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Quarta-feira, Dezembro 1, 2021

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Ponte de Sor | Aos 95 anos Bombeiros recebem “presente” que recusam: pagar 250 mil euros para prestar socorro

Os Bombeiros Voluntários de Ponte de Sor celebram 95 anos esta segunda-feira, dia 1 de novembro, e a festa volta à rua. O jornal mediotejo.net foi conhecer o quartel, o trabalho da corporação e conversou com o comandante Simão Velez e com o presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ponte de Sor, Marçal Lopes. Ficou a saber que devido a um protocolo assinado pela Liga, com a ANEPC e com o INEM, os bombeiros de Ponte de Sor terão de pagar 250 mil euros por ano para prestar socorro. Uma espécie de presente de aniversário envenenado que já foi contestado e pode levar a entregar o socorro em Ponte de Sor ao próprio Instituto Nacional de Emergência Médica.

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Durante este ano, o Orçamento de Estado para 2021 previa a revisão dos protocolos do Postos de Emergência Médica situados nos quartéis de bombeiros – veículos amarelos ou vermelhos com as cores do INEM. “Deriva do Orçamento de Estado haver atualização desses valores” mas, segundo explica o presidente da direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ponte de Sor ao mediotejo.net, a emenda foi pior que o soneto, uma vez que da tal “obrigatoriedade” resultava uma contrapartida explanada na lei, ou seja, o protocolo seria revisto em função dos custos reais da corporação, o que não aconteceu no caso de Ponte de Sor.. 

Esse financiamento deriva da prestação “um serviço ao Estado, no caso ao Ministério da Saúde, mais especificamente ao INEM. Ou seja, se os bombeiros não o fizessem o INEM teria em vários pontos do País equipas próprias, mas passou essa responsabilidade através de protocolos para os bombeiros”, entidade que presta o socorro de proximidade, refere Marçal Lopes. 

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Marçal Lopes, presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ponte de Sor. Créditos: mediotejo.net

Contudo, para “surpresa” dos Bombeiros de Ponte de Sor, durante o mês de outubro de 2021 foi assinado um protocolo entre a Liga do Bombeiros Portugueses, a Autoridade Nacional de Emergência de Proteção Civil e o Instituto Nacional de Emergência Médica, que resulta em custos na ordem dos 250 mil euros por ano.

“Quando tomámos conhecimento desse protocolo fomos avaliar o impacto para a nossa Associação e o que verificámos é que em relação aos custos variáveis, ou seja, as saídas, é pior do que o protocolo anterior. Existe uma pequena melhoria num valor fixo, atribuíram um valor de 4 mil euros mensais, supostamente é para os custos relacionados com as equipas mas é extremamente deficiente”, garante Marçal Lopes.

Basta fazer contas: “Para prestar socorro 365 dias por ano, a 24 horas, e cumprindo as 8 horas de trabalho, precisamos de 10 pessoas, a quem temos de pagar vencimentos ao final do mês. Verificámos que o custo de uma pessoa, por muito baixo que seja o vencimento, encostado ao salário mínimo nacional, mas com trabalho por turnos rotativos contínuos, conta-se na ordem dos 1500 euros, pagando as contribuições da segurança Social, etc. Ou seja, 10 pessoas a 1500 euros são 15 mil euros, se recebemos 4 mil há uma diferença significativa em relação ao custo real”.

Bombeiros Voluntários de Ponte de Sor. Créditos: DR

Também na receita relacionada com os serviços, afirma perderem dinheiro em relação ao protocolo inicial. “Necessitamos todos os meses para financiar o INEM de 10 mil euros por mês, ou seja, 120 mil euros por ano, só utilizando um veículo na prestação de socorro, mas às vezes utilizamos um segundo, um terceiro às vezes um quarto porque a casuística e simultaneidade acontecem. Para um segundo veículo, todos os meses necessitamos de mais 11 500 euros. Porque no segundo veiculo já não está previsto a atribuição de 4 mil euros mensais”, agravando a situação, contabiliza o presidente.

