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Segunda-feira, Setembro 27, 2021

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“Quantidade versus qualidade”, por Nuno Pedro

Independentemente de ter integrado outros projectos políticos para o concelho de Abrantes que não aqueles que saíram vencedores das várias contendas autárquicas, nunca me coibi de manifestar a minha concordância e até mesmo elogiar, fosse nos locais próprios, como era o caso da Assembleia Municipal, ou através de outros meios, a comunicação social local é um bom exemplo, as políticas desportivas que estavam a ser implementadas, alavancadas na construção da Cidade Desportiva abrantina.

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Porque nunca fui partidário do dizer mal só por dizer, preferindo antes apresentar sugestões enquanto agente desportivo envolvido no fenómeno, em particular no futebol, entendo ter sido essa a postura mais adequada e fundamentalmente mais racional. Porque em tempo algum os interesses individuais se podem sobrepor aos interesses colectivos. Pelo menos para mim. Outros poderão pensar de maneira diferente. Nem sempre fui compreendido, muitas vezes, aliás, na maioria delas, pela própria família política.

Adiante, o passado ficou lá atrás, no presente vivem-se outras realidades e o futuro será aquilo que todos quisermos. De uma coisa não me podem acusar. De nunca ter expressado as minha opiniões. A propósito, ou nem por isso, consoante a perspectiva de cada um, apresentei-as.

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Agora, mesmo distante, continuo a acompanhar tudo o que ao desporto diz respeito vai acontecendo por Abrantes. Imperativos pessoais, em tempos também relacionados com o dirigismo, obrigam-me a fazê-lo. Pelos clubes, pelos seus dirigentes, mas sobretudo pelos amigos. E existem questões que continuam a assolar-me, sobre a realidade do desporto no concelho de Abrantes e o posicionamento mental de alguns agentes desportivos – e aqui não me refiro exclusivamente a dirigentes como também a alguns técnicos – que teimam em olhar apenas para o seu umbigo.

Abrantes é hoje um concelho em que a prática desportiva está implantada de forma inequívoca e onde o ecletismo é cada vez maior. Longe vão os tempos em que o futebol era a única saída para quem queria praticar desporto. Porém, salvo prestações a nível individual e que muito honram os abrantinos, nomeadamente aqueles que se interessam pelo fenómeno desportivo, quais têm sido os resultados de relevo obtidos nos desportos colectivos? Atrevo-me mesmo a dizer que poucos ou mesmo nenhuns.

Poderá o estimado leitor afirmar com toda a legitimidade que a prioridade deve ser a massificação do desporto e não a vertente competitiva. E tem a minha concordância. Mas será que levando em consideração a excelência das infraestruturas desportivas existentes, os apoios financeiros que a autarquia disponibiliza, a capacidade já comprovada de muitos técnicos e a condição inata de muitos dos nossos jovens para o desporto, não seria possível conjugar as duas realidades? Creio que sim. Para isso ser concretizável, bastava que os dirigentes dos clubes que fomentam a mesma modalidade, no mesmo escalão e quase sempre na mesma competição se sentassem à mesa e de espírito aberto, valorizassem o interesse colectivo, sem menosprezar aquilo que é o seu papel no contexto desportivo do concelho. A começar pelo futebol.

Com vários clubes, centenas de praticantes, boas condições de trabalho, será que não poderia ser ambicionável uma ou mais representações em competições de âmbito nacional? Porque não reavivar a “Oficina do Futebol” de forma a dar prossecução a este objectivo, projecto idealizado em tempos pelo serviço de desporto da autarquia abrantina mas que acabou por não passar de uma primeira e única reunião terminada de forma abrupta?

Questões cujas respostas positivas só não se encontram se os protagonistas do desporto abrantino teimarem por desbravar outros caminhos. Como em tempos afirmei, o concelho de Abrantes é demasiado pequeno para que sejam os seus a “aniquilarem-se”. E cabe igualmente à autarquia um papel activo na definição de uma política desportiva que enquadre os vários pressupostos mencionados sem, obviamente, imiscuir-se naquilo que é a gestão interna de cada clube.

Com uma vida ligada ao futebol, particularmente enquanto dirigente, Nuno Pedro, abrantino, 46 anos, integra desde 2008 o quadro de Delegados da Liga Portuguesa de Futebol Profissional e mais recentemente a direcção da Associação de Futebol de Lisboa mas, acima de tudo, tem uma enorme paixão pela modalidade. Escreve no mediotejo.net de forma regular.

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