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Sábado, Julho 24, 2021

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Portugueses procuram informação regional sobretudo nos media digitais

Já é conhecido relatório deste ano da “Digital News Report Portugal” (DNR PT 2020), uma parceria entre a Obercom – Observatório da Comunicação, Reuters Institute e a Universidade de Oxford que analisa as tendências dos portugueses no consumo de informação. Entre os diferentes dados sobre a desinformação e as redes sociais, a investigação destaca que os portugueses têm muito mais interesse pelos órgãos de comunicação social locais e regionais do que anteriormente, procurando informação sobretudo nos media digitais. 

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O documento é apresentado no mesmo dia que o seu congénere mundial, o “Digital News Report Global”, com o qual faz várias comparações. Neste sentido, “Portugal é, mais uma vez, um dos países com a maior proporção de respondentes a afirmar que confia nas notícias. Este ano, a par da Finlândia, encontra-se em primeiro lugar, entre 40 países, com 56% dos portugueses a dizer que confiam em notícias em geral. Salienta-se, no entanto, uma tendência para a diminuição de confiança nas notícias que se tem vindo a fazer sentir, tanto nos países onde tradicionalmente há elevados níveis de confiança como naqueles onde os níveis são estruturalmente baixos”, destaca o documento.

Os portugueses são ainda os que mais se preocupam com a legitimidade dos conteúdos online, com três quartos da amostra nacional a dizer estar preocupada com o que é real e falso na Internet. Apenas os inquiridos no Brasil urbano se revelam mais preocupados que os portugueses, com a Holanda, a Eslováquia, a Alemanha e a Dinamarca, em destaque, como os países cujos inquiridos se revelam menos
preocupados com esta questão.

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A investigação adianta que sete em cada 10 portugueses acredita que o jornalismo desempenha um papel importante na sociedade, no entanto o consenso não é tão abrangente quando se fala do papel concreto que o jornalismo deve ter na determinação da verdade no quotidiano: 44,3% consideram que, perante declarações e factos potencialmente falsos, os media devem reportar o que é debatido, face a 43,3% que consideram que declarações duvidosas devem ser ignoradas.

O “Digital News Report Global” deste ano, que agrega 40 países, refere que há cada vez mais pessoas a nível mundial a pagar notícias online, mas tal não é o caso de Portugal, onde apenas 10,1% dos inquiridos afirma pagar conteúdos. Os relatórios acreditam que o novo coronavírus vai acelerar estas tendências, porém numa primeira fase o foco do público vai virar-se para a televisão.

“O relatório revela altos níveis contínuos de preocupação com desinformação on-line e nas redes sociais, com a maioria dos respondentes a apontar os políticos do seu país como responsáveis, em vez de ativistas, jornalistas ou governos estrangeiros. No caso de Portugal as redes sociais são o meio que mais preocupação causa, seguindo-se o Governo e os políticos em geral”, continua.

De uma forma geral, em termos globais, os inquiridos da maioria dos países preocupam-se com a informação falsa proveniente sobretudo do Facebook (29%) em comparação com outras redes como o YouTube (6%) e Twitter (5%). No entanto, em partes do sul global, como Brasil, México, Malásia e Chile, as pessoas dizem que estão mais preocupadas com as aplicações de mensagens fechadas como o WhatsApp.

No que toca à ideologia política, os portugueses que se posicionam politicamente à esquerda e ao centro tendem a atribuir aos jornalistas um papel de maior responsabilidade na filtragem dos factos e sua veracidade. Já os portugueses mais à direita do espectro político tendem a achar que não cabe aos media o papel de fazer este tipo de triagem.

Os portugueses (seis em cada 10) aceitam também que as grandes plataformas devem ter um papel ativo no bloqueio/remoção de conteúdos falsos. Apenas dois em cada 10 dos inquiridos considera que este tipo de moderação está fora do conjunto de responsabilidades das grandes plataformas de redes sociais.

Somos dos que mais acreditam nas notícias, 56%, a par da Finlândia, mas essa confiança ainda assim caiu 9,1%. “Não obstante a grandeza dos dados gerais, os portugueses confiam menos em notícias com origem em plataformas de indexação online, com cerca de 4 em cada 10 a dizer confiar em notícias em motores de busca (43%) e menos de 3 em cada 10 declarar confiar em notícias com origem em redes sociais (28%)”, adianta. Deste modo, também as marcas cujo principal suporte é o online “parecem motivar níveis de confiança substancialmente menores que os legacy players da televisão, imprensa e rádio”.

A desinformação veiculada pela política, nomeadamente a que chega pelo Facebook, é a que mais preocupa os portugueses. “A desinformação oriunda de jornalistas ou órgãos de comunicação social preocupa 18,6% dos inquiridos, num quadro em que apenas 7,2% se dizem não preocupados com desinformação vinda de alguma fonte”, refere.

Neste contexto, o papel atribuído pelo público aos media locais e regionais surpreendeu os investigadores. Refere o documento que “apesar de ligeiramente menos interessados em notícias locais/regionais do que em notícias em geral, quase metade dos portugueses declara-se interessada em notícias de proximidade (47,9%). Dos inquiridos em Portugal, 62,7% consultaram algum órgão de comunicação social na semana anterior, sendo de salientar a relação face a outras fontes: 53,8% dizem ter utilizado fontes oficiais, grupos locais ou comunicação pessoal para se informar sobre notícias a nível local”.

Neste sentido, o papel das redes sociais é preponderante, “com um terço dos inquiridos a declarar ter usado plataformas de sociabilidade digital como fonte de notícias locais na semana anterior”. Acrescentando que “a proporção de inquiridos que utilizou jornais locais é de 43,3%, com apenas 16,2% a utilizar canais de televisão local (projetos online ou cabo) e 19,7% estações de rádio”.

“É importante salientar que o ecossistema radiofónico regional é francamente maior e mais diverso que o televisivo, tendo, portanto, a rádio uma consolidação histórica, a nível local e regional, que não se verifica historicamente no campo da televisão dadas as limitações legislativas”, reflete.

Para os investigadores, “a imprensa local tem um papel subestimado no quotidiano
informativo dos portugueses”.

O consumo de podcasts e vídeos tem vindo a aumentar, nomeadamente entre a camada jovem. A televisão é a principal fonte de informação noticiosa para 55,8% da população, mas observa-se uma centralização cada vez maior da Internet e das redes sociais, em detrimento da rádio e da imprensa.

“Em termos gerais, o acesso a notícias online em Portugal é feito de forma indireta: em 2020, praticamente 8 em cada 10 acessos a notícias digitais é feito de outra forma que não o acesso direto a websites ou apps noticiosas, nomeadamente através de motores de busca (25,9% dos acessos) e redes sociais (25,2%). Entre as formas de acesso indireto destacam-se também as notificações móveis (13,3%, +0,9 pp. que em 2019) e os agregadores de notícias (6,2%, mais 2,3 pp. que no ano anterior)”, adianta.

O smartphone é o meio mais usado para obter informação, nomeadamente por 70,4% dos inquiridos, sendo que 91% utiliza alguma rede do universo Facebook.

Os dados destes relatórios foram recolhidos entre janeiro e inícios de fevereiro, pelo que não contemplam o impacto da pandemia de covid-19, embora reflitam sobre a mesma.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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