Região: 70 jovens com consumos de risco foram acompanhados no ano passado

Equipa de Tratamento de Abrantes do Centro de Respostas Integradas do Ribatejo (Foto: mediotejo.net)

No ano de 2015, a equipa de tratamento de Abrantes do Centro de Respostas Integradas (CRI) do Ribatejo recebeu 70 novos adolescentes com consumos de risco nas consultas que disponibiliza a esta faixa etária. Devido à grande procura que havia para estas consultas, houve necessidade de alargar os dias de atendimento aos jovens e adolescentes.

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Ourém, Fátima, Entroncamento e Torres Novas são a origem da maioria dos adolescentes com consumos de risco que chegam aos técnicos da equipa de tratamento de Abrantes do CRI do Ribatejo, uma unidade de intervenção local que presta cuidados a pessoas com problemas de dependência, seja de álcool, de substâncias psicoativas e também ao nível do tabagismo.

Os dados são referidos por Susana Mafra, técnica responsável pela Equipa de Tratamento de Abrantes, que salienta, no entanto, que “não se pode dizer que há mais jovens problemáticos nestas zonas, o que acontece é que os técnicos deste locais têm uma maior proximidade e sensibilização sobre o trabalho que desenvolvemos”.

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Dizem as estatísticas que cerca de 80% dos jovens a partir dos 14 anos já tiveram experiências com álcool e outras substâncias psicoativas, revelando que, cada vez mais cedo, se iniciam no consumo de substâncias, sejam lícitas, como o álcool, ou ilícitas – as drogas.

Segundo Isabel Batista, coordenadora técnica do CRI Ribatejo, “são as substâncias legais que mais nos preocupam entre os jovens, um dos grandes problemas é o álcool”, acrescentando que “há muito trabalho ao nível da prevenção para fazer nas escolas”.

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Encontro de técnicos que decorreu nas instalações da Equipa de Tratamento de Abrantes do CRI Ribatejo no "Dia Aberto à Comunidade" (Foto: mediotejo.net)
Encontro de técnicos que decorreu nas instalações da Equipa de Tratamento de Abrantes do CRI Ribatejo no “Dia Aberto à Comunidade” (Foto: mediotejo.net)

A consulta de adolescentes é um serviço que o CRI do Ribatejo disponibiliza gratuitamente aos jovens e adolescentes entre os 12 e os 24 anos e que funciona às quartas-feiras à tarde, no Centro de Saúde de Abrantes, e às 4as e 6as à tarde na USF de Santa Maria dos Olivais, em Tomar. É dirigida aos adolescentes e jovens que “podem ter tido só experimentação de substâncias, sejam filhos de toxicodependentes ou com desorganizações de outro nível”, referiu Susana Mafra ao mediotejo.net.

“Esta é uma área onde o número de necessidades tem vindo a aumentar porque há poucas respostas para os adolescentes que são encaminhados para estas consultas por diversas vias, seja através da Comissão para a Dissuasão da Toxicodependência, das CPCJ e as escolas profissionais também nos encaminham muitos adolescentes problemáticos”, esclarece Susana Mafra.

Serviços da Equipa de Tratamento de Abrantes do CRI Ribatejo funcionam no nº 95, na Rua da Barca, em Abrantes (Foto: mediotejo.net)
Serviços da Equipa de Tratamento de Abrantes do CRI Ribatejo funcionam no nº 95, na Rua da Barca, em Abrantes (Foto: mediotejo.net)

A Equipa de Tratamento de Abrantes do Centro de Respostas Integradas do Ribatejo, existe há 16 anos, com porta aberta na Rua da Barca, nº 95, em Abrantes, e abrange 10 concelhos: Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha, além de Abrantes. A juntar a estes 10 concelhos, a Equipa de Tratamento de Abrantes está ainda a receber utentes de Ponte de Sor, Gavião e Vila de Rei.

