Terça-feira, Março 2, 2021
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Refugiados | “Salaam”, sejam bem-vindos a Alcanena…(C/VIDEO)

Diz-se “Salaam”. Ou seja, “que a paz de Deus esteja convosco”; ou, de forma resumida, “saudações”. O termo árabe e a sua pronúncia correta era praticado pelos funcionários do município de Alcanena enquanto aguardavam na tarde de quarta-feira, 25 de janeiro, pela chegada da primeira família de refugiados ao concelho. O casal e os seus quatro filhos vêm da cidade mártir síria, Aleppo, que só há poucas semanas foi finalmente evacuada da população civil, depois de meses de cerco pelas várias forças que compõem o cenário da guerra civil da Síria. Esta família que chegou a Alcanena já terá fugido da cidade há pelo menos três anos.

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Publicado por mediotejo.net em Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2017

Os dados disponíveis são os facultados ao município pela Plataforma de Apoios aos Refugiados (PAR), uma vez que a família não sabe falar inglês, apenas árabe. Trata-se do casal Haj Hasan: o pai Hussein, de 36 anos, e a mãe Hman, de 34 anos. O pequeno Mohammad, que completou na terça-feira, 24 de janeiro, três anos já nasceu na Turquia. A jovem Amal tem 12 anos, Fatmah (pronuncia-se Fátima) nove anos e Aya tem sete anos, três raparigas. A família chegou em Fevereiro passado à Grécia e tem estado num campo de refugiados a aguardar recolocação.

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Era desejo do município, já manifestado em várias ocasiões pela presidente, Fernanda Asseiceira, receber uma família com vários filhos. Para isso preparou uma habitação adequada, no Bairro Timor Lorosae, da posse do município, tendo a casa sido equipada na última semana com mobília fornecida pelos serviços camarários e ofertas de empresas do concelho. O comércio local ofereceu ainda comida e outros bens necessários às primeiras necessidades da família. Da parte da empresa Couro Azul há um emprego garantido para o pai, Hussein, assim que este esteja em condições de trabalhar.

Visivelmente cansados mas sempre sorridentes, a família Haj Hasan agradeceu em árabe as boas-vindas. FOTO: mediotejo.net

A chegada da carrinha do Contrato Local de Desenvolvimento Social (CLDS) 3G foi recebida com entusiasmo e muita curiosidade por algumas dezenas de funcionários municipais que estavam a aguardar pelo momento. Fernanda Asseiceira explicou ao mediotejo.net que “a nossa primeira preocupação é o português”, havendo já uma professora disponível para ir a casa da família ensinar a língua e uma senhora de origem marroquina, residente no concelho de Alcanena há 25 anos, disponível para ajudar à tradução. “Depois avançaremos para a integração na escola”, explicou, mediante os critérios exigidos pelo Ministério da Educação.

Da parte do executivo há a consciência de que a família terá que passar por um processo de integração que poderá levá-los, mais tarde, a querer partir. Neste momento porém estão reunidas todas as condições para que possam residir em Alcanena.

A professora de português Manuela Henriques, que há vários anos trabalha com alunos estrangeiros, explicou ao mediotejo.net que a experiência será a “continuação de um desafio” de ensinar a língua de Camões a quem chega de fora, tendo já trabalhado com muitas nacionalidades. “Tenho um bom feedback com os alunos”, afirmou, manifestando confiança na missão que terá pela frente. “As crianças são mais fáceis de integrar, com os pais é que há mais dificuldades”, constatou. E mesmo os mais novos têm que interiorizar primeiro a razão pela qual estão a aprender uma nova língua. A partir daí, salientou, o processo vai-se desenrolando naturalmente e até de forma rápida.

Após a recepção na Câmara de Alcanena, a família seguiu para o Bairro Timor Lorosae, tendo-lhes sido entregue a chave da nova casa. Trata-se de um apartamento, que possui uma sala de estar, cozinha e três quartos. À sua espera tinham algumas especialidades portuguesas, como bacalhau à brás, arroz doce e pão-de-ló.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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