Portugal Air Summit | Aeronaves ligeiras vão ser produzidas em Ponte de Sor

O Aeródromo Municipal de Ponte de Sor vai acolher a produção da primeira aeronave ligeira integralmente feita em Portugal, cujo primeiro protótipo deverá estar concluído em 2023.

O primeiro dia da cimeira “Portugal Air Summit” ficou marcada pelo anúncio da construção de uma nova unidade fabril em Ponte de Sor, resultado de uma parceria entre a empresa brasileira Desaer e o CEiiA – Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto. O anúncio foi feito por Luís Miguel Braga, diretor de Aeronáutica e Defesa do CEiiA, que espera “que em 2026 saia de Ponte de Sor a voar a primeira aeronave portuguesa”.

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O Aeródromo Municipal de Ponte de Sor vai acolher a produção da primeira aeronave ligeira integralmente feita em Portugal, cujo primeiro protótipo deverá estar concluído em 2023, segundo fonte do município. “A parte da industrialização da aeronave será em Ponte de Sor, devido às condições do aeródromo”, disse o presidente da Câmara Municipal, Hugo Hilário, após o encerramento do primeiro dia da cimeira aeronáutica “Portugal Air Summit”, que decorre até sexta-feira naquela cidade alentejana.

A fábrica que vai ser construída no Aeródromo Municipal de Ponte de Sor está integrada no Programa ATL-100, o primeiro programa aeronáutico completo de Portugal e que envolve o CEiiA – Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto e a empresa brasileira DESAER, fundada por antigos quadros da construtora aeronáutica Embraer, também do Brasil.

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O autarca explicou que este projeto vai criar 1.200 postos de trabalho, que serão repartidos pelo centro de engenharia que este programa está a desenvolver no Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia, em Évora, e também numa outra área em Beja.

Quarta edição da Portugal Air Summit em Ponte de Sor, com o tema ‘Flying Digital’. Créditos: DR

“Este projeto vai criar 1.200 postos de trabalho, não todos em Ponte de Sor. O centro de engenharia vai ser em Évora, prevê-se também alguma atividade em Beja no âmbito deste triangulo aeronáutico Ponte de Sor, Évora e Beja, mas desses postos de trabalho, aquilo que eu penso, é que a maior parte vai ser em Ponte de Sor, mas não vou quantificar”, disse.

A informação foi também confirmada pela Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, no seu discurso de encerramento dos trabalhos do primeiro dia da cimeira, esta quarta-feira 21 de outubro, no Centro de Artes e Cultura de Ponte de Sor, referindo ter a expetativa de “estar presente no teste da aeronave em 2023”, sublinhando que a construção da nova unidade “será um sinal de que outras empresas do setor virão para Ponte de Sor”, referiu.

A ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa esteve presente na abertura da quarta edição da Portugal Air Summit em Ponte de Sor, com o tema ‘Flying Digital’. Créditos: DR

A 25 de setembro foi apresentado, em Évora, o primeiro programa aeronáutico completo de Portugal, o ATL-100, que irá desenvolver, fabricar e operar uma nova aeronave ligeira, numa parceria entre o CEiiA – Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto, e a empresa brasileira DESAER. A informação agora tornada pública dá conta de que a parte da produção industrial desta nova empresa será em Ponte de Sor, sendo a parte da engenharia desenvolvida em outras regiões do Alentejo, nomeadamente Évora e Beja.

O programa, que prevê o envolvimento de “mais de 30 empresas e universidades nacionais e internacionais, nomeadamente ligadas aos programas como o MIT”, envolve um investimento global estimado na ordem dos “164 milhões de dólares”, ou seja, à volta de 140 milhões de euros, afirmou o diretor do CEiiA.

Este investimento, “como já está a ter nesta fase inicial”, conta com financiamento de fundos comunitários, nomeadamente através do programa operacional regional Alentejo 2020, “mas a grande fatia” do montante “vai ser assegurada pela DESAER e pelo CEiiA e, numa segunda linha, por investidores”, sobretudo internacionais.

A ATL-100 é uma aeronave “de transporte leve, para operar em pistas com condições não muito exigentes, com um alcance de 1.600 quilómetros”, e que poderá “transportar até 19 passageiros”, mas que “em duas horas pode ser transformada”, passando para carga ou vice-versa, sendo “uma alternativa para zonas menos desenvolvidas do ponto de vista de infraestruturas, em África ou na América do Sul”.

Por seu lado, a ministra da Coesão Territorial sublinhou que Ponte de Sor é o local “provavelmente improvável para a realização do Portugal Air Summit”, felicitando a organização e a autarquia pela coragem e ousadia em realizar este evento, contrariando a pretensa interioridade e demonstrando que, mesmo em tempos de pandemia, é possível concretizar projetos destes com todas as normas de segurança.

Ana Abrunhosa referiu que o concelho de Ponte de Sor sabe combinar setores tradicionais com os de ponta, que geram empregos qualificados, chamando à atenção para a surpresa que foi encontrar em Ponte de Sor os cerca de 100 jovens investigadores que estão a participar no EuRoc– European Rocketry Challenge.

Quarta edição da Portugal Air Summit em Ponte de Sor, com o tema ‘Flying Digital’. Créditos: mediotejo.net

Do programa do primeiro dia da cimeira destaque ainda para o painel que ocupou a manhã com a temática da Aerolítica, focado na discussão da relevância da presidência portuguesa da União Europeia, com a presença do vice-presidente da International Air Transport Association, Rafael Schvartzman, do secretário de Estado para as Comunicações, Hugo Santos Mendes, e do presidente da International Civil Aviation Organization, Salvatore Sciacchitano. Este painel contou também com a presença do presidente da ANAC, Luís Ribeiro, do CEO da ANA Aeroportos, Thierry Ligonnière, do presidente da ANACOM, João Cadete de Matos, e do presidente da NAV Portugal, Manuel Teixeira Rolo.

*Com Lusa

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Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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