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Domingo, Setembro 19, 2021

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“Polvo”, por Armando Fernandes

Tem um bico córneo na cabeça, tentáculos com ventosas, está associado a outros monstros marinhos, se mal batido e pior branqueado endurece durante a cozedura a ponto de ser confundido com as solas cozinhadas na nau Catrineta. Estou a falar do polvo, o molusco de oito braços, prato emblemático da Galiza, muito apreciado não só em terras galegas, do mesmo modo em Portugal, primacialmente no Norte e em Trás-os-Montes, seja na forma de cozido, seja frito, grelhado, ao modo do lagareiro, guisado em vinho (Açores), assado no forno, seja ainda no domínio da cozinha contemporânea cujas criações o incluem dado conceder esquisito e grato sabor a essas mesmas inovações.

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Ora, nos últimos tempos tenho degustado substanciosas pataniscas de polvo no restaurante Ramiro, sito em Rio de Moinhos, Abrantes. Naquela casa a cozinha é honesta e os produtos exalam qualidade, a amesendação é agradável – toalhas e guardanapos de alvo e bom tecido, cutelarias e vidros em conformidade, as televisões só emitem imagens, carta de comeres e vinhos evidenciam sensatez nos preços e… as pataniscas apresentam-se tenras e suculentas. O acompanhamento pode ser à vontade do freguês, já solicitei migas, arroz com feijão a fugir prato fora, salada verdejante com fiapos de cenoura, preferentemente, aprecio as ditas cujas pataniscas num conúbio com pedacinhos de pão.
Sim, gosto de polvo à moda feira – bem cozido, cortado às rodelas, temperado com sal grosso e polvilhado com colorau – é a fórmula galega, nesta fórmula de pataniscas também dele retenho saliente prazer palatal. Não é pouco!
O serviço no restaurante Ramiro* é afável e expedito.

*Parque de estacionamento privativo. Aceita cartões de crédito. Encerra às segundas-feiras. Rio de Moinhos, Abrantes

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Um vinho branco polivalente – Quinta de S. João Batista

Trata-se de um distinto vinho fruto de união de uvas da universal e prestigiada casta Chardonnay e da estimada regional/ribatejana Fernão Pires (tem outro nome na Bairrada), tendo desse enlace brotado um vinho capitoso, perfumado, de beber longo de final feliz.

Acompanha perfeitamente peixes brancos, moluscos, caso das pataniscas de polvo, carnes de aves, vermelhas fumadas e queijos de pasta mole. Brilhante no copo de prova, repleto de aromas amanteigados e cítricos, o vinho que dá sentido a este apontamento é da chancela TEJO, sendo produzido e engarrafado pela Quinta de S. João Batista, colheita de 2017, com 13º de volume.

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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