Ponte de Sor | Hugo Hilário: “É nas adversidades que surgem oportunidades para nos reinventarmos”

O presidente da Câmara Municipal de Ponte de Sor no Air Summit de 2019, cimeira internacional de aeronáutica que nos últimos anos veio revitalizar esta região do interior do país. Fotografia: mediotejo.net

A cimeira Portugal Air Summit voltará este ano a reunir as entidades mais relevantes da indústria aeronáutica para debater o potencial e futuro deste setor, embora num formato diferente, devido à pandemia de covid-19. Sob o lema ‘Flying Digital’, a Portugal Air Summit 2020 decorrerá de 21 a 23 de outubro, adotando um modelo híbrido, com alguns eventos presenciais mas apostando nas emissões via internet e televisão por cabo. Ficam cancelados os espetáculos aéreos e a área de exposições empresarial e o local da cimeira também será diferente, transferindo-se do habitual Aeródromo Municipal de Ponte de Sor para o Centro de Artes e Cultura da cidade. Criada em 2017, a cimeira é já considerada a maioria da Península Ibérica e uma das maiores da Europa – pretexto para uma conversa com o presidente do município, Hugo Hilário.

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Como vai realizar-se este ano o Portugal Air Summit em Ponte de Sor, tendo em conta as restrições causadas pela pandemia?

Este ano tivemos de nos adaptar à atual conjuntura. Estávamos a preparar um evento que seria ainda maior e melhor do que os anteriores. Teríamos, por exemplo, uma presença internacional ainda maior, maior presença dos grandes nomes da indústria, grandes oradores, maior presença de aeronaves de maior porte, tanto na exposição estática, como em demonstrações aéreas, uma presença mais vincada da nossa Força Aérea Portuguesa, com quem já tínhamos acordado… enfim, daríamos com certeza mais um salto qualitativo e quantitativo e seria, uma vez mais, a afirmação do Portugal Air Summit como um dos maiores eventos aeronáuticos da Europa.

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“estamos todos focados em repor, com a celeridade possível, a dinâmica económica que este setor vinha a oferecer nos últimos anos ao país e ao mundo”

Infelizmente tivemos que repensar tudo. Podíamos simplesmente ter cancelado ou adiado para 2021. Mas entendemos que, nas adversidades, por vezes, surgem oportunidades para nos reinventarmos e fazermos diferente. Além disso, queríamos continuar a marcar a agenda anual e, na atualidade, se há setor em Portugal e no mundo que necessita de um momento de reflexão e de perspetiva sobre o futuro, é este. Como tal, resolvemos preparar um evento digital híbrido, entre um fórum completamente digital e um evento presencial. Não teremos a componente de feira e exposições empresariais, não teremos demonstrações nem acrobacias aéreas, nem a presença física de público em geral. O local do evento também vai ser diferente. Por uma questão de acessibilidade e de condições operacionais instaladas, ao invés do Aeródromo Municipal decidimos que este ano seria o Centro de Artes e Cultura de Ponte de Sor o palco do Portugal Air Summit 2020. Assim, vamos criar condições para instalar um evento multimédia interativo, onde teremos participação presencial de convidados do setor e assistência e participação online e na televisão do público em geral.

Em traços gerais, posso dizer que será como uma emissão televisiva, que conta com equipa de produção, de realização, pós-edição, uma plataforma criada para a transmissão de conteúdos, um canal numa operadora de TV cabo e um painel de comentadores permanente.De realçar que o tema deste ano, que já estava escolhido antes da pandemia, é “Flying Digital”. Ora, nada mais adequado nos tempos que correm em que, mais do que nunca, o digital ganhou ainda mais importância nas nossas vidas. E, neste setor, trata-se de uma discussão interminável e com potencial difícil de prever. 

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Por último, o grande objetivo este ano é fortalecer o espírito de  coesão do setor a nível nacional e internacional, viabilizando a discussão e formação em vários níveis e formatos, recebendo, uma vez mais, de forma diferente, os nossos parceiros, stakeholders e players do setor e convidados, de forma inovadora e diferenciadora. Mostrar que estamos todos focados em repor, com a celeridade possível, a dinâmica económica que este setor vinha a oferecer nos últimos anos ao país e ao mundo.

