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Domingo, Novembro 28, 2021

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Ponte de Sor | Portugal Air Summit’21 com “feedback muito positivo”, diz Hugo Hilário

O programa de conferências do Portugal Air Summit’21 foi concluído esta sexta-feira 15 de outubro. Pelos auditórios do evento passaram mais de 200 oradores em 47 conferências que discutiram os temas do momento na indústria aeronáutica, aviação, defesa e espaço. O presidente da Câmara, Hugo Hilário, falou ao mediotejo.net dando conta de um balanço positivo do evento, de mais quatro empresas e 250 postos de trabalhos dentro de 6 meses a um ano no Aeródromo de Ponte de Sor, da candidatura ao PRR, no sentido de reabilitar a antiga Delphi para a instalação do Centro Empresarial e Tecnológico, da importância da ligação à A23, da reunião agendada com o ministro Pedro Nuno Santos para falar no IC9, e ainda de como o EuRoc veio para ficar no concelho.

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A ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa e o presidente da CCDR Alentejo, António Ceia da Silva, visitaram todo o espaço onde decorre esta cimeira e participaram na sessão de encerramento, realçando e reforçando a importância deste evento na forma como alavanca o território.

A ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa e o presidente da CCDR Alentejo, António Ceia da Silva, visitaram todo o espaço onde decorre esta cimeira. Créditos: CMPS

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Um dos momentos da tarde foi o painel sob a temática “Investir no Alentejo – Pilares de uma estratégia conjunta de atração de investimento para a região” no qual participou o presidente da Câmara Municipal de Ponte de Sor, Hugo Hilário, e no qual lamentou que Ponte de Sor ainda não tenha conseguido conquistar, para o cluster aeronáutico, o setor de transporte aéreo de carga.

Já no final do último dia de conferências, Hugo Hilário falou com o jornal mediotejo.net em jeito de balanço, considerado “positivo”, antes de entrar nos dois dias dedicados aos eventos lúdicos. E esclareceu que o foco do presidente da Câmara está na “criação de riqueza” para o território e “isso só se consegue através de investimento”.

Um dos momentos da tarde foi o painel sob a temática “Investir no Alentejo – Pilares de uma estratégia conjunta de atração de investimento para a região” no qual participou o presidente da Câmara Municipal de Ponte de Sor, Hugo Hilário. Créditos: mediotejo.net

“Esta pandemia não nos tirou a ambição e acho que não tirou a ambição ao País”, disse o presidente da Câmara de Ponte de Sor durante a sessão de encerramento das conferências.

Neste setor em particular Hugo Hilário deu conta dos três novos hangares construídos no Aeródromo Municipal de Ponte de Sor que darão oportunidade de serem sediadas no concelho mais quatro empresas do setor nas áreas de manutenção de aeronaves, “um setor que até agora não investia no Aeródromo de Ponte de Sor, aeronaves de grandes dimensões”, na formação de mecânicos aeronáuticos, na produção de componentes de aviões e “a finalidade principal, a criação de emprego qualificado e especializado”, detalhou.

Ao nosso jornal Hugo Hilário especificou tratar-se da “terceira fase da ampliação” do Centro de Acolhimento Empresarial do Aeródromo Municipal. “Estamos em fase de conclusão. Dois hangares já estão concluídos e um está em execução. Já lançámos os concursos, são investimentos que estão a ser realizados para podermos disponibilizar a empresas do setor aeronáutico; avião e aeroespacial, na senda daquela que foi a estratégia de construção do Aeródromo Municipal” de Ponte de Sor.

De acordo com Hugo Hilário, os espaços estão prestes a ser adjudicados às empresas que ganharão o concurso. Adianta ainda que “nos próximos 6 meses a um ano essas empresas, segundo as propostas que apresentaram, de acordo com os critérios do concurso concertados com a estratégia inteligente de desenvolvimento do cluster aeronáutico do Alentejo [que envolve Ponte de Sor, Évora e Beja] implica a criação direta de 250 postos de trabalho de inicio”.

