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Presidente das IPSS do distrito quer reflexão sobre institucionalização e valorização dos trabalhadores

A nova presidente da União Distrital das Instituições Particulares de Solidariedade Social (UDIPSS) de Santarém quer pôr na agenda o debate sobre alternativas à institucionalização dos idosos e a valorização de trabalhadores e dirigentes do setor.

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Sónia Lobato, que hoje tomou posse como presidente da direção da UDIPSS de Santarém, disse à Lusa que vem “do terreno” e traz consigo uma “agenda muito própria, muito diferente”, sendo um dos seus desafios aproveitar um momento em que “nunca se falou tanto do setor” para lançar um debate e uma reflexão profunda sobre a institucionalização.

Referindo as inúmeras situações de lares ilegais que a pandemia da covid-19 revelou, deixando à vista de todos a carência de soluções para grande parte da população idosa do país, Sónia Lobato considerou ser altura de debater e começar a preparar “outras soluções”.

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Para a também dirigente do Lar Evangélico Nova Esperança, é preciso que as pessoas, quando for a hora de decidir, possam ter a possibilidade de escolher entre ficar numa instituição ou nas suas casas, sabendo que, se assim for, terão ajuda na adaptação dos espaços e uma “rede forte de apoio domiciliário”.

Sónia Lobato defendeu que, para melhorar a capacidade de resposta do setor, é preciso que este passe a atrair pessoas qualificadas e motivadas, pelo que se vai bater pela contratação coletiva e uma regulação laboral específica para o terceiro setor, que assegure a valorização e salários dignos para funcionários e pessoal técnico.

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“Não se pode exigir um serviço de qualidade quando os salários começam, desde 01 de janeiro, nos 685 euros, para pessoas que têm de prestar cuidados de higiene a idosos e lidar com situações de doença e, por vezes, de demência”, e que têm de ser tratados “com toda a dignidade”, disse.

Sónia Lobato é a nova presidente da União Distrital das Instituições Particulares de Solidariedade Social (UDIPSS) de Santarém. Foto: DR

Da “agenda” que vai levar já à próxima assembleia geral da Confederação Nacional das IPSS (CNIS) consta ainda a “responsabilização dos dirigentes”, com exigência de uma “boa gestão dos dinheiros” das instituições, o que, no seu entender, tem de passar pela capacitação e profissionalização.

A lista com que se candidatou, e que foi eleita no passado sábado, integra representantes de 13 das 186 instituições associadas da UDIPSS.

Do programa da candidatura “Todos Somos União” faz ainda parte a defesa da redução da TSU para o terceiro setor, a revisão dos acordos de cooperação (mínimo 50%), a definição legal da categoria de Diretor Técnico e a formação profissional.

Sónia Lobato considerou ainda essencial assegurar a capacidade de comunicar para acabar com a imagem de que os idosos não são devidamente cuidados nas instituições e também para que as informações divulgadas, nomeadamente, sobre surtos da covid-19, dadas com grande relevo num momento inicial, forneçam um retrato da sua evolução e um contexto quando existem mortes de utentes.

Sobre as estruturas não legalizadas, a nova presidente da UDIPSS de Santarém sublinhou a importância do trabalho junto de quem desenvolve uma atividade paralela, por vezes com comportamentos “criminosos”, e das famílias que procuram essas soluções, para as quais é necessário oferecer alternativas.

No seu entender, a criação de equipas numa rede forte de apoio domiciliário será uma forma de combater os lares ilegais, sublinhando que essa é uma solução que tem de começar a ser construída agora para ser uma verdadeira alternativa a médio/longo prazo.

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Agência Lusa
Agência de Notícias de Portugal

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