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Domingo, Setembro 19, 2021

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Ponte de Sor | Museu de Galveias mostra espólio da família Marques Ratão

O Núcleo Museológico de Galveias (Ponte de Sor) reabriu ao público com a exposição permanente de espólio do Prédio da Avenida da Liberdade, em Lisboa, da família Marques Ratão, naquele que pretende ser um espaço de preservação da memória cultural da freguesia.

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No piso térreo encontramos uma área dedicado aos vestígios de Galveias, das origens à elevação da vila foral, outro dedicado aos autores/escritores da freguesia e ainda lugar para antigas profissões, artes e ofícios de Galveias e atividades desaparecidas, nomeadamente uma enfardadeira manual em madeira que, antes da chegada da maquinaria, ajudava a fazer fardos de palha, ou peças de um latoeiro local.

No primeiro piso o espólio do prédio da Avenida da Liberdade, da família Marques Ratão, hoje propriedade da Junta de Freguesia de Galveias devido à herança do Comendador José Godinho de Campos Marques.

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José Godinho de Campos Marques, falecido em junho de 1967, com 80 anos, foi o último elemento da família Marques Ratão e a sua herança resultava precisamente da casa agrícola da família. Naturais de Galveias, seus pais, Manuel Marques Ratão e Maria Clementina Godinho de Campos, tiveram cinco filhos, dois deles faleceram jovens sem descendência, e os restantes, apesar de falecerem no inverno da vida, também não deixaram descendentes.

Galveias, no concelho de Ponte de Sor. Núcleo Museológico de Galveias. Créditos: mediotejo.net

Após a morte dos pais, o vasto património foi dividido pelos três irmãos. Ana de Jesus Godinho de Campos Marques entendeu, ainda em vida, criar uma fundação com o nome da mãe, a Fundação Maria Clementina Godinho de Campos, com o objetivo de prestar apoio social à comunidade, à qual deixou a sua parte da herança, gerida pela Arquidiocese de Évora. Os outros dois terços – que couberam a Manuel Marques Ratão Júnior e a José Godinho de Campos Marques – foram deixados à Junta de Freguesia, por morte do último através de um documento que dividiu a herança.

O doador expressou a sua vontade para que os responsáveis pela administração (a Junta de Freguesia) não se desvinculassem da 7ª disposição do testamento, desta forma: “E por isso, quer que todos aqueles a administrar os bens e direitos que deixa à Freguesia de Galveias, jamais descurem o engrandecimento da vila, onde encaminhou os primeiros passos dotando-a de tudo o que for necessário e útil para o conforto dos seus habitantes e, para recreio e enlevo dos que a visitem. Recordando-lhes, pois, que administrem de olhos postos no bem-estar da coletividade, servindo sempre as mais nobres e legítimas aspirações da mesma com altruísmo e dedicação”.

Ora no primeiro piso, a mostra revela o mobiliário, obras de arte e peças pessoais dos habitantes daquela casa na Avenida da Liberdade, em Lisboa. Desde o escritório à sala de estar, passando pela sala de jantar, e os quartos onde se pode observar alguns dos pertencer de Ana de Jesus Godinho de Campos Marques e do Comendador José Godinho de Campos Marques. O Núcleo Museológico tentou recriar a casa de Lisboa, com a mesma disposição dos objetos e até fotografando os frescos dos tetos para uma compreensão mais detalhada.

O Núcleo Museológico de Galveias foi inaugurado a 21 dezembro de 2019. Nasceu no espaço de uma antiga oficina, mostra, então, peças e elementos históricos do período da fundação da Freguesia, já com alguns elementos da modernidade. No dia 4 de abril de 2020 contava-se inaugurar a exposição permanente com espólio da família Marques Ratão, composta essencialmente por objetos da casa de Lisboa. Mas entretanto, chegou a pandemia de covid-19 e a mostra foi adiada. O espólio pode ser agora visitado.

Para visitar, é obrigatório o agendamento, através do nº 242 010 284, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00, de terça-feira a sábado.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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