“Raffaello Sanzio de Urbino”, por Massimo Esposito

Vou começar a escrever alguns artigos sobre vários artistas que prezo enormemente e que deixaram uma herança cultural na história de arte. Em primeiro, escolhi falar sobre um artista renascentista conhecido, mas não tanto como outros, apesar de ele ser o grande, único e magnífico Raffaello Sanzio, excelente desenhador, pintor e arquiteto do sec XVI.

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Raffaelo nasceu em Urbino (na Itália dos terremotos) em 1483 na casa do Giovanni Santi, o pai, que era também pintor. Ficou órfão muito jovem e com 16 anos (notem, 16 anos), assumiu as encomendas do pai e com outros colaboradores continuou o negócio de família, tornando-se o mais jovem artista a lutar num campo onde, na altura, estavam ativos: Michelangelo, Leonardo, Botticelli e outros nomes sonantes. Queria aqui frisar como um jovem que hoje estaria no liceu, na altura dirigia um negócio tão seleto e difícil.

Mas ele não tinha medo e sobretudo sabia das suas qualidades e da excelência dos seus desenhos. Trabalhou como aluno de Perugino que na altura recebia muitas encomendas e ali aperfeiçoou o seu estilo e alargou os horizontes, estudando prospectiva, anatomia e composição das cores na cidade de Perugia, visitada por grandes artistas, cientistas e mercadores.

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Em 1509 Já está em Roma, com encomendas para grandes obras. Algumas das maiores foram as decorações em fresco dos apartamentos do Papa no Vaticano. Uma das particularidades desta obra é que as paredes estavam já pintadas de novo por outros artistas, mas quando o Papa teve a certeza que Raffaello aceitava o contrato, mandou-as tingir de branco para que ele, “o divino pintor”, as pudesse pintar à vontade.

Não vou falar aqui das obras maravilhosas que ele pintou, todos podem consultar na net ou na biblioteca as suas obras, mas queria fazer notar que os artistas daquela altura, apesar de não terem as nossas possibilidades informáticas de comunicação, não eram fechados no seu atelier, como poderíamos pensar, ou estavam circunscritos a um pequeno círculo de amigos e discípulos.

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Há cartas trocadas entre ele e Durer na Alemanha do norte, com filósofos como Pico della Mirandola, governantes como Isabella d ´Este ou o Duque de Gonzaga. Sim, Raffaello e outros génios da altura, estudavam geografia, filosofia, arquitetura, e até na política se mostravam empenhados e procuravam soluções sociais.

E é isto que devemos pensar, que um artista não é só uma pessoa dedicada a pintar telas, mas é homem que vive e sofre na sociedade, como as outras pessoas, que tem prazeres e duvidas. Para entender melhor a arte, nada de melhor que estudar a vida deles e perceber o que os levou a pintar desta ou daquela maneira, porque é isto que importa.

As motivações de cada um levam a um estilo diferente. O objetivo na vida resulta numa serie de obras que diferenciam um artista do outro.

Hoje é o mesmo, os artistas vivem nesta sociedade mas reagem em modos diferente. O nosso empenho, então, é conhecer e estudar, ler e meditar, e assim sim, poderemos compreender melhor os “nossos” artistas, ampliar os nossos horizontes e poderemos oferecer uma visão própria desta era turbulenta em que vivemos.

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