Sexta-feira, Fevereiro 26, 2021
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Ponte de Sor | “O Arranca Corações” de Boris Vian esta noite no Teatro-Cinema

A adaptação teatral do romance “O Arranca Corações” de Boris Vian com música original de Nico Tricot, a partir do universo poético e musical do autor, sobe ao palco do Teatro-Cinema de Ponte de Sor esta sexta-feira, 1 de março, às 21h30.

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Nuno Nunes adapta o romance de Boris Vian ao teatro, procurando refletir aquilo que nos nossos dias identificamos como absurdo, brutal e excessivo e a que respondemos, na maioria das vezes, com indolência. Um espetáculo com música ao vivo, sobre a lucidez e contra a indiferença.

Tiagomorto, psicanalista, é um homem sem passado que chega a uma casa onde Clémentine está prestes a dar à luz. Ajuda-a no parto de trigémeos e, a partir dali, torna-se hóspede daquela casa. Procurará à sua volta pessoas para psicanalisar e, desta forma, preencher o seu corpo duma matéria de vida que não tem, feita das memórias e do sofrimento dos outros. A aldeia é o microcosmos dum mundo às avessas.

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Este romance inquietante de 1953, como retrato anamórfico da realidade, testemunha a nossa eterna perplexidade perante a humanidade. Reflete um universo no limiar do inconsciente, feito de pulsões e de vertigem: é Boris Vian musical e irreverente, com o coração a saltar-lhe da boca, a falar-nos através dum homem sem paixões que precisa de assimilar a experiência dos outros para sentir-se existir.

É suspense, ficção científica e onirismo negro; são os ecos de Jarry e de Arrabal, as marcas das grandes Guerras, a herança do futurismo e a emergência do absurdo; é ironia; é o amor que oprime; é a pergunta por Deus.

E é o espelho de nós próprios, hoje, a viver no limiar do entendimento, a violência misturada nos nossos gestos ternos, a lavagem da nossa culpa e a eminência do esquecimento.

Uma peça para maiores de 14 anos.

Ficha Técnica:
Dramaturgia e Encenação Nuno Nunes Conceção plástica Patrícia Raposo Desenho de luz Cristóvão Cunha Música e Desenho de som Nico Tricot Interpretação Ana Brandão, Emanuel Arada, Hugo Sovelas, Miguel Damião e Sofia Dias Produção executiva Diana Almeida Parcerias O Espaço do Tempo, Teatro O Bando, Act – Escola de Actores, Teatro da Terra, Primeiros Sintomas e Chão de Oliva Coprodução Propositário Azul, FITEI e São Luiz Teatro Municipal Espetáculo financiado pela República Portuguesa – Ministério da Cultura – Direção Geral das Artes.

 

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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