“Plano Local de Saúde do Médio Tejo: atualização”, por Rui Calado

Em artigo anterior, tivemos oportunidade de apresentar o Plano Local de Saúde do Médio Tejo (PLS), assumido e subscrito por um conjunto de instituições muito alargado, com destaque para o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo, o Centro Hospitalar Médio Tejo (CHMT), a Comunidade Intermunicipal (CIMT), os Agrupamentos de Escolas (através do Delegado Regional de Educação), as Forças de Segurança (PSP e GNR), o Centro de Respostas Integradas do Ribatejo (CRIR), entre outros.

PUB

Para a sua conceção, em 2014 foi elaborado um Perfil de Saúde, que serviu de base à identificação de prioridades e proporcionou os elementos indispensáveis à definição das áreas de intervenção a privilegiar.

A importância dos dados que o Perfil de Saúde proporcionou foi-se tornando cada vez mais evidente, o que levou à criação de um Observatório da Saúde da Unidade de Saúde Pública e ao início de trabalhos de atualização de dados e de indicadores de saúde.

PUB

É essa atualização que hoje nos faz escrever esta crónica, na certeza de que a informação que contém interessa não só aos cidadãos do Médio Tejo, mas também às instituições existentes nesta área geográfica, com intervenção direta ou indireta na saúde das populações.

PERFIL DE SAÚDE DO MÉDIO TEJO

Caracterização sócio-demográfica

O ACES Médio Tejo é constituído por 11 concelhos: Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Tomar, Torres Novas, e Vila Nova da Barquinha. O Médio Tejo tem nas assimetrias demográficas uma das suas principais características. Com 2.706 Km2, engloba concelhos com áreas muito diferentes (entre 14 e 715 Km2), tem 223 mil habitantes (populações concelhias de 3.821 a 45.037 hab.), zonas rurais de grande dispersão e urbanas de grande concentração populacional (densidades concelhias entre 16,7 e 1.498,2 hab/Km2), com zonas de atração e zonas de desertificação.

Na pirâmide etária verifica-se um acentuado estreitamento da base, sendo a percentagem de efetivos populacionais dos 0 aos 15 anos de 12% e a dos efetivos populacionais de 65 e mais anos de 25%. A população em idade ativa, dos 15 aos 64 anos, corresponde a 63% do total dos efetivos populacionais.

rui1

A Taxa Bruta de Natalidade (6.4 0/00) e o Índice Sintético de Fecundidade (1.14) são muito baixos. O Índice de Envelhecimento é muito elevado – 204.8 com tendência para aumentar.

A idade da mãe ao nascimento do primeiro filho é de 30 anos e tem vindo a crescer, com valores semelhantes aos nacionais.

É no setor terciário que se concentra o emprego da população ativa de todos os Concelhos (68.9%). Em 2015 a média anual de desempregados no Médio Tejo foi de 9 218,3.

A taxa de criminalidade em 2014 nos concelhos que integram o Médio Tejo, variou entre 16.6 0/00 e 39 0/00.

PUB

O rendimento social de inserção apoiou em 2015, 2% da população do Médio Tejo; na maioria dos concelhos os valores são inferiores à percentagem nacional (3.3%) sendo o concelho de Ourém o que apresenta um valor mais baixo 0.8% da população e Sardoal o valor mais alto 3.4%.

 Caracterização de saúde 

A esperança de vida é elevada, com valores semelhantes aos nacionais, sendo à nascença de 80 anos e aos 65 anos de 19,4. No Médio Tejo, a mortalidade infantil apresenta valores muito baixos, inferiores aos do país e com tendência decrescente.

Como primeira causa de morte temos as doenças do aparelho circulatório, mas com tendência decrescente. A segunda causa de morte, com tendência inversa, são os tumores malignos. Esta tendência é reforçada pela estatística das causas de incapacidade em sede de Junta Médica, uma vez que a Doença Oncológica representa 53% do total das situações analisadas.

