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Quinta-feira, Agosto 5, 2021

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“PORQUÊ?”, por Armando Rebelo

Hoje sinto interrogar-me sobre a sorte de estar vivo.

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Estive na década de 90 em Paris e assisti no Bataclan a um extraordinário concerto, com sala cheia de Portugueses Franceses e outras Gentes, do nosso grande Pedro Barroso. Ao sair, tive a sorte de estar vivo com a alma cheia de Amizade, Igualdade e Fraternidade, naquele País de Voltaire e Rousseau.

Na passada sexta-feira 13 poderia ter ocorrido eu ter regressado ao Bataclan. Não foi assim e por isso considero-me um homem de sorte.

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E regresso aos meus porquês? A Humanidade ao longo da sua história tem massacrado milhões e milhões de vítimas inocentes em nome de radicalismos, cujo fim é o poder absoluto. Poder que, para todos sem exceção, é sempre efémero.

Voltámos à baixa Idade Média, por exemplo, onde somos infiéis que se devem abater como simples pulgas ou percevejos.

A França, onde conheci gentes que me marcaram, como Satre, Beauvois, Vieira da Silva, entre outros, e onde passei pelos Caveaux de Monparnasse, ouvindo jazz com Duke Ellington e pelo Quartier Latin, onde na década de 60 conheci o bondoso e humilde professor Henrique Barrilaro Ruas, após a sua formação na mítica Sorbonne.

Porquê? Agora, jovens que têm também um coração, assassinaram mais de uma centena de outros jovens irmãos, em nome de uma Barbárie?

O mundo inteiro chocado pára, olha e escuta, porquê? Assumir medidas drásticas e urgentes, claro, mas o que adiantará quando uma educação mecânica transforma por hipnose cérebros de gente igual a nós, porquê? Nesta hora de reflexão e de porquês, onde a globalização é um bem, mas talvez mal inestimável, nós somos apenas e dramaticamente seres a abater em nome de um porquê incógnito.

Teremos culpas? Decerto muitas, mas a mais importante coisa que nos sustenta é a razão de morrermos por uma causa que se chama “Demos e Kratos” que se poderá traduzir do grego em “poder e governo” e que nasceu no século V a.C. em Atenas e onde Platão e Aristóteles a defendiam como sendo a única forma de viver em estável convivência.

Neste momento de choque em que o mundo se encontra, após o 11 de Setembro e agora o 13 de Novembro e outras tantas sinistras datas, onde o homem se nega a si próprio. Porquê?

Juntemo-nos em qualquer Bastilha e repensemos todos, no porquê. Todos somos homens e mulheres, apenas com uma vida na qual acreditamos ser possível vivermos com toda a dignidade de direitos inalienáveis.

Nasceu em Tomar em 1945. Jornalista reformado, colaborou com diversos órgãos de comunicação social regionais e nacionais, onde foi repórter, redator gráfico, bem como locutor e realizador de TV no Canadá.

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