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Sábado, Julho 24, 2021

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“Porque se diz Constância, Vila Poema? 30 anos de uma ideia bonita”, por António Matias Coelho

Faz agora 30 anos que apresentei, ao presidente da Câmara de então, António Mendes, a ideia que estaria na origem do que viria a ser o CONSTÂNCIA, VILA POEMA. Muito mais do que um slogan, essa ideia contemplava um verdadeiro projeto de intervenção para a vila de Constância e para o concelho com vista à sua valorização e promoção cultural e turística.

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Transcorrido todo este tempo, faz sentido olhar para trás e ver como, de tímida tentativa, a expressão se identificou com a terra, traduzindo a sua essência e fazendo hoje parte do jeito de nos referirmos a ela. Constância, Vila Poema é um dizer natural.

Em rigor, a ideia assaltou-me a cabeça no segundo semestre de 1989. Foram, contudo, necessários alguns meses de reflexão e de amadurecimento para se chegar à decisão de a assumir e de se proceder ao seu lançamento.

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A primeira vez que veio a público foi através de um texto que publiquei no então recém-criado Boletim Informativo da Câmara Municipal (n.º 2), relativo a março / abril de 1990. Passados 30 anos, vale a pena trazer de novo à luz do dia esse texto primordial, impresso a castanho no velho boletim, porventura esquecido ele mas não a ideia que transportava e punha na rua:

Como se vê, Constância, Vila Poema surgiu como a face de um projeto cultural para Constância, do qual a revitalização da Festa de Nossa Senhora da Boa Viagem (cuja bênção dos barcos contava, então, com não mais de meia dúzia de embarcações e poucas dezenas de pessoas) e as Pomonas Camonianas, lançadas em 1994, são apenas as duas componentes mais conhecidas, mais conseguidas e mais emblemáticas.

Foi também em abril de 1990, faz agora 30 anos, que a Câmara Municipal editou o primeiro desdobrável Constância, Vila Poema que continha, para além de quatro imagens da vila (vista panorâmica, Rua do Arco, Praça com o pelourinho e Monumento a Camões), um mapa do concelho, um esquema de localização dos monumentos na vila e um texto, que seria depois muitas vezes reproduzido e que aqui deixo:

CONSTÂNCIA, VILA POEMA

Neste local de encontro entre Tejo e Zêzere tinha de haver uma vila. E os homens fizeram-na, no desenrolar das gerações: Punhete primeiro; Constância agora.

Vista à distância, a vila é uma trepadeira de casinhas brancas, escalando a colina. Desvendada por dentro, surpreende o visitante a cada esquina, na exuberância das flores, no asseio das ruas e escadarias, na frescura das margens, no calor humano, na alvura da cal, na beleza das coisas simples conservadas com carinho. Constância é um poema.

E é também terra de poetas. A tradição garante que aqui viveu Camões. A Casa dos Arcos está intimamente ligada à sua memória. Vasco de Lima Couto e Alexandre O’Neill estão ainda bem vivos na memória coletiva. Terão tido razões para escolher Constância e legaram-lhe o melhor de si próprios.

Refúgio de poetas e de reis, Constância continua hoje recetiva a quem chega, disposta a oferecer-se aos que buscam a calma, a beleza natural, a riqueza do património, a evasão num ambiente poético.

A natureza transformou este lugar num ponto de encontro. De rios e de homens. Dos que sentem orgulho em viver aqui e dos que descobrem o prazer de a vir desfrutar. 

Neste local tinha de haver uma vila. E os homens fizeram-na: Constância, Vila Poema.

Abril 1990

O rosto desse folheto reproduzia o primeiro logotipo criado para afirmar a imagem de Constância, Vila Poema, composto essencialmente pelo perfil da vila, o desenho do encontro dos rios, inspirado na heráldica, e a pena cruzando o conjunto, representativa da poesia. É esse logotipo que está reproduzido na imagem de abertura desta crónica. Para a sua composição estética contei com a prestimosa colaboração do arquiteto Pedro Nogueira que então trabalhava na Câmara Municipal.

Durante seis anos essa imagem foi o rosto da ideia Constância, Vila Poema, sendo inúmeras vezes reproduzida pelos jornais, revistas e outros meios de comunicação escrita, enquanto o slogan era reproduzido nas rádios, quer locais quer nacionais, sempre que se referiam a Constância. Constância, Vila Poema entrou na linguagem corrente, passou a dizer-se com naturalidade.

Em 1996 procedeu-se a uma reformulação da imagem, mantendo-se os três elementos essenciais (o casario, o encontro dos rios e a pena), mas apresentando-os de forma mais estilizada.

 

O novo logotipo foi lançado por ocasião das Festas do Concelho desse ano, acompanhado de um texto explicativo, publicado no boletim municipal n.º 37, em que se historiava a evolução da ideia Constância, Vila Poema até então e se dizia que, passados esses seis anos, se tinha tornado «necessário modernizar a imagem, renovando-a e adaptando-a aos novos tempos e a outros conceitos estéticos para que a sua força não se perca, antes se consolide».

Nova imagem seria adotada em 2007, ainda na presidência de António Mendes, sempre na perspetiva de modernizar, simplificar e criar maior impacto.

 

Desta vez privilegiou-se, como mensagem complementar, o passado marítimo da vila que foi, durante séculos, um dos mais importantes e movimentados portos fluviais do médio Tejo. A nova imagem, que se passou a assumir como logotipo do próprio município, apresentava a silhueta de um varino (ou barco de água acima, como também se chamava), a embarcação típica de transporte durante tanto tempo aqui utilizada.

O logotipo atual, o quarto a ser criado, foi adotado em 2017, sendo presidente da Câmara Júlia Amorim.

Privilegia a relação de Constância com a memória de Camões, apostando na sugestão do movimento e na força da cor vermelha. Para além da figura do épico, estão presentes as romãs da heráldica do concelho, o ondulado das águas e as proas dos varinos. Como se afirmava no texto de apresentação do novo logotipo, publicado no Boletim Informativo n.º 156, a imagem «tomou novas formas, mas não perdeu a sua essência: os rios, a vila, a poesia e as pessoas».

Decorridos 30 anos sobre o nascimento da ideia, Constância, Vila Poema passou a integrar a linguagem do quotidiano e tornou-se referência da própria vila. Vila Poema chega a substituir o nome Constância na linguagem jornalística. A vila sem dúvida beneficiou com ela e o concelho também. Há até já apropriações da expressão em termos empresariais e de produtos. Constância, Vila Poema – cuja paternidade, naturalmente, muito me honra – é, pois, uma ideia com força, e com força prosseguirá no futuro.

É ribatejano. De Salvaterra, onde nasceu e cresceu. Da Chamusca onde foi professor de História durante mais de 30 anos. Da Golegã, onde vive há quase outros tantos. E de Constância, a que vem dedicando, há não menos tempo, a sua atenção e o seu trabalho, nas áreas da história, da cultura, do património, do turismo, da memória de Camões, da comunicação, da divulgação, da promoção. É o criador do epíteto Constância, Vila Poema, lançado em 1990 e que o tempo consagrou.
Escreve no mediotejo.net na primeira quarta-feira de cada mês.

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