“Quando não há liberdade, há ditadura”, por Helena Pinto

Chegou ao fim o “julgamento” de 17 ativistas em Angola. O desfecho era esperado – culpados e condenados a duras penas de prisão (entre 2 e oito anos de prisão). Qual o crime destes jovens? Segundo o Tribunal angolano “conspiração” e “associação de malfeitores”.

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O Mundo sabe que estes jovens se reuniam, liam livros em conjunto e, claro, conversavam. Para o regime angolano “conspiravam”.

Um regime, onde não há liberdade de expressão, liberdade de reunião e de manifestação, um regime onde ter uma opinião diferente dá cadeia, tem um nome, um só nome – Ditadura!

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E Angola é uma ditadura, com um presidente – José Eduardo dos Santos – que se eterniza no poder, que tem à sua volta um aparelho entre o partido e o estado, que mistura negócios familiares com os interesses do estado, que não olha a meios para atingir os fins, que compactua com a repressão de um povo que vive na miséria, enquanto os ricos e os poderosos estão cercados por arame farpado e defendidos por metralhadoras, na sua ilusão de que assim garantem a sua segurança.

Será que podemos ignorar tudo isto? Fazer de conta que não existe? Em nome de relações diplomáticas, de interesses comerciais? Ou mesmo em nome da não ingerência nos assuntos internos? Desde quando a repressão de uma ditadura é um assunto interno? Não podemos e devemos tomar posição sobre os atentados aos Direitos Humanos? Dizer que o julgamento destes jovens, agora condenados, foi uma farsa, é ingerência nos assuntos internos? Podemos falar sobre o que se passa nuns países, noutros não, porque temos relações comerciais ou relações partidárias… É pura hipocrisia. E ainda pior, é sacrificar os valores da democracia, dos direitos humanos e mesmo a vida de muitas pessoas – a interesses “especiais” para não fazermos ondas nas relações com o Presidente e o partido que governa Angola.

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Foi exatamente este “fechar de olhos” hipócrita que permitiu a entrada da Guiné Equatorial na CPLP, isto e o negócio do petróleo. De qua adianta ter uma organização internacional, multilateral, fundada na lusofonia, baseada no primado dos interesses humanos, que capitula perante os interesses económicos e ignora as ditaduras?

O regime angolano condenou estes jovens, porque ousam pensar diferente, porque ousam ler livros, ousam reunir-se, ousam dizer que querem outra coisa e não o que está estabelecido por alguns. Impôs a sua ordem, mas mesmo os ditadores sabem que o seu fim está a chegar.

Somos uma Democracia, de que lado vamos ficar?

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