Portugal Air Summit | Empresa de produção de satélites instala-se em Ponte de Sor

A Magellan Orbital, que reúne a indústria do Espaço e da Defesa, inicia operações com um investimento superior a 30 milhões de euros, mas os parceiros pretendem “acelerar” o crescimento da empresa com mais injeção de capitais.

A empresa Magellan Orbital, que reúne a indústria do Espaço e da Defesa, irá promover o desenvolvimento, integração e operação de constelações de pequenos satélites destinados à observação terrestre. Fonte da empresa Tekever, especializada na produção de drones e uma das entidades fundadoras da empresa Magellan Orbital, explicou que “não está definido” o volume total de investimento, sublinhando que os parceiros partem para este desafio com um conjunto de projetos na área tecnológica, que envolvem mais de 30 milhões de euros.

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A Magellan Orbital vai ser formada pelo Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto (CEiiA), Efacec, Omnidea, Tekever e IdD – Portugal Defence, tendo a cerimónia que assinalou o arranque da empresa decorrido na quinta-feira, 22 de outubro, no segundo dia da cimeira aeronáutica Portugal Air Summit.

Além de ficar sediada em Ponte de Sor, a nova empresa “terá também acesso” às instalações dos seus fundadores em Matosinhos, Évora, Almada e Arruda dos Vinhos.

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Os produtos da Magellan Orbital serão colocados ao serviço de setores como a logística, o turismo, as energias renováveis, a aquacultura, a investigação científica e meteorológica, as agências públicas de segurança e defesa, ambiente e a salvaguarda da vida e dos recursos marítimos, sem descurar o uso deste recurso por parte das Forças Armadas e do dispositivo de Defesa Nacional.

Quarta edição da Portugal Air Summit em Ponte de Sor, com o tema ‘Flying Digital’. Créditos: CMPS

A Magellan Orbital pretende trabalhar em “estreita colaboração” com a indústria e a academia, nomeadamente para “utilizar e potenciar” tecnologias, produtos e serviços oferecidos pelo tecido empresarial português, incorporando-os nos produtos e serviços que oferecerá no mercado internacional.

“Queremos atrair para a Magellan Orbital pessoas que partilhem a nossa visão de que é possível criar, a partir de Portugal, um prime mundial na área do `new space´”, explicou a fonte da empresa Tekever.

E ainda que “a Magellan seja a primeira opção de todos os estudantes de aeroespacial, o motivo pelo qual muitos dos nossos brilhantes engenheiros, que hoje trabalham fora de Portugal, voltem e fiquem”, acrescentou.

O projeto conta com um investimento superior a 30 milhões de euros, mas os parceiros pretendem “acelerar” o crescimento da empresa com mais investimento, quer dos próprios parceiros, quer ao nível dos fundos comunitários, quer ao nível do mercado de capitais.

Quarta edição da Portugal Air Summit em Ponte de Sor, com o tema ‘Flying Digital’. Créditos: CMPS

De acordo com a mesma fonte, o “primeiro grande desafio” da empresa será a montagem de uma “sólida” rede de parceiros industriais, académicos e institucionais, nacionais e internacionais, na qual a empresa espera apoiar para levar a cabo a sua missão.

“Ao nível tecnológico, teremos de conseguir montar uma cadeia de valor eficiente e de elevada qualidade para todos os subsistemas e componentes, por forma podermos competir ao mais alto nível internacional, com preços competitivos”, sublinha.

Da parte da Câmara Municipal de Ponte de Sor, Hugo Hilário garantiu que além de recetivo em relação ao setor do Espaço, o município “está interessadíssimo!” O que fizeram, diz, “foi mais uma vez disponibilizar-nos, e as portas neste momento estão abertas”.

Ponte de Sor “tem um protocolo assinado com a PT Space, vamos efetivar um compromisso de um conjunto de empresas do Espaço que o País está a criar e a sede desse consórcio, desse integrador de empresas, será em Ponte de Sor, e portanto caminhamos a passos assertivos, tendo em conta o nosso propósito de atrair investimento”.

VEJA AQUI O VÍDEO

Ponte de Sor | Quarta edição da Portugal Air Summit. O presidente da Câmara Municipal, Hugo Hilário, fala sobre este evento e sobre a competição universitária europeia de lançamento de rockets.

Publicado por mediotejo.net em Quarta-feira, 21 de outubro de 2020

A fonte da Tekever fez ainda questão de acrescentar que este projeto não se trata de um começo, mas sim “mais um passo” numa estratégia que os seus fundadores estão a levar a cabo “há já mais de cinco anos”, no âmbito da qual deram já “largas provas” a nível individual.

“O grande desafio de médio prazo, será conseguir ter a capacidade de operar eficientemente, e tirar o máximo partido para os nossos clientes, de uma infraestrutura espacial. É um tipo de conhecimento novo, que será absolutamente diferenciador, e para o qual já estamos a trabalhar”, acrescentou a mesma fonte.

Numa nota enviada à Lusa, a Tekever explica ainda que este projeto surge de uma “forte articulação” com a Portugal Space, o Air Centre, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e o Ministério da Defesa Nacional.

*Com Lusa

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Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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