Portugal Air Summit 2019, em Ponte de Sor. Fotografia: Jorge Santiago/David Pereira/mediotejo.net

Criada em 2017, a Portugal Air Summit tem como objetivo principal congregar e dinamizar a indústria em 4 áreas – aviação, espaço, defesa e aeronáutica. Nas três primeiras edições da cimeira, hoje considerada uma das maiores da Europa, participaram mais de 150 oradores e 50 mil visitantes, realizaram-se cerca de 500 reuniões e fizeram-se mais de 2500 contactos, dos quais 10% foram convertidos em negócios. Mais do que uma cimeira assume-se como um ponto de encontro dos stakeholders do setor. O evento é hoje um case study internacional, tendo sido o principal dinamizador do aeródromo de Ponte de Sor e um forte catalisador da economia local.

Portugal Air Summit 2019, em Ponte de Sor. Fotografia: Jorge Santiago/David Pereira/mediotejo.net

Que balanço faz das três primeiras edições?

Um balanço extremamente positivo. O Portugal Air Summit é hoje o maior instrumento de promoção, afirmação e divulgação de Ponte de Sor enquanto localização para investimento nos setores da aviação, aeronáutica e aerospacial. Tem sido uma forma de posicionar Ponte de Sor como um dos pontos chave do cluster nacional. E isto, por si só, justifica amplamente o esforço, empenho e investimento que temos feito ao longo das edições do PAS. Sempre em crescendo, sempre gerando mais interesse internacional, sempre com maior projeção, sempre com um retorno maior. De edição em edição, fomos conseguindo sempre inovar e superar as expetativas de todos os que nos visitam. Posso dizer-lhe que, além do retorno direto para economia que a presença de milhares de pessoas representa e que, por exemplo, esgotam a hotelaria num raio de 70km, para além da promoção da região em termos turísticos e de localização para investir, viver e constituir família, tem contribuído diretamente para a atração de novos investimentos neste setor. Algumas da empresas que já se instalaram e estão em vias de se instalar em Ponte de Sor, tiveram o primeiro contacto com a região através do PAS. Dito isto, não preciso de argumentar mais sobre o balanço do PAS e a sua pertinência.

“Como se atrai população para o interior do país? Como se fixam os nossos jovens no território? A resposta é: criando emprego, se possível qualificado e atrativo”

Como surgiu a ideia de criar uma cimeira aberta ao mundo no Interior de Portugal?

Nasceu em consequência do nosso investimento na criação de postos de trabalho e na captação de investimento externo. Tudo começou há alguns anos com a construção do Aeródromo Municipal, no sentido de dar execução à carta estratégica do concelho de Ponte de Sor que já indicava as potencialidades de localização geográfica, de meteorologia, da orografia do terreno e até, para dar apoio a algumas pequenas indústrias existentes na área da aeronáutica.

Passados uns anos o município candidatou-se num concurso estatal para ser sede dos meios aéreos da Proteção Civil e felizmente ganhou esse concurso. Entre os requisitos obrigatórios, foi aumentada a pista para garantir que um meio aéreo que o Estado planeava comprar pudesse operar no aeródromo. O Estado acabou por não comprar esse meio aéreo, optando pela aquisição de helicópteros, e ficámos com uma pista com quase dois quilómetros…. Há males que vêm por bem, desde então, empreendemos um esforço com vista à rentabilização da infraestrutura e hoje posso afirmar que conseguimos, embora o seu potencial ainda não esteja esgotado, pelo contrario, continuamos a explorá-lo. O Aeródromo de Ponte de Sor emprega hoje mais de 300 pessoas, tem uma dúzia de empresas, entre as quais a maior escola de pilotos da Europa, uma das maiores empresas europeias de fabricação e operação de drones, outra de produção de máscaras de oxigénio para a aviação pressurizada, a sede de meios aéreos da Proteção Civil, e muitas outras, que nos dão a garantia de consolidação e de sustentabilidade deste investimento.

O presidente da Câmara Municipal de Ponte de Sor, Hugo Hilário, durante a ‘Portugal Air Summit’. Créditos: CM de Ponte de Sor

Hugo Hilário nasceu há 42 anos em Portalegre mas sempre viveu em Ponte de Sor (excepto o tempo passado em Coimbra, onde se formou em Engenharia Química). Cumpre o seu segundo mandato como presidente da Câmara Municipal, eleito pelo Partido Socialista. Antes de assumir funções partidárias foi diretor industrial na Corticeira Amorim durante dez anos, e encara a política como um serviço com um tempo determinado, não como uma carreira profissional.