Isto considerando os custos de pessoal para a semana de 5 dias. “Não é muito difícil de perceber que, por ano, temos de arranjar 250 mil euros para subsidiar o socorro, ou seja, pagamos para socorrer”.

Quartel dos Bombeiros Voluntários de Ponte de Sor. Créditos: mediotejo.net

Marçal Lopes dá conta de uma receita mensal vinda da ANEPC na ordem dos 150 mil euros por ano, que na verdade não chega aos 100 mil.

“Devido aos cortes sucessivos não conseguimos receber aquilo que é determinado por lei. Este valor que deveria ser utilizado pela restante atividade é consumido” pelo socorro. Tudo o que é INEM, com a lei prevista para entrar em vigor, consome todos os nossos recursos financeiros e não chega. Não tendo INEM diria que vivíamos relativamente tranquilos sem grandes problemas financeiros”, revela.

Para o presidente “alguém fez uma má avaliação. Acredito que, em algum lado, possa existir um benefício efetivo, não acredito que cubra as despesas como estava previsto pela legislação publicada, nomeadamente aquilo que foi preconizado no Orçamento de Estado de 2021”.

Os Bombeiros de Ponte de Sor, contestaram, por isso, o protocolo junto da Liga, da ANEPC e do INEM, entidades que o negociaram e aprovaram. “Aguardamos uma resposta. Ou o país está todo mal ou existem especificidades para algumas corporações, que pode ser o caso da nossa, pela tipologia, pela quantidade de ocorrências, onde realmente aquele protocolo não encaixa e gerou perda em relação às saídas. Se o objetivo é compensar o custo, terá de ser revisto o protocolo e adaptá-lo a cada uma das situações. Neste momento é essa a nossa expectativa”, admite.

Quartel dos Bombeiros Voluntários de Ponte de Sor. Créditos: mediotejo.net

Se os valores não forem corrigidos “vamos ter de tomar uma posição!” assegura, sendo “a mais drástica entregar o socorro em Ponte de Sor ao próprio INEM”.

Nota que o protocolo negociado “está a mexer naquilo que seriam os vencimentos. Temos funcionários na área de transporte de doentes, que geram receita, e pagamos o ordenado mínimo. Temos cá pessoas há 20 anos, nem vamos falar de terem ou não carreira, pura e simplesmente nunca viram uma melhoria na vida delas. E temos equipas de intervenção permanente, equipa no aeródromo, etc”.

Sublinha que a Associação “suporta este tipo de custo de uma atividade que nos é ‘subcontratada’, é um protocolo, é da responsabilidade do Estado, e tem de existir. Neste momento é completamente incomportável”.

Lembra que a Associação Humanitária não recebe qualquer apoio financeiro do Município de Ponte de Sor para suportar custos da atividade do dia a dia. “O Município ajuda-nos muito em equipamentos, veículos de socorro… não quer dizer que não venha a ser assim no futuro. Temos diálogos com o Município” sobre um possível apoio, adianta.

Foto dos primeiros bombeiros voluntários de Ponte de Sor. Créditos: DR

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ponte de Sor foi fundada a 1 de novembro de 1926

A corporação de Bombeiros de Ponte de Sor sempre foi voluntária, atualmente conta com 90 operacionais, portanto, todos voluntários sendo que mais de metade trabalha para a Associação Humanitária. Simão Velez é o comandante desde 2015 e conta com Hugo Morgado, Luís Lopes e Paulo Galveias como adjuntos de comando.

“Temos uma estrutura profissional cada vez maior, tal como acontece com todos os outros corpos de bombeiros do país, será eventualmente o caminho”, refere o comandante.

Os Bombeiros Voluntários de Ponte de Sor prestam serviço em diferentes áreas, desde logo o transporte de doentes, a emergência e tem, para já, uma equipa de intervenção permanente, em dezembro serão duas, com cinco elementos cada. O primeiro corpo de Bombeiros do distrito de Portalegre que passa a ter duas EIP.

