Projeto “Rotas de Mação” vai tornar-se associação autónoma até final do ano

Foto: Leonel Mourato

O anúncio foi feito pelo autarca Vasco Estrela, em reunião de executivo em Mação. O projeto iniciado em 2018, e que conta com mais de 40 voluntários envolvidos, Município, Juntas de freguesia, forças de segurança e Bombeiros, está “a dar os primeiros passos para constituição de uma associação até final do ano”. Vasco Estrela refere que tal já estava previsto num horizonte de três ou quatro anos, mas irá assim antecipar-se para que o município possa apoiar esta associação na mesma medida que o faz às restantes do concelho, “separando as águas” em termos de competências e política de desenvolvimento turístico e de lazer do concelho. Esta associação terá assim autonomia, não havendo “intromissão” da Câmara na sua atividade e decisões, mas garantindo a autarquia continuar a apoiar e cumprir com o compromisso firmado em protocolo, no ano passado.

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Vasco Estrela frisa não existir qualquer problema ou desentendimento com o grupo das Rotas de Mação, tendo já reunido sobre o assunto com o porta-voz e impulsionador do projeto, o ortiguense Leonel Mourato. Ao que o autarca explicou, durante a sessão de executivo camarário, pretende-se colocar pontos nos “ii”.

“Sempre entendi que o projeto tinha e tem virtudes, mas corria alguns riscos de se confundir um pouco com a Câmara, e por outro lado, entenda-se que a Câmara está a ser uma parceira institucional com peso maior que qualquer um dos outros”, diz, aludindo ao apoio financeiro que tem sido dado para desenvolvimento de iniciativas relacionadas com o projeto.

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O autarca afirma que à Câmara “compete representar o concelho e o Município em outras entidades, direcionar a política do município na área do Turismo e do Lazer”, frisando que “as coisas têm de ser direcionadas daqui para lá, e não de lá para cá. Tudo isto fez-nos pensar que fazia sentido antecipar o que estava previsto acontecer daqui a dois ou três anos, que seria a constituição de uma associação das Rotas de Mação”, diz, contextualizando esta decisão.

A associação “já está a dar os primeiros passos de modo a fazer a gestão de tudo o que já foi construído. E a partir desse momento, a Câmara sairá do processo e passará a apoiar essa associação como apoia outras associações do concelho”.

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Vasco Estrela, com os presidentes de Junta presentes na cerimónia de assinatura do protocolo de cooperação com a Comissão instaladora das Rotas de Mação, firmado no final de 2019. À direita, o porta-voz e impulsionador do projeto, Leonel Mourato. Foto: mediotejo.net

O edil maçaense destaca “nuances muito próprias do processo, uma vez que está a ser construído um portal que custa mais de 50 mil euros, pago pela Câmara, houve toda a marcação dos terrenos, que se cifra em cerca de 20 mil euros, e ainda falta marcar os restantes percursos que deve representar mais o dobro deste valor”, enumera, crendo que todos estes investimentos terão de ficar protocolados no futuro.

Outra preocupação é a passagem dos percursos, que variam entre terrenos privados, públicos e o facto de muitas instalações públicas poderem não estar afetas ao projeto, situação que deve ser esclarecida.

“O que está em cima da mesa, e da conversa que tive na semana passada com o porta-voz do projeto, Leonel Mourato, é que até final do ano tudo esteja esclarecido e a partir dessa data a associação possa fazer o que muito bem entende relativamente às rotas, dinamização dos percursos, merchandising e parcerias, candidaturas e projetos, entre outros. A Câmara não se irá envolver nisso, e ajudará e apoiará esta associação como faz com todas as outras”, clarifica.

O autarca sublinhou que não há nenhum problema associado ao projeto ou celeuma entre autarquia e o grupo dinamizador das Rotas de Mação, crendo que apenas se devem “separar as águas para que não se diga que a Câmara está a influenciar politicamente a gestão das Rotas, nem por outro lado as Rotas estejam a influenciar aquilo que a Câmara, nomeadamente o seu presidente, entende que deve ser a sua política turística, de lazer, desportiva, recreativa (…) Não vale a pena existirem misturas que depois podem vir a dar maus resultados”, termina.

