“REFLEXÕES, HOJE”, por Sérgio Ribeiro

Foi afirmado vezes sem conta (e sem conto) que depois de ontem nada ficaria como antes. Mas o facto é que, hoje, por esta parte do mundo temos a funda certeza que hoje – 25 de Junho – nada está como estava a 23 de Junho por ontem ter sido 24 de Junho. E há muitas maneiras de ter consciência desse facto. Que é, de resto, marca indelével de todos os dias vividos, embora só de alguns se tenha consciência.

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Mas há. como ia escrevendo…, muitas maneiras de tomar consciência desse facto, e até há a de não ter consciência dele.

Houve quem se teria apressado (precipitado?) a procurar fazer como se nada de relevante, de verdadeiramente transformador (por pouco que fosse…), tivesse acontecido, ou procurado que os interesses dominantes não tivessem sido beliscados ou que, como é de natureza destes, se esteja a catar a forma de reforçar esses dominantes interesses. E há quem debata, especule, perore, teorize, a partir desse lado das coisas. Da lua. Da luta. Da vida.

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No entanto, se há esse lado, também outro lado há. Que procura entender e intervir. Que afirma o que se que se quer ignorado ou registado tão-só como sendo o mesmo de sempre… quando é o que sempre busca o novo e o transformador, para que se estima conhecer a dinâmica da História nas suas linhas de força e que sempre prevalecem. Sem prazo ou lugar pré-determinados.

No incessante esforço de não ver só um/o lado das coisas que nos é “oferecido” à saciedade, de a ele juntar – sempre e corrigindo sua menosprezada importância – o que é visto do outro lado, encontrei um pormenor que me pareceu significativo. E que me estava a passar desapercebido no turbilhão dos dias que nos são contemporâneos.

Encerrou-se, a 23 de Junho, o ano lectivo da Universidade Sénior de Ourém. Com missa, almoço e apresentação, em jeito de espectáculo, dos trabalhos de um ano riquíssimo para quem o viveu com a ajuda da associação criada para isso, para nos ajudar a viver.

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Não tendo, obviamente, participado em todo o programa, pela minha parte, com a responsabilidade de animar o convívio em duas matérias, quase só preparei, para esse balanço, o prestar contas e aproveitar o que foi a empolgante tarefa colectiva de editar um livro, fruto de uma oficina de leitura e escrita. De cidadania, a outra matéria, falei/falámos quase só num intervalo da despedida do ano passado e já vontade de voltar.

Lembro que referi ser aquele um dia de coisas importantes para a nossa cidadania, dia de referendo no Reino Unido a que havia que estar atentos e prestei contas de um pequeno trabalho que realizáramos nas últimas semanas, à maneira de teste final. Enumerei uma lista (aberta) com 8 assuntos então muito actuais, e pedi aos companheiros-alunos que escolhessem 5 deles e os colocassem por ordem de interesse… cidadão; depois de um trabalho sobre as duas dezenas de respostas, com critérios de ponderação evidentemente com elevado grau de subjectividade, ordenei a importância dos temas.

Nesse ordenamento teve claro destaque a questão das ameaças de sanções da U.E. a Portugal (27%), seguido de um segundo grupo (com 15% e 14%) de três questões ou factos – atentado numa boite de homossexuais, BRexit eleições nos Estados Unidos –, um terceiro grupo (com 9% e 8%) com comemorações do 10 de JunhoEuro de futebol e eleições em Espanha, por último (com apenas 6%) a vinda do ministro da saúde a Ourém.

Os dois extremos merecem-me brevíssimo comentário:

  • Primeiro, a pouca importância atribuída a algo que aconteceu relativo à situação de um problema candente de direitos de cidadania em Ourém, como é o caso da saúde pública;
  • Depois, a sensibilidade revelada por uma questão de soberania nacional, agredida por ameaças a que todas as forças políticas reagiram, de forma não síncrona mas – parece-me, e estes resultados confirmam – reflectindo um sentimento generalizado de repúdio por pressentida prepotência e ataque à independência nacional.

Não há dúvida (ou poucas haverá…): isto anda tudo ligado!

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