Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -
Sábado, Outubro 16, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Prémio Literário do Médio Tejo | “Bendita Sejas”, uma homenagem à essência da vida através da liberdade, do amor e da gratidão

“Bendita Sejas” é liberdade, amor e gratidão numa poesia marcadamente feminina. Sónia Pereira Vieira é a autora da obra vencedora da 3.ª edição do Prémio Literário do Médio Tejo na categoria de Poesia, uma iniciativa da Médio Tejo Edições que teve o apoio do TorreShopping e da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo. Este foi o culminar de um percurso iniciado nos tempos em que o pai lhe lia em voz alta na Lagoa do Furadouro, em Ourém, passando pelos incontáveis rabiscos de versos que tem guardado nas suas gavetas ao longo dos anos. Em conversa com o mediotejo.net, revela que na sua vida a poesia passou a ser “uma forma de ser, uma forma de estar, um refúgio, um porto seguro – o escrever vem por acréscimo”.

- Publicidade -

Foi através de pequenas rotinas, como ter o pai a ler-lhe em voz alta ou ir à biblioteca requisitar livros enquanto esperava pelo autocarro para ir para casa, que fizeram com que, aos poucos, a poesia fosse ganhando “um sentido muito real” na vida de Sónia Vieira.

Natural da pequena aldeia de Lagoa do Furadouro, perto de Vilar dos Prazeres, em Ourém, Sónia Chainho – apelido pelo qual é conhecida e que assume nas redes sociais em homenagem ao nome de família que não herdou, porque o pai “decidiu que seria um nome muito carregado para dar a uma menina” – atribui a casa o despertar do gosto pela leitura e pela escrita. “Uma memória que nunca vou esquecer é o facto de o meu pai me ler em voz alta, que é uma coisa fundamental. Eu acho que isto foi um toque fundamental, uma pedrada no charco na minha vida o facto de eu ter tido um pai que me lia”, revela, lembrando que em casa nunca faltou a presença das letras.

- Publicidade -

“O meu pai fez questão, talvez inconscientemente, que nunca me faltassem livros em casa. Livros e o jornal: sempre entrou o jornal no domingo, até hoje é uma prática, tirar o seu momento de leitura todos os domingos.” O que tinha, diz, foi suficiente para que se apaixonasse pelos livros. “No início foi pelos livros em si, pela curiosidade que me traziam, e depois aos poucos foi pelos diferentes géneros: o conto, o romance e a poesia”, conta-nos.

Começou desde miúda a escrever. “Coisinhas para mim, como todas nós fizemos quando éramos mais novas”, diz. Ainda hoje encontra rabiscos guardados nas gavetas de casa. Começou a dedicar-se à escrita mais a sério na poesia, género que lhe despertou a curiosidade e que aguçava sentada na paragem de autocarro quando saía da escola, aguardando o regresso a casa.

“A poesia é para mim um permanente reencontro comigo”, diz Sónia Pereira Vieira. Créditos: DR

Aos poucos, “a poesia foi fazendo sentido, um sentido muito real”, admite Sónia Vieira. “É como se as palavras saltassem para a vida e me ajudassem de alguma forma a encaixar tudo, a ver o mundo de outra forma”, diz, com a certeza de que esta explicação é insuficiente para definir aquilo que é “uma paixão”.

Uma paixão que a acompanhou na adolescência, quando descobria autores como Alice Vieira, Fernando Pessoa, José Régio e Sophia de Mello Breyner, e que se desenvolveu quando rumou a Lisboa, numa época em que “não era prática os jovens saírem da aldeia”, para se licenciar em História. Quando regressou à região, mais propriamente ao Entroncamento, onde vive há já uma década, trouxe consigo a mesma paixão, através da qual faz ecoar os seus versos de liberdade, amor e gratidão.

“Fui mostrando a uma pessoa ou outra as coisas que tinha escrito… e uma vez uma colega de trabalho falou-me que algumas Câmaras lançam concursos, e um dia concorri. Comecei a ganhar um segundo prémio ali, uma coisinha além. Coisas que aos olhos da sociedade se calhar são mínimas mas que para mim começaram a transformar-se em algo com bastante significado, pelo simples facto de que me davam vontade para continuar”, explica-nos. E foi assim que chegou ao Prémio Literário do Médio Tejo, acabando por ser escolhida nesta 3ª edição como a vencedora na categoria Poesia, com a obra “Bendita Sejas”.