Portanto, conclui, “uma realidade diferente” tendo em conta que o Aeródromo Municipal de Ponte de Sor em cerca de 8 anos deu a capacidade de criação de 280 postos de trabalho. Para Hugo Hilário “é a continuidade de um esforço, de um trabalho, que este Portugal Air Summit foi um instrumento capaz e diferenciador naquele que é o propósito da promoção deste nosso investimento”.

Hugo Hilário, presidente da Câmara de Ponte de Sor. Foto: mediotejo.net

Falando sobre o valor previsto no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para o território do Alto Alentejo, designadamente para Ponte de Sor, Hugo Hilário não avançou com um número para o território mas lembrou que o PRR cabimentou uma rubrica no valor de 110 milhões de euros para Centros de Acolhimento Empresariais para o País. “Claro que serão muitos no País a concorrer, nós já concorremos, o Alentejo também já concorreu” e os Centro de Acolhimento Empresariais da Aeronáutica “também podem concorrer”, vincou.

Relativamente aos apoios às empresas “também as da aeronáutica, quer de Ponte de Sor quer do resto do Alentejo, tenho conhecimento que muitas delas já apresentaram candidaturas no âmbito do PRR para o desenvolvimento da sua atividade para a recuperação das suas empresas e principalmente para a inovação”.

Hugo Hilário sublinha que “esse instrumento já é hoje uma realidade, há várias candidaturas apresentadas, avisos no terreno e decisões que vão ser tomadas nos próximos dias” defendendo que o PRR, “como instrumento diferenciador”, que deve ser promovido e divulgado, admitindo, no entanto, “que pode não ser a leitura transversal”.

OIÇA AQUI A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA com HUGO HILÁRIO

Também presente no Portugal Air Summit, o presidente da CCDRA, António Ceia da Silva, durante a sua intervenção, esta sexta-feira, deu conta da criação de um Centro de Negócios Aeronáutico e de um Parque de Ciência e Tecnologia em Ponte de Sor. Questionado Hugo Hilário esclareceu tratar-se do futuro Centro Empresarial e Tecnológico que irá nascer nas antigas instalações da Delphi, num investimento de 9 milhões de euros.

Este novo equipamento acolherá, entre outras valências, o integrador nacional de empresas aeroespaciais, e nasce para dar resposta às várias manifestações de interesse de investidores em fixarem-se no concelho, sendo também polo agregador dos setores de aeronáutica que têm vindo a dinamizar a economia e tecido empresarial de Ponte de Sor e da região. Além disso, assenta na formação e capacitação, bem como na dimensão social e comunitária, albergando um espaço de memória e um polo aberto ao público com jardins e restauração.

António Ceia da Silva no encerramento do programa de conferências do Portugal Air Summit’21. Créditos: mediotejo,.net

“É a continuidade da nossa estratégia de desenvolvimento regional tendo em consideração que deve ser feita com a atração de investimento e a criação de postos de trabalho. Temos umas instalações de uma infraestrutura onde esteve a maior entidade empregadora do distrito [Portalegre] há algumas décadas, apresentámo-la a muitos investidores, não resolvemos o assunto e um dia decidimos avançar para a aquisição. Temos um projeto que já apresentámos também ao PRR para a sua reabilitação”, explica o autarca.

As obras, Hugo Hilário prevê que arranquem no primeiro semestre de 2022, contudo nota “muito complicada” realidade atual da construção civil em Portugal. Além disso, aponta os condicionalismos impostos pelas regras da contratação pública. Garante, no entanto, que o executivo municipal “temos tudo preparado até final do ano para lançar o concurso”.

Nas declarações ao mediotejo.net, o presidente confirmou ter “sensibilizado” o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, para o problema das acessibilidades, logo no primeiro dia do Portugal Air Summit, nomeadamente sobre o prolongamento do IC9 e da ligação de Ponte de Sor à A23 bem como a ligação rodoviária do IC13.

Defende, no entanto, que a falta de acessibilidades rodoviárias não impedem o investimento. Em Ponte de Sor “demos o exemplo que pode haver investimento, criação de riqueza, setores inovadores, de alta tecnologia etc sem autoestradas”. Apesar disso, o executivo municipal sente-se agora “mais legitimado para reclamar essas autoestradas ou melhores acessibilidades”, o IC19 considerando, o presidente, que a ligação de Ponte de Sor à A23 “é imprescindível” e encontra-se inscrita no Plano Nacional de Infraestruturas 20/30. “Uma das conversas que tive com o senhor ministro e já está agendado para continuar a ter”, adiantou.