O passo seguinte foi então a promoção internacional?

Quando ficámos suficientemente atrativos para o investidor começámos a promover o ‘cluster’ fora de portas e, em 2016, decidimos fazer um evento lúdico com uma corrida de aviões, que de alguma forma nos dava a imagem e a publicidade que precisávamos. Mas em 2017 queríamos algo com mais conteúdo, que pudesse dar um contributo a Ponte de Sor, ao aeródromo e ao sector da aeronáutica no País. Quando consultámos os ‘players’ e ‘stakeholders’ do sector percebemos que toda a gente tinha vontade de que existisse um fórum desta natureza para poder discutir os assuntos. Depressa passámos de uma manhã de conferências com uma corrida para três dias de conferências e um dia lúdico. O resto é história. A bonita história do Portugal Air Summit.

Quantos milhões foram investidos no espaço do aeródromo?

Cerca de 30 milhões de euros, ao longo de quase duas décadas, financiados a 70% por fundos comunitários e o resto do orçamento da Câmara Municipal. Posso dizer-lhe que neste momento estamos a investir mais 9 milhões na construção de uma torre de informação de voo e de três novos hangares para o acolhimento de novas empresas. Investimento este comparticipado em 85% pelos fundos comunitários. O retorno do investimento no aeródromo começou a chegar há seis, sete anos, com a quantidade de empresas ali instaladas e a utilização da pista. Temos 40 mil movimentos anuais na pista, o que já significa uma receita importante. Os hangares estão arrendados às empresas e são outra fonte de rendimento para o município. Também na formação e qualificação dos recursos humanos foi determinante. São hoje 10 as universidades que trabalham connosco. Tudo isto impacta muitas pessoas direta e indiretamente. Obviamente que os postos de trabalho criados são o nosso maior retorno.

E Ponte de Sor tem as características necessárias para o crescimento do sector?

Sim. Além das condições físicas, infraestruturais, geográficas, orográficas, climatéricas, tem hoje um ambiente já instalado de cluster. Se o aeródromo e as suas excelentes condições já existiam há algum tempo, se a centralidade no território nacional sempre foi uma realidade, se a orografia, as condições meteorológicas e demais caraterísticas do território sempre cá estiveram, hoje temos, a acrescentar a tudo isso, a presença de grandes palyers do setor. E isso também é um fator importantíssimo para o crescimento. Investimento atraí investimento e isso tem-se verificado continuamente nos últimos anos. As empresas precisam de trabalhar em rede, de estar junto dos seus potenciais clientes, fornecedores, etc. Outro fator preponderante é a formação e qualificação da população residente para um determinado setor específico. A existência de recursos humanos qualificados numa determinada área, de um know how regional em determinadas vertentes da indústria, é também hoje um ativo fundamental para a atração de novos investimentos.

O ‘cluster’ aeronáutico está a trazer outro tipo de empresas?

A promoção do sector da aeronáutica veio ‘vender’ este território de uma forma diferente. Ou seja, a aeronáutica obrigou-nos a trazer para cá universidades, a ter planos estratégicos, a sermos mais rigorosos naquele que é o atendimento aos potenciais investidores, obrigou-nos a redefinir regulamentos de cedência de terrenos ou de benefícios às empresas, a trabalhar outras vertentes – até porque o próprio setor é muito exigente e legislativamente muito controlado. Além de ser muito atrativo tem extravasado a outros sectores e, por outro lado, nunca descurámos os mais tradicionais e que são importantíssimos, como o da indústria de transformação da cortiça, que é o maior empregador do concelho. Recentemente assinámos mais um contrato com um grupo económico que vai abrir outra fábrica de cortiça em Ponte de Sor. Mas mesmo dentro do setor, cada vez mais temos a presença de indústria diversificada. Um exemplo foi a instalação na nossa Zona Industrial de uma empresa francesa que fabrica peças em material compósito para aeronaves. Tem como principais clientes a AIRBUS Helicopters ou a Dassault Aviation. Trata-se de outro tipo de indústria, a acrescentar às já existentes. Com um ambiente empresarial em volta do mesmo setor, mas ao mesmo tempo muito diversificado, conseguimos hoje uma abrangência significativa (aviação-formação de pilotos e manutenção de aeronaves, indústria-fabrico de drones, de máscaras para aviação pressurizada, peças em materiais compósitos e proteção civil). Agora, com investimento de que falei em novos hangares, vamos abrir possibilidade à instalação de um novo tipo de indústria, a manutenção de aeronaves de grande porte. Isto porque um dos hangares é de grandes dimensões, tendo capacidade para albergar aviões tipo A320, B737 ou C130, por exemplo. Outros tipos de negócios poderão surgir, como a aviação executiva, a carga aérea, o fabrico integral de aeronaves, entre outros. 