É um conjunto de poemas que surgiu num “período de transformação grande” na sua vida, revela Sónia Vieira. “Estava de licença de maternidade e foi nesse período que nasceram estes pequenos poemas. Foi num bocadinho que tive mais sossegadinho que peguei na caneta e reuni algum ou outro poema que já tinha”, decidida a concorrer.

A propósito de “Bendita Sejas”, António Matias Coelho – membro do júri – refere: “Por esta dúzia de poemas perpassam a Liberdade, o Amor e a Esperança. Mais do que um discurso predominantemente feminino, é um olhar muito humano sobre a essência da vida, numa poesia cristalina, melodiosa, que nos enleva e nos encanta. E, embalando-nos no sonho, alimentado por muito sugestivas imagens, nos deixa um sentimento de felicidade e de gratidão pelo milagre da nossa viagem pelo mundo.”

Palavras que Sónia Vieira diz refletirem “a essência dos poemas”. “No fundo, o que está ali é um conjunto de palavras em forma de poesia mas é uma poesia marcadamente feminina. Quem ler vai perceber que é muito intrínseco, é muito próprio da condição da mulher, e no fundo retrata algo que é muito nosso, singular e intenso, que é esta transformação que resulta da maternidade”, explana, admitindo ainda que, de forma inconsciente, acabou por fazer uma homenagem à filha “e a todas as mães e a todos os filhos”.

“Quando escrevo é porque tenho uma vontade muito grande de escrever aquilo naquele momento e àquela hora”, admite Sónia Pereira Vieira, que vê na poesia “mais do que um gosto, uma paixão”. Créditos: DR

Além da transformação do processo da maternidade, a poesia de Sónia Vieira vai também ao encontro de valores como a liberdade, o amor e a gratidão. Ideais que esta professora de História tenta ter presentes nesta “breve passagem pela vida”. Valores que a poesia vai ajudando a manter vivos.

“A poesia é uma forma de ser, o escrever vem por acréscimo. Tudo se tornou uma forma de ser, uma forma de estar, uma forma muitas vezes de refúgio, porto seguro. A poesia é para mim um permanente reencontro comigo. Todos nós precisamos dos nossos momentos, dos nossos silêncios e a poesia faz esse trabalho comigo, ajuda-me a fazer esse ponto de encontro. E esse reencontro e tornou-se fundamental na minha vida.”

4ª EDIÇÃO DO PRÉMIO LITERÁRIO DO MEDIOTEJO JÁ COM CANDITATURAS ABERTAS

O Prémio Literário do Médio Tejo visa promover talentos regionais e, nesse sentido, distingue obras de autores naturais ou descendentes de famílias de um dos 13 concelhos do Médio Tejo, ou residir na região há mais de um ano.

Os vencedores recebem um prémio monetário de 500 euros e as suas obras são editadas pela Médio Tejo Edições / Origami Livros, com distribuição nacional em livrarias selecionadas e lançamento na Feira do Livro de Lisboa.

Os trabalhos a concurso têm de ser inéditos e são avaliados por um júri constituído por profissionais da área e de reconhecido mérito. Na 3ª edição o júri foi constituído por António Matias Coelho, presidente da Associação Casa-Memória de Camões, em Constância, Margarida Teodora Trindade, diretora da Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes, em Torres Novas, e Patrícia Fonseca, jornalista e diretora editorial da Médio Tejo Edições.

Estão abertas até 30 de dezembro de 2021 as candidaturas para a 4ª edição. Mais informações e regulamento AQUI.

Abrantina mas orgulhosa da sua costela maçaense, rumou a Lisboa com o objetivo de se formar em Jornalismo. Foi aí que descobriu a rádio e a magia de contar histórias ao ouvido. Acredita que com mais compreensão, abraços e chocolate o mundo seria um lugar mais feliz.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome