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Terça-feira, Julho 27, 2021

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Trincanela

“Quem gosta de Cultura quer é muita Criação”, por Hália Santos

Diz o jornal Público que, “com a criação do Ministério da Cultura, Igualdade e Cidadania, Passos Coelho quis dar um sinal de abertura ao PS”. No estrito campo da política, esta é uma informação, pelo menos, interessante. Mas talvez fosse mais interessante se a criação deste Ministério fosse sobretudo um claro sinal às pessoas, ou seja, a nós, a qualquer um de nós que valoriza a Cultura, de que este aspeto da nossa vida não é secundário (para não falar da Igualdade e da Cidadania, estranhamente colocadas no mesmo lote, mas igualmente nada secundárias).

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Valorizar a Cultura é acreditar que a exposição, desde tenra idade, a experiências diversificadas, nas mais variadas áreas da Criação, faz de nós pessoas diferentes. O gosto estimula-se, o entusiasmo cultiva-se, o prazer descobre-se. E para que tudo isto seja verdade em relação à Cultura, é preciso que esta seja uma aposta que ‘vem de cima’. O que não significa ‘ser imposto’, mas antes ‘ser proporcionado’.

Quem tem responsabilidades políticas e de governação deveria ter sempre em mente que proporcionar Cultura, tornando-a simultaneamente apetecível e acessível, é uma das maiores apostas que se pode fazer a médio e longo prazo. Não precisamos todos de ser ávidos consumidores de música clássica. Não precisamos todos de compreender a arte contemporânea. Mas, tendencialmente, devemos todos estar despertos para a riqueza dos processos criativos, sejam mais tradicionais ou mais alternativos, mais elitistas ou mais populares. Devemos, sobretudo, aprender a descodificar os significados e os efeitos que cada criador de Cultura consegue produzir em nós, nas nossas imensas diferenças.

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Ninguém gosta do que não conhece. E, muitas vezes, sendo o desconhecido algo de incompreensível – e até assustador – não há outra forma de o apresentar que não seja de ‘mãos dadas’. Que é como quem diz: vem ver! E esta aproximação à Cultura, em qualquer forma ou formato, tem que ser feita por quem conhece. Numa espécie de apresentação. E, às vezes, é preciso arriscar, apresentar criações experimentais, que podem ser bem ou mal acolhidas. É preciso originar espaços e tempos (e, sobretudo, condições) para que as criações surjam e para que as pessoas a elas sejam expostas. E nada disto se faz sem uma clara opção política nesse sentido.

Claro que há cada vez mais exemplos de pessoas que, sem apoios, se lançam em projetos culturais fantásticos. Recorrem à recolha de fundos para colocar espetáculos em cena, vendem cd’s ou livros ainda em fase de projeto para os poderem produzir. Quem gosta de Cultura, acaba por colaborar com esta gente, cheia de valor, mas sem capacidade financeira. É evidente que um Ministério da Cultura não pode apoiar todos os projetos. Como também é evidente que estamos num campo sensível, muito discutível, porque a qualidade da Cultura não é fácil de avaliar.

Mas desenvolver programas (ou projetos, ou atividades, ou o que quer que seja) que estimulem o gosto pela Cultura é obrigação de quem governa. Seja a nível central, seja a nível regional, seja a nível local. E, se é verdade que o país deveria ter uma clara estratégia para promover muito mais a Cultura, também é certo que as autarquias do interior muito têm feito para concretizar esse papel, proporcionando espetáculos, exposições e outras atividades, muitas vezes de forma gratuita, que só engrandecem as populações do interior.

Críticas à distribuição de fundos a nível nacional haverá sempre. Críticas às programações culturais dos concelhos do interior haverá sempre. Que haja muitas críticas! Porque isso será um sinal de que a Cultura mexe e faz mexer. Quem, como nós, gosta de Cultura, quer é que haja muita Criação, que faça mexer, satisfazendo quem a produz e elevando quem a consome.

 

 

Professora e diretora da licenciatura em Comunicação Social da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes (ESTA), do Instituto Politécnico de Tomar, doutorou-se no Centre for Mass Communications Research, da Universidade de Leicester, no Reino Unido. Foi jornalista do jornal Público e da Rádio Press. Gosta sobretudo de viajar, cá dentro e lá fora, para ver o mundo e as suas gentes com diferentes enquadramentos.
Escreve no mediotejo.net à quinta-feira.

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