Portugal Air Summit 2019, em Ponte de Sor. Fotografia: mediotejo.net

Falamos a nível empresarial, mas o turismo é também uma aposta do concelho? Esta estrutura pode ser de alguma forma potenciadora a este nível?

Tem de ser! Estamos neste momento a elaborar um plano estratégico à semelhança do que fizemos com o aeródromo, com a aeronáutica e com a indústria de transformação da cortiça, para a albufeira de Montargil. O que queremos é criar uma resposta pública que seja diferenciadora, como foi a do aeródromo. Interessa ter uma infraestrutura que esteja concertada com todo o desenvolvimento da cidade e do concelho, nomeadamente com o aeródromo. Há pouco tempo foi criado o Aeroclube, que vai oferecer passeios de avião pela albufeira de Montargil, estão a ser criadas mais três unidades hoteleiras próximas da barragem, projetos com orçamentos avultados que criarão mais postos de trabalho, ou seja, dinâmica atrai dinâmica, desenvolvimento requer desenvolvimento noutras áreas.

A ligação do IC9 de Abrantes a Ponte de Sor, com uma nova travessia sobre o Tejo, aproximando as empresas do concelho às vias rápidas, é imperativa ou defende outra solução?

Sem dúvida! Até entendo que a decisão foi tomada pelo Ministério das Infraestruturas no que diz respeito aos investimentos do Portugal 2030, do Plano Nacional de Investimentos, muito por consequência do que tem acontecido em Ponte de Sor. Obviamente que temos de reivindicar, e queremos as melhores infraestruturas e as melhores respostas para o nosso concelho, mas também temos de justificar que este investimento público seja feito como consequência de um trabalho de casa que se faça nos diversos concelhos. Ou seja; não basta dizer que não tenho investimento porque não tenho acessibilidades, porque Portugal tem das melhores acessibilidades de todo o mundo. Estamos perto de tudo. Estamos a uma ou duas horas de qualquer parte. Se analisarmos estas temáticas num contexto globalizado… no Brasil, para ir de uma cidade a outras temos de ir de avião ou viajar 10 horas de carro, nos Estados Unidos a mesma coisa, e aqui não. Não será uma falsa questão, mas temos que nos posicionar de forma a que o nosso trabalho justifique haver melhoria também nas acessibilidades como noutros sectores públicos – afinal, falamos de dinheiros públicos.

“não basta dizer que não tenho investimento porque não tenho acessibilidades, porque Portugal tem das melhores acessibilidades de todo o mundo. Estamos perto de tudo. Estamos a uma ou duas horas de qualquer parte”

Sinto hoje que Ponte de Sor pode e deve reivindicar melhores acessibilidades, melhores recursos e melhores meios, nas áreas da saúde à segurança. Para nós, a ligação do IC9 à A23 e A13 é estruturante, fundamental! Todos os dias saem de Ponte de Sor dezenas de camiões com cortiça para o Norte do País. Se é o ideal? Não! Ideal era uma ligação a Lisboa pelo lado de Coruche e Alcochete, mas temos de ser ponderados e perceber que no passado aconteceram alguns erros. Temos um número de autoestradas em Portugal que nunca vão ser sustentáveis face ao número de viaturas que lá passam.

Portugal Air Summit 2019, em Ponte de Sor. Fotografia: mediotejo.net

Algo mudou no concelho ao acolher esta cimeira, mas será sustentável a longo prazo?

