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Segunda-feira, Janeiro 24, 2022
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“Polvo”, por Armando Fernandes

Tem um bico córneo na cabeça, tentáculos com ventosas, está associado a outros monstros marinhos, se mal batido e pior branqueado endurece durante a cozedura a ponto de ser confundido com as solas cozinhadas na nau Catrineta. Estou a falar do polvo, o molusco de oito braços, prato emblemático da Galiza, muito apreciado não só em terras galegas, do mesmo modo em Portugal, primacialmente no Norte e em Trás-os-Montes, seja na forma de cozido, seja frito, grelhado, ao modo do lagareiro, guisado em vinho (Açores), assado no forno, seja ainda no domínio da cozinha contemporânea cujas criações o incluem dado conceder esquisito e grato sabor a essas mesmas inovações.

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Ora, nos últimos tempos tenho degustado substanciosas pataniscas de polvo no restaurante Ramiro, sito em Rio de Moinhos, Abrantes. Naquela casa a cozinha é honesta e os produtos exalam qualidade, a amesendação é agradável – toalhas e guardanapos de alvo e bom tecido, cutelarias e vidros em conformidade, as televisões só emitem imagens, carta de comeres e vinhos evidenciam sensatez nos preços e… as pataniscas apresentam-se tenras e suculentas. O acompanhamento pode ser à vontade do freguês, já solicitei migas, arroz com feijão a fugir prato fora, salada verdejante com fiapos de cenoura, preferentemente, aprecio as ditas cujas pataniscas num conúbio com pedacinhos de pão.
Sim, gosto de polvo à moda feira – bem cozido, cortado às rodelas, temperado com sal grosso e polvilhado com colorau – é a fórmula galega, nesta fórmula de pataniscas também dele retenho saliente prazer palatal. Não é pouco!
O serviço no restaurante Ramiro* é afável e expedito.

*Parque de estacionamento privativo. Aceita cartões de crédito. Encerra às segundas-feiras. Rio de Moinhos, Abrantes

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Um vinho branco polivalente – Quinta de S. João Batista

Trata-se de um distinto vinho fruto de união de uvas da universal e prestigiada casta Chardonnay e da estimada regional/ribatejana Fernão Pires (tem outro nome na Bairrada), tendo desse enlace brotado um vinho capitoso, perfumado, de beber longo de final feliz.

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Acompanha perfeitamente peixes brancos, moluscos, caso das pataniscas de polvo, carnes de aves, vermelhas fumadas e queijos de pasta mole. Brilhante no copo de prova, repleto de aromas amanteigados e cítricos, o vinho que dá sentido a este apontamento é da chancela TEJO, sendo produzido e engarrafado pela Quinta de S. João Batista, colheita de 2017, com 13º de volume.

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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