“Ter uma segunda equipa é muito importante”, considera Simão Velez. “Conseguimos cobrir o horário das 8h00 às 17h00 mas como qualquer outro trabalhador, qualquer outra entidade, qualquer agente de proteção civil, a partir do momento se houver uma situação, chamamos a equipa, mas a capacidade de resposta é diferente, ou seja, não estão cá, têm de vir e demora tempo na resposta. Com duas equipas vamos passar a cobrir um período de horário muito mais prolongado, eventualmente até às 22h30 ou 00h00, estamos a trabalhar nos horários. Passamos a ter uma garantia de eficácia de rapidez muito maior”.

Central de Telecomunicações e Sala de Rádios dos Bombeiros de Ponte de Sor. Créditos: mediotejo.net

Possuem, ainda, uma equipa de intervenção permanente ao Aeródromo Municipal. “O protocolo que temos com o Município, somos nós que garantimos a segurança regular da atividade aérea. Temos lá em permanência 3 operacionais, do nascer ao por do sol e inclusive há períodos noturnos de trabalho, porque há voos noturnos, 365 dias por ano. Temos 9 homens que são específicos naquela área”.

Para além disso contam também com profissionais nas áreas: administrativa, logística, higienização, central de telecomunicações e sala de gestão de crises.

Presentemente decorrer uma recruta, já em formação, para colmatar algumas faltas, no sentido de manter a capacidade operacional. Começaram 15 neste momento são 8 estagiários. “Temos muita gente a fazer uma segunda atividade ao fim de semana. E torna-se muito difícil de conciliar.  Há 20 anos ingressar nos bombeiros era um processo muito mais flexível, hoje é um processo formativo exigente, existe um dossier técnico-pedagógico para fazer cumprir”, explica.

O comandante dos dos Bombeiros Voluntários de Ponte de Sor, Simão Velez. Créditos: mediotejo.net

Simão Velez defende que a profissionalização dos bombeiros voluntários é o caminho mas não para todos. “Servirá essencialmente para garantir aquilo que é a resposta mais regular. A primeira emergência. Por um lado não há condições financeiras e por outro lado seria uma tremenda perda se deixássemos de ter bombeiros voluntários. Não acredito que possa acontecer no nosso país. Temos mais de 600 anos de história de bombeiros em Portugal onde o modelo de voluntariado é único no mundo. Tendencialmente terá de deixar de ser assim mas vamos ter sempre voluntários”.

Para o comandante “a primeira linha de socorro terá de ser com profissionais. Não é razoável que haja um acidente e que tenha de vir alguém de uma atividade profissional para se fardar de bombeiro, para prestar socorro. Não pode acontecer mas infelizmente é uma realidade que ainda temos no País”. Em Ponte de Sor assegura haver uma resposta à emergência “imediata”.

Durante a pandemia foram momentos “muito difíceis”

A situação Covid-19 classificou-a de “diferente” para a corporação que lidera. “Ninguém tinha vivido isto antes e não estávamos minimamente preparados. A verdade é que a capacidade de adaptação e resposta do povo português é digna de nota. Aliás, os registos que existem da vacinação, da capacidade de adaptação, da aplicação da terceira dose em termos universais são exemplo para outros países”.

Em Ponte de Sor quando do primeiro confinamento generalizado “limitámos ao máximo o número de operacionais ao serviço, os voluntários deixaram de fazer serviço naquela fase. Tivemos dois meses assentes na intervenção e emergência por um grupo de profissionais muito específico, foram 12 operacionais e a equipa de intervenção permanente ao serviço 24 horas por dia mas só vindo ao quartel em caso de emergência, com mecanismos preparados para acelerar os procedimentos”.

A partir daí foi a adaptação aliviando algumas medidas “criando sempre mecanismos de protocolo mais exigente para minimizar as probabilidades de contágio. As emergências foram o mais difícil de controlar porque são variáveis”, explica.

Os três adjuntos de comando dos bombeiros de Ponte de Sor: Hugo Morgado, Luís Lopes, e Paulo Galveias (da direita para a esquerda). Créditos: mediotejo.net

Por orientações da Direção Geral da Saúde os bombeiros passaram a introduzir na emergência procedimentos específicos, nomeadamente para equipar no sentido de proteger ao máximo os operacionais. “Em situação de reanimação cardiorespiratória houve uma fase em que deixamos de fazer ventilações, o contacto via oral era inexistente. Fazíamos apenas compressões torácicas, as insuflações só existiam quando era possível fazer isolamento da via aérea”.

