Ponte de Sor | Portugal quer lançar 16 satélites nos próximos dois anos – ministro da Ciência

No primeiro dia da Portugal Air Summit, em Ponte de Sor, o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior defendeu que os satélites podem contribuir para o desenvolvimento da economia de uma forma mais sustentável, recorrendo a novos métodos de observação do planeta. Durante a conferência ‘Planeta Digital: oportunidades, empregos e negócios relacionados com o planeta e observação da Terra’, Manuel Heitor disse que as doenças zoonóticas – como a covid-19 – decorrem da “pressão crescente” da atividade humana e tal exige “um novo equilíbrio” entre a economia e o planeta. E é neste contexto que os satélites podem fazer a diferença.

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Na abertura da 4.ª edição do Portugal Air Summit, que teve lugar na quarta-feira, o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, sublinhou a importância do Planeta Digital relacionado com “a capacidade que devemos desenvolver, de olhar para o Planeta Terra através do Espaço sobretudo usando satélites a baixa altitude – de 500 a 800 quilómetros”.

Em Portugal, nos próximos dois anos “estamos a tentar lançar 16 satélites” através do Centro de Investigação Internacional do Atlântico (AIR Centre) avança o ministro.

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Lembrou que “Portugal nos últimos anos lançou uma estratégia espacial sempre baseada nas pessoas e nas competências que conseguimos com criatividade, imaginação e na abertura à cooperação internacional, ao acesso a novas formas de conhecimento onde temos capacidade de crescer mas sempre com humildade e ambição”.

Através de videoconferência, Manuel Heitor abriu a palestra ‘Planeta Digital: oportunidades, empregos e negócios relacionados com o planeta e observação da Terra’, na Portugal Air Summit, onde abordou diversos desafios económicos e sociais, designadamente em cenário de pandemia, que também passam pela ação climática.

Sobre os satélites, o governante explicou serem “cada vez mais reduzidos mas com mais capacidade em termos de resolução espacial e temporal. Podem dar informação não apenas quantitativa mas cada vez mais qualitativa sobretudo quando integram diferentes tipos de sensores, de informação, em diferentes tipos de comprimento e onda”. E essas informações podem ser, por exemplo “em termos de temperatura e de humidade”.

Com essas imagens de alta resolução espacial e temporal, referindo-se Manuel Heitor a resoluções “à escala dos centímetros”, pode ser construída “uma imagem digital do planeta integrada com sistemas avançados de informação para variadas aplicações desde a agricultura, ao cadastro do território, à mobilidade ou à segurança”.

Quarta edição da Portugal Air Summit em Ponte de Sor, com o tema ‘Flying Digital’. Créditos: CMPS

O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior defende que articular as imagens de satélites com sensores e outra informação contribuirá “para a qualidade de vida que contribui também para o desenvolvimento social e económico de uma forma sustentável”.

Manuel Heitor falou em três principais desafios, linhas de ação apresentadas pela OCDE, pela União Europeia e outros relatórios de diagnostico internacional, que se prendem com “a necessidade de mais e novo conhecimento, a necessidade intrínseca de reunir diferentes instituições no contexto de inovação institucional” para cruzamento de informação de forma integrada e “recorrendo a novos métodos de observação”, com o objetivo de aumentar a qualidade de vida dos cidadãos.

A relevância destas três linhas de ação aumentam, segundo o governante, “nestes tempos inéditos”, falando da crise sanitária. “A evidência científica nos últimos seis meses tem mostrado que a covid-19 insere-se no contexto das doenças zoonóticas, que começam nos animais e transitaram para os Homens. A evidência científica tende a mostrar que tem havido um aumento crescente dessas doenças particularmente associadas a uma pressão crescente da atividade humana, económica, no planeta Terra, e um desequilibro dessa atividade”.

Manuel Heitor disse estarmos a enfrentar “uma nova era geológica” que exige “um novo equilíbrio entre a nossa atividade económica à escala do planeta e o desenvolvimento sustentável” para o qual pode contribuir a observação da Terra através de “satélites bem posicionados”, defende.

Para o ministro importa perceber “as raízes desta pandemia em estreita articulação com a ação climática e as oportunidades inéditas de digitalização das nossas sociedades e economias”. Para que os satélites possam dar informação “temos de ter mais e melhores satélites” sublinhou sem descurar a importância “do tempo de vida” dos mesmos podendo ter um tempo de vida útil entre dois, cinco e dez anos, transformando-se depois em “lixo espacial” a ser retirado do Espaço.

Além disso, segundo Manuel Heitor, Portugal quer “posicionar-se na próxima década como uma país que atrai talento, faz mais e melhor e que não tem limites para a forma de abordarmos o conhecimento. Somos humildes em sabermos que sabemos pouco mas de uma extraordinária ambição” referiu reconhecendo que “hoje não temos a resposta para o desenvolvimento sustentável do planeta” mas insistindo que os pequenos satélites poderão assumir um papel determinante.

Quarta edição da Portugal Air Summit em Ponte de Sor, com o tema ‘Flying Digital’. Painel que debate o Planeta Digital. Créditos: mediotejo.net

A concluir deixou votos de que a Ciência seja “um fator de coesão social e de equidade” que “transforme a Europa no melhor continente do mundo, com mais resiliência. A pandemia mostrou a situação frágil em que a Europa estava neste momento […] precisamos de uma Europa mais social. Vivemos num contexto em Portugal e no mundo, onde coexistem desigualdades sociais de uma forma crescente”, notou.

Sobre a cimeira referiu que “o que se passou nos últimos quatro anos em Ponte de Sor é particularmente relevante” deixando uma palavra de “reconhecimento” daquilo que o Município de Ponte de Sor tem feito.

“Conseguiu efetivamente atrair empresas e lançar Portugal num contexto internacional quer através de uma feira na área aeroespacial mas a partir deste ano com a primeira competição europeia para jovens na área dos foguetões”, uma “forma de atrair novas ambições, sobretudo na área do Espaço”.

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Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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