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Trincanela

Sábado, Julho 24, 2021

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“Que a Arte venha até às pessoas”, por Hália Santos

Um destes dias tive uma conversa muito engraçada com um senhor que passava no centro de Abrantes. Teria já uns 70 anos, mas bem conservado e com umas roupas, diria eu, até bastante jovens. Ele estava a olhar para uma fachada de um edifício do centro de Abrantes, que eu também tinha estado a observar.

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Aquela em cima da perfumaria, mesmo no centro, que agora tem uma flor gigante?

Essa mesmo! Eu tinha passado de carro na segunda-feira, quando estavam a montar os andaimes, e pensei que seria uma normal pintura de fachada. Quando lá voltei, dias depois, quase parei o carro para ver melhor. Aliás, ao longo daqueles dias quase todos os carros abrandavam e quase toda a gente parava para ver.

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Tal como tu e esse senhor…

Sim. Nessa altura já se percebia bem que não era uma simples recuperação de uma fachada. Quando o senhor me interpelou, já a enorme flor que nela pintaram era claramente visível. Eu tinha acabado de pensar: “Fica mesmo bem, esta pintura alegre e arejada, na entrada da cidade, como que a dar as boas vindas a quem chega!”

E achas que toda a gente pensou o mesmo? Não me parece…

Esse senhor não estava a achar muita graça… Mas fui falando com várias outras pessoas sobre o assunto. Apesar de uma ou outra dizerem que “há gente que gosta e gente que não gosta”, o certo é que criou impacto. Obrigou a reagir. Fez pensar. Lançou conversas. Sensibilizou alguns. Terá irritado outros. Mas esse é que é o interesse destas coisas. Intervir no espaço urbano para dar origem a reações.

Sim, mas há intervenções e intervenções. Nalguns casos parece que nem os artistas sabem o que querem transmitir. São meras provocações!

Que sejam! As provocações fazem parte da vida… Mas nem é o caso. Falei com um dos jovens artistas do grupo que pintou a flor. Eles quiseram fazer qualquer coisa que tivesse a ver com Abrantes e com as suas gentes. Por isso pintaram uma enorme malva silvestre. Eu acho que ficou linda! E ouvi muito gente a falar com muito entusiasmo sobre o resultado final.

Isso é fantástico. Porque, na verdade, resulta de um trabalho de formação de consumidores de Cultura, um trabalho que se faz lentamente.

Verdade… O certo é que, três anos depois, os abrantinos parecem já ter incorporado esta ideia de, durante uma semana do início de julho, conviverem com algumas dezenas de pessoas de fora, que vêm criar e ajudar a comunidade a interpretar diferentes formas de Arte. Claro que haverá sempre alguém preocupado com a quantidade de diluente que será preciso para retirar a pintura artística da fachada do prédio. Mas também falei com uma miúda de 16 anos, completamente deliciada com o que estava a ver…

Sabes, fico sempre com a sensação de que há tanta coisa que ainda temos para conhecer. Falta-nos, quase sempre, a disponibilidade e o interesse para procurarmos essas coisas. O que é triste…

Por isso é que, às vezes, é preciso colocar as coisas em tamanho gigante bem na frente das pessoas… Se as pessoas não vão até à Arte, que a Arte venha até às pessoas!

Professora e diretora da licenciatura em Comunicação Social da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes (ESTA), do Instituto Politécnico de Tomar, doutorou-se no Centre for Mass Communications Research, da Universidade de Leicester, no Reino Unido. Foi jornalista do jornal Público e da Rádio Press. Gosta sobretudo de viajar, cá dentro e lá fora, para ver o mundo e as suas gentes com diferentes enquadramentos.
Escreve no mediotejo.net à quinta-feira.

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1 COMENTÁRIO

  1. Professora… que bom ter encontrado este texto e ainda bem que gostou do trabalho de pintura. So o vi hoje e tambem gostei bastante! Espero que esteja tudo bem consigo… beijo do seu ex aluno jorge

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