Já, por exemplo, “numa ação de desencarceramento nunca se sabe muito bem se naquele veiculo, com duas ou 3 pessoas inconscientes se alguma delas está positiva, nem sequer consegue verbalizar, ou se o interior do veiculo não está extremamente contaminado. Implicou que os operacionais tivessem de utilizar dispositivos de equipamento e segurança, fundamentalmente de âmbito respiratório, inclusive tínhamos algumas ações específicas de descontaminação do veículo, das ferramentas”, recorda.

Durante esse período, permaneciam no quartel o número mínimo de operacionais, quatro, e os operadores de central. E dentro da própria estrutura tinham espaços reservados para as equipas de diferentes setores; transporte de doentes, emergência pré-hospitalar. Com o verão foram obrigados a introduzir uma nova variável porque os incêndios continuaram a deflagrar.

Quartel dos Bombeiros Voluntários de Ponte de Sor. Créditos: mediotejo.net

O ano de 2020 “foi difícil com a introdução das máscaras para todos os movimentos, para incêndios, veículos sem ar condicionado, em que os bombeiros à chegada da ocorrência já iam com défice respiratório, algum cansaço, antes sequer de começar o combate”, conta o comandante. Implicou a introdução de procedimentos, a separação de pessoal, a testagem regular.

“Na fase mais critica todos os cidadãos se retiraram para as suas casas mas os bombeiros tiveram de continuar a prestar socorro. Havia menos acidentes rodoviários mas mais acidentes domésticos, houve menos incêndios florestais mas mais ocorrências de âmbito doméstico”.

Os bombeiros também deram apoio na vacinação contra a covid-19 fundamentalmente na resposta à emergência, nomeadamente em situações de mau estar, também realizaram alguns transportes até ao centro de vacinação covid. Agora nos centros de saúde, os bombeiros já não têm uma intervenção direta, sendo a proteção civil municipal quem presta esse apoio.

Serviço de Proteção Civil Municipal de Ponte de Sor, no quartel dos Bombeiros. Créditos: mediotejo.net

Os serviços da proteção civil municipal também funcionam no quartel dos bombeiros de Ponte de Sor, com seis operacionais, sendo igualmente Simão Velez o responsável por essa equipa. Um desses elementos é bombeiro, dois estão em processo de recrutamento.

“Entendemos que num município da nossa dimensão e à nossa escala faria sentido, até sendo o coordenador e o comandante do corpo de bombeiros, faria sentido termos uma articulação muito próxima”, justifica. A opção de colocar o centro de proteção civil no quartel advém “da facilidade de conseguirmos gerir equipas, articular funções e muitas vezes missões conjunturais”.

Ninho de vespa asiática no quartel de bombeiros de Ponte de Sor. Créditos: mediotejo.net

Ponte de Sor com 18 ninhos de vespa asiática em 2021 e apoio dos Bombeiros

É o caso do combate à vespa velutina. A lei atribui ao serviços municipais de Proteção Civil o combate à vespa asiática. “Fizemos uma parceria com os bombeiros em que as intervenções em ninhos definitivos e primários é efetuada por equipas do serviço municipal de proteção civil e dos bombeiros. Depende da disponibilidade naquele momento, dando privilégio ao serviço municipal”, explica, lembrando que dois verões foram passados em situação de pandemia, o último “com o pessoal da proteção civil muito absorvido na vacinação. Acabaram por ser os bombeiros a dar esse apoio”.

No papel de coordenador da proteção civil garante, no que toca ao combate à vespa, que estão a conseguir fazer uma barreira. O primeiro registo em Ponte de Sor ocorreu em 2019, percebendo que seria “uma invasão, difícil de erradicar”. Assegura que têm procurado as melhores práticas, feito formação, adquirido equipamentos e realizado um trabalho de sensibilização sustentado. “Temos hoje consciência que se detetarmos 20 ninhos de vespa velutina, serão 200”, diz. Ponte de Sor contabiliza atualmente 18 ninhos definitivos, detetados em 2021, tendo sido detetados, em 2020, 15 ninhos.