Refira-se que, no final de 2019, foi assinado um protocolo entre a Comissão Instaladora das Rotas de Mação, a Câmara, as Juntas de freguesia, Bombeiros e GNR, onde estavam estabelecidas obrigações para todas as partes.

A autarquia diz que “cumprirá até ao fim aquilo que está protocolado”, independentemente da criação da associação surgir no final do ano. “Não é o facto de, por exemplo, no final do ano a associação ser criada, que não assumirá os compromissos com a marcação de percursos e com o alojamento do portal na Internet”, exemplifica o presidente da Câmara.

O projeto partiu de um grupo de voluntários, ligados a Mação e com raízes no concelho, tendo evoluído ao longo dos últimos anos. Tudo começou com um evento de geocaching promovido por Leonel Mourato, em Ortiga, sua terra natal, algo que o levou a propor à Câmara o desenvolvimento deste projeto pela sociedade civil. Foto: mediotejo.net

Este projeto que nasceu da sociedade civil, lembra Vasco Estrela, conta com “o empenho da Câmara desde a primeira hora, com grande envolvimento logístico e principalmente financeiro”, uma vez que o investimento do município nesta matéria já ronda os 80 mil euros, mantendo-se “grande autonomia dos intervenientes que lideram o projeto”.

O que está em causa com esta decisão é o facto de não haver “nenhuma intenção de a Câmara Municipal se apropriar de algo que «não é seu»”.

“Tenho perfeita consciência, e não deixarei de o referir em momento oportuno, que sem o envolvimento da autarquia dificilmente as coisas teriam chegado onde chegaram, tal como não teria chegado onde chegou sem o envolvimento de todas as pessoas, entidades e instituições. O mérito é de todos aqueles que trabalharam, principalmente os que tiveram a ideia e fizeram as coisas de forma desinteressada”, conclui Vasco Estrela.

De futuro, o assunto voltará à Câmara Municipal para análise.

Recorde-se que a “força motriz” do projeto Rotas de Mação é dar a conhecer e afirmar o potencial turístico, cultural e patrimonial do concelho, estando para isso prevista a marcação e instalação de 15 Percursos Pedestres espalhados por todo o território.

Em outubro de 2019, foi oficializado o Projeto com a assinatura de um Protocolo entre as partes, ligando entre si cerca de 40 entidades do concelho de Mação entre as quais a CM Mação, todas as Juntas de Freguesia/União das Freguesias, 30 associações locais, GNR Mação, Bombeiros Voluntários Mação, Agrupamento Escolas de Mação e cerca de 40 voluntários, filhos do concelho, uns residentes no mesmo e outros espalhados pelo país.

O projeto Rotas de Mação pretende marcar 15 percursos pedestres, unindo as freguesias do concelho de Mação e criando um todo em torno da divulgação turística do seu património natural, histórico e cultural. Foto: mediotejo.net

Estão a ser desenvolvidos um portal na Internet e uma aplicação móvel associada, para usufruto dos pedestrianistas/turistas.

Para já estão a aguardar homologação final os primeiros percursos devidamente marcados, sendo eles o PR02-MAC: Rota do Brejo e do Bando dos Santos, o PR03-MAC: Rota do Carvoeiro, o PR04-MAC: Rota da Ortiga Sul e o PR05-MAC: Rota da Queixoperra.

O grupo de dinamizadores, apesar dos atrasos e constrangimentos causados pela pandemia de covid-19, continua no terreno a trabalhar nos próximos percursos a marcar e submeter a homologação, nomeadamente de Amêndoa, do Penhascoso, das Casas da Ribeira/Caratão e dos Envendos. Mais tarde serão desenvolvidos trabalhados na zona de Aboboreira, de São José das Matas, da Ortiga Norte e de Cardigos Norte.

Os últimos percursos têm trabalhos no terreno projetados para 2021, englobando as trilhos dos percursos da Rota do Bando do Codes, Rota de Cardigos Sul e Rota da Ladeira.

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