Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Sexta-feira, Setembro 17, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

“Reaberturas e inaugurações”, por Massimo Esposito

Parece que sim. Estamos a viver um momento de mais tranquilidade e menos infeções e as galerias estão timidamente a recomeçar a expor as obras dos artistas que penaram no último ano e meio. Inaugurações e eventos com muita cautela estão a apresentar-se de cara lavada, desinfetada e, naturalmente, este é um bom sinal para nós artistas…mas…

- Publicidade -

Eu “sinto” que algo de muito impactante mudou. Sim, as pessoas mudaram nestes últimos tempos pandémicos e que vai afetar as usuais exposições de arte nas galerias com porto de honra, conversas previas e “parabenizações” ao artista com pancadinhas no ombro, frases muito cultas como” gosto muito” e quase sem vendas de obras.

Mr. Ai Weiwi está a fazer uma mega expo na Cordoaria Nacional e haverá mais deste tipo onde os artistas não pintam nem desenham (mas mandam fazer aos artesão, pagam uma ninharia e depois revendem como obras milionárias). Onde as pessoas entram e não entendendo dizem “wow” porque outros fazem o mesmo e regressam a casa a pensar se umas centenas de bicicletas penduradas é realmente arte e assim por diante.

- Publicidade -

Concordo que são exposições interessantes a nível do impacto visual (gosto imenso do azulejo da Viúva Lamego sob orientação do artista chinês).

Mas no Médio Tejo temos de dar uma viragem ao que estamos acostumados. Se vamos ver a assistência nas inaugurações podemos ver que são fracas e compostas principalmente do artista, familiares e amigos. Não há participação ativa do publico, do cidadão. Isto por vários fatores: falta de ou pouca publicidade, divulgação a setores não sensíveis à arte, pouco interesse causado. E isto deve-se à fraca educação e sobretudo à inexistência de uma seleção dos artistas apresentados.

Vou explicar: quando uma galeria, municipal ou privada, vai divulgar um artista DEVE frisar se é profissional, iniciante, lúdico ou simples brincalhão. O cidadão comum deve ser informado que aquele conjunto de obras são de uma pessoa que vive de arte e tem um amplo curriculum, ou que é um estudante com pretensões de um dia ser artista ou é simplesmente uma dona de casa ou um reformado que no tempo livre pinta as suas flores e paisagens preferidas.

Não quero dizer que um é melhor que o outro, mas sim que deve ser esclarecido para melhor informação ao visitante.

Abrantes está-se a apresentar como polo cultural: dois museus novos, a maior galeria do Médio Tejo, um teatro que será reestruturado, e muito mais. E espero vivamente que não aposte só nas paredes, mas sim no capital em pessoas que vivem nos arredores e naqueles que tiveram de sair por não se poderem exprimir aqui na terra.

Geograficamente é bem localizada como cidade, é agradável urbanisticamente e com muito potencial. Espero vivamente que possamos apresentar e trabalhar novas propostas e artistas motivados com o valioso apoio dos abrantinos e dos que têm as ferramentas para a realização deste projeto.

Foto: DR

Pintor Italiano, licenciado em Arte e com bacharelato em Artes Gráficas em Urbino (Itália), vive em Portugal desde 1986. Em 1996 iniciou um protejo de ensino alternativo de desenho e pintura nas autarquias do Médio Tejo que, após 20 anos, ainda continua ativo. Neste projeto estão incluídas exposições coletivas e pessoais, eventos culturais, dias de pintura ao ar livre, body painting, pintura com vinho ou azeite, e outras colaborações com autarquias e instituições. Neste momento dirige quatro laboratórios: Abrantes, Entroncamento, Santarém e Torres Novas.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome