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Domingo, Julho 25, 2021

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Refugiados querem trabalhar mas língua é o grande entrave à integração

Serão cerca de 15, ao que o mediotejo.net conseguiu apurar, o número de refugiados que se encontram atualmente na área limítrofe do Médio Tejo, em Torres Novas e Ferreira do Zêzere. No Dia Mundial do Refugiado, 20 de junho, o mediotejo.net foi procurar saber como está a decorrer a integração destas pessoas na região. O Santuário de Fátima tem uma casa a aguardar por uma família de sete pessoas e a Cáritas Social da Sertã está aberta a acolher três famílias de quatro pessoas.

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“O que é um refugiado?

De acordo com a Convenção de Genebra de 1951, relativa ao Estatuto de Refugiado, um refugiado é uma pessoa que “receando com razão ser perseguida em virtude da sua raça, religião, nacionalidade, filiação em certo grupo social ou das suas opiniões políticas, se encontre fora do país de que tem a nacionalidade e não possa ou, em virtude daquele receio, não queira pedir a proteção daquele país; ou que, se não tiver nacionalidade e estiver fora do país no qual tinha a sua residência habitual, após aqueles acontecimentos não possa ou, em virtude do dito receio, a ele não queira voltar”.

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Acresce a esta definição, publicada no site do Conselho Português para os Refugiados (CPR), que a bolsa atribuída a cada refugiado em Portugal, com fundos da União Europeia, é de 150 euros por pessoa e 75 euros por criança. Chegados a uma localidade, por via do CPR, Cruz Vermelha, Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR) e União das Misericórdias, não podem trabalhar enquanto não tiverem documentação oficial para o efeito. E não conseguem trabalho enquanto não souberem falar a língua do país. Precisam quase sempre de cuidados médicos, um local onde ficar (a oferta em Portugal vai de quartos em residências a habitações sociais) e, em vários casos, ajuda psicológica. Há muitas crianças entre os refugiados.

O mediotejo.net contactou várias instituições que têm acolhido refugiados e, até ao momento, contabilizou em 15 o número de pessoas, provenientes da Síria e do Iraque, em Torres Novas e Ferreira do Zêzere.

São conhecidos os oito refugiados que chegaram há algumas semanas ao concelho torrejano e a família, que já teve um bebé, instalada em Ferreira do Zêzere. Dia 6 de junho chegou porém uma outra família a Torres Novas, proveniente da Síria mas da região curda, um casal de 23 anos com um bebé de oito meses. Vieram pela Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR) e estão com a Casa São José de Cluny.

O mediotejo.net falou com a Irmã Isabel, que descreveu um processo de adaptação com as suas dificuldades mas que está a decorrer dentro da normalidade possível. “É um casal de sírios que estiveram uma semana na Turquia e três meses na Grécia”, antes de chegarem a Portugal. Falam um pouco de inglês, mas a comunicação tem sido feita por via dos smartphones, imagens e pequenas palavras que vão entendendo. Um momento feliz para a família foi a ida ao médico, através de um médico de origem síria que trabalha no centro de saúde de Riachos, Torres Novas. “Não imagina a alegria, até comove”, por terem alguém com quem falar. “O que acho interessante é a solidariedade das pessoas”, comenta a religiosa, referindo-se a uma família que tem ajudado este casal, sobretudo com o bebé.

Por estarem com as religiosas o bebé vai ter acesso à estrutura escolar que a instituição desenvolve, para já a creche. O grande problema reside na comunicação, mas “a integração vai-se fazendo aos poucos”. São de origem muçulmana mas a religiosa frisa que respeitam as crenças, além do que as senhoras não se cobrem, passando facilmente por europeias.

Uma situação algo semelhante é narrada pela vereadora Elvira Sequeira, da Câmara de Torres Novas, sobre os oito refugiados que chegaram a 24 de maio pelo CPR. A comunicação tem sido o grande drama, sobretudo pelo casal de jornalistas, também da região curda, que quase não fala inglês e não têm tradutor em Portugal. Acrescem problemas de família, com o grupo de Bagdade a querer ir ao encontro de familiares em Lisboa e outros que foram colocados pelo CPR em Santarém.

“Como é de supor não corre tudo bem”, comenta Elvira Sequeira, enumerando alguns dos problemas que têm sofrido e a presença permanente do município para facilitar a integração. “Querem começar a trabalhar rapidamente, mas ainda não têm condições. Só quinta-feira foram ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF)”, explica, comentando que só a partir de agora se podem começar a providenciar algumas soluções, como as aulas de português e a entrada das crianças, três até ao momento, na rede escolar.

Há ainda a desconfiança. Não sabendo falar inglês e necessitando de tradução em árabe, o mundo que envolve o casal curdo é muito estranho e confuso. O grupo de oito já foi visto pelo mesmo médico sírio de Riachos e os problemas de saúde estão resolvidos. Agora a questão é a gestão da verba, muito pequena para as necessidades. “O Município não pode simplesmente dispor de dinheiro”, explica Elvira Sequeira, é necessário cumprir processos por vezes demasiado lentos. Já têm um cartão para utilizar os transportes de Torres Novas e já circulam pela cidade. Mas todos os dias há novos problemas a resolver. “Eles não eram propriamente pessoas sem recursos”, constata Elvira Sequeira, pelo que verem-se sem nada não está a ser um processo fácil. Neste momento, sublinha novamente a autarca, querem mesmo é trabalhar.

Portugal recebeu 379 refugiados até ao momento, 60 do CPR e 125 do PAR. O CPR instalou cerca de uma dezena de pessoas no distrito de Santarém, o PAR sete. A Sertã ainda aguarda os seus refugiados, embora o distrito a que pertence, Castelo Branco, tenha recebido já nove refugiados do PAR, sete dos quais crianças.

No Médio Tejo também o Santuário de Fátima aguarda a chegada de uma família de sete pessoas. Segundo informação da instituição, a casa, no centro de Fátima, e a equipa técnica que irá acompanhar o processo de integração estão já preparados e apenas a aguardar a informação de chegada das pessoas. Para já sem datas, embora a PAR adiante na sua página de facebook que chegam esta semana mais 13 famílias a Portugal.

O mediotejo.net contactou o SEF, a União das Misericórdias e a Cruz Vermelha para obter mais dados a respeito da presença de refugiados no Médio Tejo, mas até ao momento ainda não obteve resposta. Do mesmo modo contactou a Fundação Maria Dias Ferreira, que recebeu os quatro refugiados de Ferreira do Zêzere, para saber como está a decorrer o processo de integração. Ainda aguardamos um comentário oficial, mas do que pudemos saber ao telefone o processo tem estado a decorrer bem.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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