Atualmente, a equipa de Abrantes é constituída por 11 profissionais: um médico; dois enfermeiros (aguardam a chegada de um terceiro); três psicólogos; duas técnicas de Serviço Social; uma assistente técnica e duas assistentes operacionais.

Ali, são feitas consultas gratuitas para as problemáticas relacionadas com toxicodependência, alcoolismo, tabagismo e dependências sem substância, com acompanhamento médico, psicológico, de enfermagem, social e de intervenção familiar.

Foram 600 os utentes ativos a quem foi feito acompanhamento durante o ano de 2015, repartidos pela área do álcool e pelas substâncias, em que um terço desses utentes tinham problemas de álcool e dois terços com questões relacionadas com substâncias psicoativas, revelou Susana Mafra. A consulta da cessação tabágica, que iniciou neste serviço em meados de 2015, fez o acompanhamento a 26 utentes.

A faixa etária a partir dos 40 anos até aos 80, é a que apresenta mais problemas de álcool e ao nível das substâncias psicoativas, os problemas começam com utentes de 14 anos e vão até aos 40, segundo os dados da Equipa de Tratamento de Abrantes.

A falta de acessibilidades é um dos grandes problemas dos utentes: “temos noção de que perdemos muitos utentes devido aos problemas das acessibilidades”, refere Susana Mafra, dando o exemplo de que é muito complicado um utente de Ferreira do Zêzere dirigir-se a Abrantes para as consultas, uma vez que os transportes públicos são escassos.

“Quando temos apoio das instituições é muito mais fácil”, salienta a técnica responsável pela Equipa de Abrantes dando o exemplo do Projeto Rostos, em Torres Novas, ou da Câmara de Mação, que disponibilizam transporte para trazer os utentes às consultas.

A prevenção, o tratamento, a reinserção e a redução de riscos e minimização de danos são as quatro áreas de intervenção do Centro de Respostas Integradas, um serviço do Ministério da Educação.

CRI Ribatejo promoveu um "Dia Aberto à Comunidade" nas instalações da Equipa de Tratamento de Abrantes (Foto: mediotejo.net)
CRI Ribatejo promoveu um “Dia Aberto à Comunidade” nas instalações da Equipa de Tratamento de Abrantes (Foto: mediotejo.net)

Na área de minimização de danos e prevenção de riscos, uma das atuações dos técnicos do CRI é a sua presença em festas trance, conhecidas como as festas da droga. “O que fazemos nestas festas é tentar minimizar os efeitos das substâncias que consomem, temos uma unidade móvel, com técnicos, que oferecem fruta (citrinos, maçãs e cenouras), distribuímos chupas para evitar a rigidez dos maxilares após o consumo de substâncias ácidas”, esclarece Isabel Batista. “A maioria dos produtos que consomem são snifados e se os tubos são partilhados por diversas pessoas, há risco de infeção de HIV e hepatite e por isso, nestas festas, fazemos também uma distribuição ativa de canudos descartáveis”, acrescenta a coordenadora técnica do CRI Ribatejo.

Esta equipa tem também uma parceria com o Instituto Politécnico de Santarém, onde faz ações de sensibilização na área do álcool e do tabaco e intervém nas semanas académicas, tentando implementar medidas para a diminuição dos comas alcoólicos, nomeadamente no tradicional rali tascas.

Esta terça-feira, dia 28 de junho, o CRI do Ribatejo realizou o “Dia Aberto à Comunidade”, abrindo as portas das instalações da Equipa de Tratamento de Abrantes, numa iniciativa integrada nas comemorações do Dia Mundial Contra o Abuso e Tráfico Ilícito de Drogas, que se assinalou no passado domingo, dia 26.

A Equipa de Tratamento de Abrantes funciona de 2ª a 6ª feira, das 9h às 13h e das 14h às 18h. Os interessados em agendar consultas gratuitas para qualquer uma das áreas de intervenção acima mencionadas deverão fazê-lo através de marcação prévia, pessoal ou telefonicamente (241 001 030).

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