Acrescenta que o serviço municipal de proteção civil com 200 armadilhas, no ciclo de 2020, conseguiu capturar 214 vespas velutinas na sua maioria fundadoras. Em 2021 aumentou para 300 armadilhas e capturou 534 vespas velutinas. “Estamos a conseguir atenuar mas não estamos a conseguir reduzir. Estamos a conseguir fazer uma barreira de contenção nos concelhos de Ponte de Sor, Gavião, Nisa”.

Quartel dos Bombeiros Voluntários de Ponte de Sor. Créditos: mediotejo.net

Emergência na área aquática, também uma valência em Ponte de Sor

Outra especificidade da corporação de bombeiros de Ponte de Sor passa pela atividade aquática em virtude da barragem de Montargil. “A situação pandémica foi um pilar fundamental para acelerar um processo de um território que era desconhecido para a maioria dos portugueses, diria, e hoje pessoas da área metropolitana de Lisboa percebem que a uma hora de distância têm aqui um local paradisíaco”.

A barragem de Montargil teve, segundo o comandante, “uma procura completamente exponencial” em 2020 repetindo em 2021. Devido ao elevado afluxo de turistas, o município contratou uma empresa para realizar um plano de ordenamento da albufeira de Montargil, na tentativa de conseguir um projeto de exploração e utilização da barragem consistente.

“Está em desenvolvimento, esperemos que no próximo ano já tenhamos algumas das infraestruturas. Vai implicar investimentos de particulares, a criação de três praias fluviais e um conjunto de outros empreendimentos”, adianta Simão Velez.

Sendo certo que, devido à procura da barragem “regularmente temos problemas na água, muitos deles infelizmente por falta de conhecimento e descuido e outros acidentais. A verdade é que temos de olhar para o futuro com preocupação. Este plano de água fantástico não utilizado da forma correta pode trazer consequências”. Por ano, no concelho, ocorrem 2 a 3 situações de emergência na área aquática.

Quartel dos Bombeiros Voluntários de Ponte de Sor. Créditos: mediotejo.net

Por isso, os bombeiros possuem um veiculo permanentemente equipado com equipamento para mergulho e investiram numa grande embarcação capaz de suportar operações com mergulhadores de longa duração. A corporação conta com 8 mergulhadores, grande parte deles integrados na equipa de resgate, outros ainda em processo de formação especifica, ou seja a formação de mergulhador à qual acresce a formação de mergulhador de resgate.

Paralelamente, o Município de Ponte de Sor adquiriu uma mota de água “para fazer resgates de forma mais rápida, ações de fiscalização, é uma mota que fica ao serviço do serviço municipal de proteção civil que pode ser usada pelos bombeiros, pela GNR nas operações de fiscalização”, detalha.

Quartel dos Bombeiros Voluntários de Ponte de Sor. Créditos: mediotejo.net

Um quartel que cresce há 95 anos

O primeiro quartel de Bombeiros foi construído no local do atual, mas mais não era que um pavilhão construído em madeira pelos próprios voluntários. Por isso, observando o que encontramos atualmente percebemos que sofreu várias intervenções e ampliações ao longo destes 95 anos. Inclusivamente, possui um espaço preparado para servir, se necessário, de posto de comando, uma sala de operações, de planeamento e logística, com 18 lugares sentados.

O corpo de bombeiros possui cerca de 40 veículos, quatro ambulâncias de emergência – aguardam por uma quinta que já deveria ter chegado em setembro -, sendo 20 ambulâncias de transporte de doentes, seis veículos para combate a incêndios, dois veículos comando, outros de suporte logístico e três veículos dedicados ao transporte de doentes não urgentes.

O comandante dos dos Bombeiros Voluntários de Ponte de Sor, Simão Velez. Créditos: mediotejo.net

Afirma que a corporação encontra-se numa situação “sustentada no que diz respeito aos equipamentos de proteção individual e na área de resposta”, nomeadamente no que respeita a veículos.