Sobre a presença de vários ministros e outros governantes da República na quinta edição do Portugal Air Summit, Hugo Hilário considera significar “reconhecimento” da importância do evento e lamenta que a comunicação social noticie a presença de ministros mas “quando se entrevista os governantes nestes sítios nem sequer lhes fazem perguntas sobre o evento”, critica.

Diz constatar com “felicidade” que “o feedback do evento este ano tem sido muito positivo”. Justifica tal com várias razões, designadamente porque “as entidades, as empresas, as instituições, nós próprios estamos ávidos desta retoma, quer do contacto social quer da negociação, da conversação de expor as nossas ideias. E depois as empresas estão necessitadas de poder desamarrar destes últimos tempos que inesperadamente tivemos de combater”, afirmou, referindo-se à pandemia de covid-19.

Paddock do EuRoC, base logística das equipas concorrentes no Aeródromo Municipal de Ponte de Sor. Créditos: mediotejo.net

Hugo Hilário falou ainda sobre o EuRoc, que disse ser “a continuidade daquilo que é o reconhecimento pela organização dos eventos e pela dinâmica que temos desenvolvido em Ponte de Sor”. Conta que existia uma prova única nos Estados Unidos da América com as melhores universidades de todo o mundo e que por força da pandemia aquele país, em 2020, recusou organizar. “Uma universidade dinamarquesa desafiou a Agência Espacial Europeia para replicar a competição na Europa” que por sua vez desafiou a Agência Espacial Portuguesa que aceitou o desafio, propondo decorrer em Ponte de Sor, durante o Portugal Air Summit.

Este ano são 19 equipas de estudantes universitários, de 13 países europeus, num total de 400 alunos, envolvidas no European Rocketry Challenge que está a decorrer em Ponte de Sor e no Campo Militar de Santa Margarida, no concelho de Constância.

Trata-se da 2.ª edição da competição de lançamento de foguetes universitários na Europa, promovida pela Agência Espacial Portuguesa – Portugal Space, com o objetivo de estimular os alunos de engenharia a projetarem, construírem e lançarem os seus próprios ‘rockets’ a partir do Campo Militar de Santa Margarida.

“Esta é uma parceria muito estreita e muito positiva, que nos dá um orgulho imenso com o Ministério da Ciência e Ensino Superior e com a Agência Espacial Portuguesa. Não foi difícil conquistar isto porque nos apareceu na mão, mas quando hoje somos um polo atrativo para este tipo de investimentos as coisas acabem porque dinâmica atrai dinâmica e foi isso que aconteceu. Não vamos deixar fugir o EuRoc das nossas mãos”, garantiu.

A ministra Ana Abrunhosa no encerramento do programa de conferências do Portugal Air Summit’21. Créditos: CMPS

O encerramento do programa de conferências do Portugal Air Summit’21 contou também com a presença da ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, que defendeu a importância de “valorizar aquilo que os nossas territórios têm” bem como uma instância diária e “não desistir”. Nesse trabalho, segundo Ana Abrunhosa importa também “fazer pontes, do Município com a comunidade, a CCDR, empresas, instituições e ensino superior”, disse notando que Ponte de Sor “conseguiu”.

Sublinhou igualmente que os fundos comunitários “para sermos parceiros daqueles que trabalham todos os dias com as gentes” e têm “um fim público, porque se for outro temos de mudar de vida”, criticou.

Para a ministra da Coesão Territorial, Ponte de Sor “ensina que os maiores dos sucessos são possíveis mesmo nos territórios mais distantes dos grandes centros urbanos. Só os que ignoram o que se passa no interior é que podem ser fatalistas”, afirmou.

Declarou igualmente que “as capitais não são onde estão os ministros mas onde existe estratégia” para “criar condições”, designadamente para o conhecimento e tecnologia. “Hoje o interior é capital”, concluiu.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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