, que há mesas individuais, salas exclusivas e meios de transporte suficientes que permitam a separação de alunos. Não há, nem vai haver.

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Se a primeira fase da pandemia nos deu pouco tempo para necessária adaptação, este regresso às aulas já ocorre com demasiado tempo para se aceitarem tantos atrasos ou falhas.

Seja como for, o que importa nesta fase é garantir que tudo será feito para garantir a manutenção das aulas presenciais e impedir o aumento de contágios dentro da comunidade escolar. Importa reconhecer que o risco existe e mesmo que todas as regras fossem cumpridas e os meios necessários colocados à disposição esse risco continuaria a existir. Ao Estado compete fazer tudo o que está ao seu alcance para reduzir esse risco, e neste caso o Governo não fez.

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É por estas razões que o Governo reconhece, e bem, a possibilidade de um Plano B (regime misto) e terrivelmente um Plano C (ensino à distância). Se isso vier a acontecer, as escolas e os alunos precisam imediatamente de condições e meios tecnológicos para o fazer, mas esse processo está demasiado atrasado para os riscos que existem.

Espero estar enganado e que as piores previsões não se confirmem, mas nesta como noutras situações cujo rumo não controlamos totalmente, ao poder político exige-se que faça tudo o que está ao seu alcance. Assim, resta-nos, mais uma vez confiar nos directores e professores que ultrapassam em muito as suas responsabilidades, fazendo omeletes com muito poucos ovos.

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Duarte Marques, 38 anos, é natural de Mação. Fez o liceu em Castelo Branco e tirou Relações Internacionais no Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, com especialização em Estratégia Internacional de Empresa. É fellow do German Marshall Fund desde 2013. Trabalhou com Nuno Morais Sarmento no Governo de Durão Barroso ao longo de dois anos. Esteve seis anos em Bruxelas na chefia do gabinete português do PPE no Parlamento Europeu, onde trabalhou com Vasco Graça Moura, José Silva Peneda, João de Deus Pinheiro, Assunção Esteves, Graça Carvalho, Carlos Coelho, Paulo Rangel, entre outros. Foi Presidente da JSD e deputado na última legislatura, onde desempenhou as funções Vice Coordenador do PSD na Comissão de Educação, Ciência e Cultura e integrou a Comissão de Inquérito ao caso BES, a Comissão de Assuntos Europeus e a Comissão de Negócios Estrangeiros e Cooperação. O Deputado Duarte Marques, eleito nas listas do PSD pelo círculo de Santarém, foi eleito em janeiro de 2016 um dos novos representantes portugueses na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, com sede em Estrasburgo. Sócio de uma empresa de criatividade e publicidade com sede em Lisboa, é também administrador do Instituto Francisco Sá Carneiro, director Adjunto da Universidade de Verão do PSD, cronista do Expresso online, do Médio Tejo digital e membro do painel permanente do programa Frente a Frente da SIC Notícias.

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