Mas “falta sempre qualquer coisa. Tendencialmente temos sempre o propósito e o objetivo de estarmos melhor preparados, ou seja, adquirimos melhor equipamento, dotar-nos melhor de outras ferramentas, de outros materiais. Todas as áreas evoluem e o socorro e a emergência também evolui seja emergência pré-hospitalar, de apoio a acidentes, incêndios urbanos, florestais”.

Quartel dos Bombeiros Voluntários de Ponte de Sor. Camarata feminina. Créditos: mediotejo.net

 Reconhece que “a ambulância de emergência é uma fragilidade, temos 4 e precisamos de pelo menos uma quinta, temos um veiculo florestal que gostaríamos de substituir e depois há pequenas alterações no equipamento de proteção individual que gostaríamos de fazer. Fizemos agora um investimento com o apoio do Rotary Club de Lisboa, da BP Portugal, da Aflosor, do Município de Ponte de Sor que nos deram cerca de 30 mil para equipamentos de proteção individual para incêndios urbanos. Como são muito caros, compramos cerca de 30 equipamentos e temos 90 bombeiros. O ideal era ter um equipamento para cada um em cada área”.

Além disso, “precisamos sempre de melhorar as nossas comunicações, os rádios desgastam-se, precisamos de nos dotar de equipamentos de proteção individual na área de resgate, há sempre materiais que são necessários. E procuramos saber o que mercado tem para oferecer para um socorro mais eficiente possível”.

No entanto, em relação ao passado, o corpo de bombeiros “está hoje numa situação muito diferente. Já consegue dar uma resposta à população com qualidade, tem sido essa a nossa grande preocupação”.

Bombeiros Voluntários de Ponte de Sor. Créditos: DR

Nada deste trabalho e faz sem pessoas nem sem formação. O comandante sublinha “grande esforço para formar pessoas. Dificilmente vamos conseguir repetir aquilo que fizemos em 2017 e 2018 no âmbito das horas de formação. Hoje temos pessoal com formação em muitas áreas. São 90 bombeiros no ativo, mais de 30 tripulantes de ambulância de emergência, em 2015 tínhamos 8. Cada formação custa cerca de 800 euros, grande parte deles formados a custos da Associação. Temos feito uma aposta muito forte na formação de recursos humanos”.

Outra coisa que lamenta é a falta de voluntários. “Sentimos a perda do jovem no interesse pelos bombeiros, há menos disponibilidade que também se tem traduzido na dificuldade na obtenção de recursos humanos”.

Quartel dos Bombeiros Voluntários de Ponte de Sor. Créditos: mediotejo.net

Esta segunda-feira, dia 1 de novembro, os Bombeiros celebram 95 anos mas já com o centenário em mente, sendo a edição de um livro que conte o percurso da corporação “para que não se perca na história” um dos projetos a concretizar. O levantamento histórico está em curso.

O objetivo é fazer uma atividade de desfile temático nesse aniversário, com a demonstração das diferentes áreas de atividade e missão, das valências e eventualmente até sessões de demonstração pública.

Para assinalar o 95º aniversário as celebrações contam com um programa “muito tradicional. E porque não celebrámos o aniversário no ano passado, vamos ter um conjunto de cerimónias únicas”.

Com o habitual hastear da bandeira, segue-se uma cerimónia de promoção de quase todas as categorias dos bombeiros. Dois dos adjuntos vão ser nomeados em guarda de honra. Haverá um momento de imposição de insígnias e distinções honorificas, por assiduidade, por dedicação. Por cinco anos de bons efetivos de serviços serão 26 distinções honorificas, também para 10 anos, para 15, para 20 e para 25 anos, e ainda sete crachás de ouro para os bombeiros que atingiram 35 anos de serviço.

Segue-se o tradicional desfile com a cerimónia junto ao Memorial do Bombeiro, com entrega de uma coroa de flores honrando todos os diretores e bombeiros falecidos. E algumas “surpresas” só reveladas neste dia de feriado e de aniversário da corporação. 

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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