Sábado, Fevereiro 27, 2021
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Rede de coletores de Alcanena inaugurada em cerimónia que lembra degradação ambiental

A remodelação da rede de coletores do Sistema de Saneamento de Alcanena vai ser inaugurada sexta-feira, numa cerimónia que vai mostrar o estado de degradação em que se encontrava esta estrutura e os efeitos que tinha no ambiente.

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Com um custo total superior a 6,5 milhões de euros, a substituição de 40 quilómetros de condutas, com separação dos efluentes domésticos dos provenientes das indústrias, na sua maioria de curtumes, pré-tratados, é uma obra “toda enterrada, que não se vê”, mas cujos efeitos já se sentem, disse à Lusa a presidente da Câmara Municipal de Alcanena, Fernanda Asseiceira.

“Já é visível a alteração nos cursos de água. Já se veem peixes onde antes era água suja e poluída. E já se nota também ao nível do cheiro. Neste momento não se sente. Pode surgir, pontualmente, mas já se consegue identificar de onde provém. Passámos do que era normal, cheirar mal, para passar a notar quando existe alguma circunstância, como o espalhar das lamas. Deixou de cheirar mal em Alcanena, o que é extraordinário”, disse a autarca à Lusa.

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Na cerimónia que na sexta-feira vai assinalar a obra, no ponto de chegada dos efluentes, na Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR), também ela alvo de um investimento de cerca de um milhão de euros, vão estar fotografias “para se perceber o estado de degradação em que estava a rede, com derramamentos para o solo e os cursos de água”, acrescentou.

A rede estava “completamente colapsada”, com coletores “rendilhados” de tal forma que as águas residuais, parte delas provenientes da indústria de curtumes, não chegavam ao seu destino, infiltrando-se no solo e libertando gases, que provocavam um permanente mau cheiro.

A degradação do Sistema de Saneamento de Alcanena, construído na década de 1980, foi também responsável pela poluição do rio Alviela (que desagua no Tejo já no concelho de Santarém), mas, apesar dos inúmeros compromissos políticos, foi-se arrastando.

O último protocolo, assinado em 2009 envolvendo a Câmara Municipal, a Associação de Utilizadores do Sistema de Tratamento de Águas Residuais de Alcanena (AUSTRA, constituída essencialmente por industriais de curtumes e à qual pertence também o município) e o Ministério do Ambiente (através da Agência Portuguesa do Ambiente), acabou por ser revisto em abril de 2014, de forma a aproveitar ainda o quadro comunitário de apoio em vigor.

A revisão do protocolo e a prioridade dada a esta intervenção na reafetação de verbas do Programa Operacional de Valorização do Território (POVT) foi decidida na sequência de uma reunião com o então ministro do Ambiente, Jorge Moreira da Silva, em finais de fevereiro de 2014.

A obra, da responsabilidade do município, começou no início de 2015 e foi concluída “em tempo recorde”, tendo nos primeiros meses deste ano decorrido os trabalhos de verificação, encontrando-se em pleno funcionamento, disse a autarca.

Das outras intervenções previstas no protocolo, continua em curso a beneficiação da ETAR, obra da responsabilidade da AUSTRA, e foi já concluída a que foi assumida pela APA, de limpeza da célula de lamas não estabilizadas, já transferidas na totalidade (cerca de 50 toneladas) para um dos dois Centros Integrados de Recuperação, Valorização e Eliminação de Resíduos industriais perigosos situados no Ecoparque do Relvão, na Chamusca.

“Havia muito receio com o que poderia acontecer durante o transporte das lamas para o CIRVER, mas decorreu sem qualquer transtorno para as populações. Foi extraordinário”, declarou.

Depois de “muitos anos de luta, 2015 foi um ano de virar de página na qualidade de vida e na sustentabilidade ambiental do concelho e em particular da sua sede, Alcanena, pois eram as populações da vila e das povoações de Bugalhos e Vila Moreira as mais afetadas”, afirmou Fernanda Asseiceira, sublinhando que “colocou a cabeça no cepo” ao assumir o desafio de fazer a obra em tão curto espaço de tempo.

“Não podia deixar passar a oportunidade”, frisou.

Agência de Notícias de Portugal

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2 COMENTÁRIOS

  1. A noticia tem um erro crasso no parágrafo que transcrevbo a seguir: 50 Toneladas de lamas? Quantas toneladas???”Das outras intervenções previstas no protocolo, continua em curso a beneficiação da ETAR, obra da responsabilidade da AUSTRA, e foi já concluída a que foi assumida pela APA, de limpeza da célula de lamas não estabilizadas, já transferidas na totalidade (cerca de 50 toneladas) para um dos dois Centros Integrados de Recuperação, Valorização e Eliminação de Resíduos industriais perigosos situados no Ecoparque do Relvão, na Chamusca.”

  2. E, pelo que vejo, passadas que são mais de 14 horas desde que coloquei o meu comentário anterior, o Médio Tejo ainda não teve oportunidade de esclarecer junto da Lusa, autor da noticia, afinal quantos milhares de toneladas de lamas foram transferidas do aterro para o CIRVER. Era um dado importante para esclarecer a dimensão do problema que durou muitos anos.

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