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Domingo, Outubro 24, 2021

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Presidente da Junta indignado com fecho “irreversível” do Santander em Rossio ao Sul do Tejo

A sucursal do banco Santander, presente há décadas em Rossio ao Sul do Tejo (Abrantes), vai fechar portas em junho. O presidente da Junta de Freguesia disse ao mediotejo.net que a decisão foi apresentada como “irreversível” e justificada com “questões económicas”, uma situação que criticou, lamentando o abandono dos serviços públicos de proximidade das terras do Interior.

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A delegação do Santander Totta em Rossio ao Sul do Tejo tem encerramento agendado para o próximo mês de junho, confirmou ao mediotejo.net o presidente da Junta de Freguesia, Luís Alves, e também o próprio banco. Esta decisão foi previamente comunicada à autarquia como “irreversível” deixando a margem sul do concelho de Abrantes sem mais um serviço, no caso sem agência bancária.

Luís Alves considerou tal decisão “lamentável” até por ser uma sucursal “das mais antigas” do distrito de Santarém, e justificada com questões económicas.

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Anúncio dos anos 60, quando o Banco Totta tinha apenas agências em Lisboa, Porto, Barreiro e Rossio ao Sul do Tejo. Créditos: DR

“Hoje em dia a economia valoriza mais a criação de riqueza do que o bem estar das pessoas. Resolveram fechar. As pessoas deixaram de contar”. Em Rossio ao Sul do Tejo, nos últimos anos fechou o balcão dos CTT e as agências bancárias BPI e CGD, a que se junta em junho o fecho do Santander.

ÁUDIO | LUÍS ALVES, PRESIDENTE DA UF SÃO MIGUEL E ROSSIO AO SUL DO TEJO

O presidente critica os partidos que “arrogam a defesa dos trabalhadores, da população, e estão a aceitar migalhas. Não sabemos para onde nos devemos virar!”. No interior “onde os presidentes de Junta têm responsabilidade, veem envelhecer as populações e vemos perder tudo, começa a ser desesperante […] nas aldeias estão a tirar tudo aquilo que são direitos das pessoas, escolas, serviços de saúde, correios, etc”, afirma.

Santander Totta está em Rossio ao Sul do Tejo desde os anos 60. No futuro, apenas deverá ficar a caixa ATM mas no edifício da sede da Junta de Freguesia. Foto: mediotejo.net

Luís Alves considera que o encerramento do balcão deixa as populações mais desprotegidas porque apesar da entidade bancária ser um serviço privado é um serviço público de proximidade que se perde. “Temos de acordar todos em vez de andarmos a escrever no Facebook”, considera.

Esta era a última agência bancária no Rossio, após o encerramento de outras entidades bancárias sendo que, o segundo o presidente da Junta, o Santander manifestou-se “disponível para pagar as despesas de instalação do ATM [multibanco]”, no edifício da Junta de Freguesia. “Foi uma conversa, neste momento é isso que temos em cima da mesa”, avançou.

Luís Alves nota que Rossio ao Sul do Tejo é um ponto de passagem de uma margem do Tejo para a outra, “há uma confluência de interesses, de pessoas e de bens”, no entanto, reconhece que “o digital está a avançar rapidamente”. Mas, considera, “a verdade é que grande parte da população não tem acesso ao digital. Vimos agora nas aulas à distância, em que 10% das nossas crianças nunca tinham tido contacto com computadores. Há um desequilibro”, nota.

Banco Santander Totta fecha em junho balcão em Rossio ao Sul do Tejo. Foto: DR

Em março encerrou a sucursal do Santander Totta em Gavião, em junho encerrará em Rossio ao Sul do Tejo e depois o balcão da Chamusca. “Portanto, há todo um plano de redução de custos, ou seja, mais uma injeção de lucros… ao fim ao cabo é isto”, critica Luís Alves. Com este encerramento, a agência mais próxima estará situada na cidade de Abrantes.

Quando soube da decisão do banco Santander, na sexta-feira, dia 21, Luís Alves falou com o presidente da Câmara de Abrantes. Foram ambos “surpreendidos com esta decisão”, diz. O autarca também contactou a Comissão de Utentes de Serviços Públicos do Médio Tejo, no sentido de perceber qual o próximo passo possível para reverter o encerramento.

“Vamos reunir para dar uma resposta conjunta da autarquia a esta situação”, dá conta, lembrando haver um serviço que nunca se esquece da população: “As Finanças! Esses podemos estar descansados. Os outros estão-nos a abandonar a toda a hora e temos de perceber o que pretendemos para as nossas populações. Se queremos ser livres temos de lutar pela nossa liberdade e a liberdade implica que não nos tirem aquilo a que temos direito”.

Luís Alves – presidente da União de Freguesias de São Miguel do Rio Torto e Rossio ao Sul do Tejo

Fonte oficial do banco Santander confirmou o encerramento do balcão em Rossio ao Sul do Tejo no dia 25 de junho, tendo justificado a opção estratégica com “aquilo que os clientes pedem” e referido o reforço de meios humanos em Abrantes, o balcão mais próximo, e que dista cerca de quatro quilómetros da localidade de Rossio ao Sul do Tejo.

“O Balcão do Rossio está a 3,7 km do balcão de Abrantes, onde temos uma equipa maior e que terá mais capacidade para atender os clientes” do que no espaço que vai encerrar, tendo referido que se está a trabalhar no sentido de “encontrar uma solução de manter a ATM em funcionamento para que a população do Rossio ao Sul do Tejo não tenha que se deslocar para as operações básicas bancárias”, que podem ser feitas por essa via.

Na resposta enviada à Lusa, o Santander refere que “nos últimos cinco anos (…) incorporou as redes dos bancos Banif e Popular e desde essa data que o banco tem vindo a rever a dispersão geográfica e a sua presença física em função não só das redundâncias daí resultantes, mas também do nível de digitalização dos nossos clientes, quer da observação do número, em diminuição, de visitas dos nossos clientes aos balcões”, afirmou.

Dando conta que “o número de transações em Balcão caiu cerca de 30% de 2019 para 2020”, a mesma fonte disse que o banco tem atualmente 380 balcões e que continuará a “monitorizar” o seu grau de utilização de forma a “dar a resposta que os clientes pedem” em termos de utilização.

“À medida que otimizamos a rede física também estamos a investir cada vez mais em tecnologia e em processos cada vez mais automáticos de contratação remota. É um movimento inevitável que os nossos clientes pedem e que a pandemia veio acelerar”.

*c/LUSA

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A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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