A taxa de incidência da infeção pelo Vírus da Sida foi de 1.81 e da tuberculose foi de 11.73, ambas por 100000 habitantes.

rui2
A ampla divulgação do Perfil de Saúde foi associada à iniciativa de elaboração do Plano Local de Saúde do Médio Tejo, naturalmente construído segundo a metodologia do Planeamento em Saúde.A avaliação do estado nutricional das crianças do Médio Tejo foi efetuada em 2014 e 2016, através de investigação COSI (Childhood Obesity Surveillance Initiative).

O respetivo questionário foi aplicado em amostra representativa dos alunos do 1º e do 2º ano e pela análise dos dados de 2016 constatou-se que, em comparação com 2014, houve um aumento de 4% (2016 – 33,3%) relativamente aos alunos que apresentam percentil de IMC elevado para a idade (percentil IMC>85), correspondendo 17,6% a excesso de peso e 15,7% a obesidade. Contrariamente os que apresentam baixo peso (percentil <3), passou de 1,4% em 2014 para 0,5% em 2016. Foi obtida informação sobre hábitos alimentares e outros comportamentos da vida diária e irão ser efetuadas recomendações, a integrar nas atividades a desenvolver no âmbito do PLS.

Em reuniões de trabalho, que contaram sempre com a participação dos parceiros, foram listados 25 problemas de saúde e classificados por ordem decrescente da sua relevância. Procedeu-se à sua inclusão em grandes grupos de patologias e constatou-se que daqueles, 16 faziam parte de 3 grupos das doenças, as metabólicas, as mentais e as oncológicas. Foi então efetuado um exercício para a identificação de fatores determinantes comuns, de que resultou a fixação de 3 grandes eixos de intervenção, no âmbito do PLS do Médio Tejo:

  • A promoção de comportamentos favorecedores da saúde
  • O combate às adições
  • A prevenção da doença oncológica

Para cada um desses 3 eixos foi formado um grupo de dinamização, com 6-8 elementos, multiprofissional e institucional, com a responsabilidade de promover em todos os concelhos do Médio Tejo atividades para a implementação do PLS nas seguintes grandes áreas de intervenção identificadas:

Promover comportamentos favorecedores da saúde Combater as adições Prevenir a doença oncológica
– Promover a alimentação saudável

– Combater o sedentarismo

– Combater o stress

– Promover a auto-estima

– Promover a literacia (em saúde)

 

– Intervir nos problemas ligados ao álcool e tabaco

– Reduzir o uso e abuso de substâncias ilícitas

– Promover o consumo criterioso de fármacos

– Combater o tabagismo

– Divulgar informação sobre alimentos cancerígenos e anti-cancerígenos

– Identificar e intervir em indivíduos com predisposição genética

-Combater a infeção crónica associada ao cancro

– Combater os riscos ambientais

Foi então elaborado, em workshop, um tableau de bord com a identificação das atividades a desenvolver por cada uma das instituições parceiras e assumidas responsabilidades institucionais, tendo em vista a sua implementação.

Realizaram-se encontros para o arranque e monitorização do processo, o último dos quais em Outubro de 2016, concluindo-se que serão alcançados os objetivos do triénio (2014-16) e que estarão criadas as condições para se avaliar, efetivamente, as vantagens e desvantagens desta metodologia de trabalho, que condicionará a decisão de se proceder ao seu alargamento e desenvolvimento até 2020.

PUB

APOIE O NOSSO JORNAL, TORNE-SE UM LEITOR BENEMÉRITO

Se lê regularmente as nossas notícias torne-se um leitor benemérito fazendo contribuições a partir de 10€/mês, ou doando valores iguais ou superiores a 100€. Esses leitores passam a constar da ficha-técnica como apoiantes deste projeto independente de jornalismo. Pode também fazer uma contribuição pontual (5€, 10€, 20€, o que puder e quiser).

PUB

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here