A sustentabilidade deste tipo de evento depende dos apoios a nível institucional e governativo, apoios públicos, mas passa muito pela presença do privado, da indústria que está a começar a vir agora, das próprias companhias aéreas, das empresas de componentes, das escolas de aviação. O objetivo do Portugal Air Summit no futuro é alargar cada vez mais as suas áreas de intervenção e não estar só com universidades ou escolas de aviação. Neste momento, 30% do orçamento do evento é assegurado pelos privados que participam. O que fez mudar o concelho não foi propriamente o Air Summit, que são três dias de muito movimento na cidade e no concelho, mas foi a riqueza e a criação de postos de trabalho que o sector da aeronáutica dá a Ponte de Sor. O meu foco é aí: só crescemos se houver criação de riqueza, só possível se vierem mais empresas, mais indústria e mais conhecimento, se os jovens formados se fixarem na terra, se o concelho tiver capacidade de atrair populações de outros concelhos. E isso está a acontecer!

Portugal Air Summit 2019, em Ponte de Sor. Créditos: mediotejo.net

Se há 10 anos Ponte de Sor tinha 1.400 desempregados, agora necessita de muitas dezenas de pessoas qualificadas para trabalhar no concelho. Como é que se atrai essa mão-de-obra qualificada e como é que se fixa população no concelho?

Esse é de facto o grande desafio dos novos tempos. É um bom desafio, que surge na sequência de algo muito positivo que foi a  criação de emprego significativo em muito pouco tempo. Como se atrai população para o interior do país? Como se fixam os nossos jovens no território? A resposta é: criando emprego, se possível qualificado e atrativo. Sabemos que hoje há uma atenção diferente por parte do governo para com o interior e existem, de facto e finalmente, medidas concretas de apoio, que visam contrariar a demografia negativa. São sinais importantes e que nos motivam também.

Agora, sabendo que a mão de obra disponível não será suficiente para os desafios que se avizinham, fomos começando a trabalhar nesse sentido. Um dos passos que demos foi procurar as universidades e politécnicos que têm formação nos setores de relevância económica para o concelho e formalizámos acordos com estas instituições. Isto permite que sejamos uma localização escolhida para estágios, investigações, trabalhos de curso e, posteriormente, fixação de jovens qualificados. Outra vertente onde estamos a trabalhar é no marketing territorial com a mensagem, muito adequada aos dias que correm, de que é bom viver no interior. Temos qualidade de vida, segurança, condições de educação cultura, prática desportiva e de lazer equiparadas ou até superiores aos grandes centros, entre outros aspetos. Um muito importante e que a situação pandémica veio demonstrar é a capacidade, cada vez maior, de se trabalhar à distância. Num mundo globalizado, uma ligação à internet é muitas vezes suficiente para uma pessoa desenvolver o seu trabalho a partir de casa ou longe das sedes das grandes empresas situadas, cronicamente, nos grandes centros. Todos estes fatores têm de ser capitalizados e utilizados a nosso favor para que consigamos esse grande objetivo: contrariar a perda de população.

Há dois indicadores que considero preponderantes na missão de um presidente de câmara: criar postos de trabalho e parar o êxodo demográfico, num território que tem cada vez menos gente. Nestes dois últimos anos tivemos mais alunos matriculados na escola, um crescimento que não acontecia em Ponte de Sor há 30 anos. Se no Census de 2021 tiver a felicidade de ter mais uma pessoa que no de 2011… será mais uma batalha ganha.

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1 COMENTÁRIO

  1. Trata-se de facto de uma ligação importante, mas o acabamento do IC3, agora A13, interrompido entre Almeirim e a Atalaia, Barquinha, não é menos importante.Só as centenas de camiões que todos os dias passam carregados de residuos perigosos a caminho dos CIRVER no Parque do Relvão – Carregueira-Chamusca e que assim atravessam Almeirim, Alpiarça, Vale de Cavalos, Chamusca e Carregeura, se um dia tiverem um acidente grave dentro duma daquelas localidades, só isso justifacria o acabamento da A13 com a ponte que está prevista há muitos anos. Mas para isso seria preciso que os senhores autarcas se soubessem unir e falar a uma só na defesa dos seus municipes que um dia podem ser seriamente afectados por um acidente qualquer.

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