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“Querido Pai Natal”, por Vânia Grácio

Querido Pai Natal

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Este ano portei-me bem (acho eu). Por isso quero fazer-te o meu pedido.

Gostava que este ano a solidariedade fosse digna e não fosse uma comédia dramática em horário nobre. Falamos de pessoas com menos recursos que precisam de todos nós. Se cada um de nós fizer a sua parte, conseguimos muito. Mas muito, para quem precisa. Não para as grandes superfícies comerciais, não para a publicidade e para a promoção do ego de alguém. As entidades envolvidas, os voluntários que dão o melhor de si, não precisam estar sujeitos a este circo mediático. As pessoas precisam de uma comunidade unida e solidária, não de uma comunidade que promove as desigualdades sociais através da caridadezinha.

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Este ano Pai Natal, quero ver uma comunidade unida para ajudar instituições que ajudam pessoas. Quero ver pessoas a ajudar pessoas. Quero ver solidariedade pura e genuína. Mas acima de tudo, quero ver este espírito todo o ano. Que um pouco de nós chegue aos outros. Que um pouco dos outros chegue até nós. Sempre na esperança e convicção de que não humilhamos ninguém por ter menos que nós.

Este ano Pai Natal peço tolerância, justiça, dignidade e igualdade.

Este ano Pai Natal, peço que cada família tenha pelo menos quinze minutos por dia para se apreciarem. Para se ouvirem, olharem, amarem. Tenho a certeza que o dia de amanhã será muito melhor se fizermos isto.

Este ano Pai Natal, acredito que vamos juntos criar um mundo melhor. Acredito em ti, porque me portei bem.

 

Vânia Grácio é Assistente Social e Mediadora Familiar e de Conflitos.
Licenciada em Serviço Social pelo Instituto Superior Bissaya Barreto e Mestre em Serviço Social pelo Instituto Superior Miguel Torga. Pós Graduada em Proteção de Menores pelo Centro de Direito da Família da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e em Gestão de Instituições de Ação Social pelo ISLA. Especializou-se na área da Mediação de Conflitos pelo Instituto Português de Mediação Familiar e de Conflitos.
Trabalha na área da Proteção dos Direitos da Criança e da Promoção da Parentalidade Positiva. Coloca um pouco de si em tudo o que faz e acredita que ainda é possível ver o mundo com “lentes cor-de-rosa”. Gosta de viajar e de partilhar momentos com a família e com os amigos (as). Escreve no mediotejo.net ao sábado.

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