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Domingo, Julho 25, 2021

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“PIEF – Em Abrantes já nada é como era antes”, por Vânia Grácio

Diz a Direção Geral de Educação que o “Programa Integrado de Educação e Formação (PIEF) é uma medida socioeducativa e formativa de inclusão, de caráter temporário e excecional, dirigido a jovens dos 15 aos 18 anos que se encontram em risco e/ou em perigo de exclusão escolar e social.

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Visa o combate ao abandono escolar precoce e promove o desenvolvimento e certificação de competências do 1º, 2º e 3º ciclo do Ensino Básico. Fomenta o cumprimento da escolaridade obrigatória e/ou a dupla certificação escolar e profissional com transição e integração em meio laboral através do reingresso escolar e com a definição de percursos alternativos de educação e ou formação.” Já aqui falei sobre este tema, mas hoje volto a falar.

Em Abrantes este Programa é já desenvolvido há vários anos. Tivemos casos de sucesso e outros com menos sucesso, como em tudo, mesmo no ensino regular. Este programa sempre foi o “parente pobre” da educação, mas o que está prestes a acontecer é surreal e não posso deixar de comentar, apesar de não ser novidade esta minha opinião.

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Não foi por acaso que iniciei esta crónica com a definição do PIEF, que consta no site da Direção Geral de Educação. Achei que estava muito bem resumido o objectivo deste programa, daí a transcrição. Mas então, será que alguém me pode explicar as razões deste programa ir funcionar em Abrantes fora da escola? Qual o motivo para colocar um grupo de jovens num espaço afecto a um edifício residencial, numa zona habitacional, longe da dinâmica de um estabelecimento de ensino, das rotinas de quem frequenta a escola, do convívio com colegas, funcionários, professores? Porque são estes jovens (muitos já excluídos à partida) colocados “fora da escola”? Então, mas não estamos a falar de “uma medida socioeducativa e formativa de inclusão”? Para agravar a situação, estes jovens vão fazer as suas refeições num estabelecimento destinado a bebés e crianças em idade pré-escolar. A mim, isto só me parece uma anedota e um desrespeito total pelo direito destes jovens estarem verdadeiramente integrados em contexto escolar e, de poderem relacionar-se com os seus pares.

Espero sinceramente que se faça alguma coisa relativamente a isto. É grave. Falamos de jovens que precisamos ajudar a crescer para se tornarem adultos responsáveis. E não me venham com teorias de que “são problemáticos”, que “perturbam o normal funcionamento das atividades letivas”, etc, porque também os temos no ensino regular. Posso dizer que estive perto do programa durante dois anos e nunca tive conhecimento de qualquer situação ocorrida, que fosse diferente das situações que todos os dias acontecem no ensino regular e em qualquer escola deste país.

Espero sinceramente que se faça alguma coisa por estes jovens porque por esta “escola inclusiva” já vi que não há nada a fazer.

Vânia Grácio é Assistente Social e Mediadora Familiar e de Conflitos.
Licenciada em Serviço Social pelo Instituto Superior Bissaya Barreto e Mestre em Serviço Social pelo Instituto Superior Miguel Torga. Pós Graduada em Proteção de Menores pelo Centro de Direito da Família da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e em Gestão de Instituições de Ação Social pelo ISLA. Especializou-se na área da Mediação de Conflitos pelo Instituto Português de Mediação Familiar e de Conflitos.
Trabalha na área da Proteção dos Direitos da Criança e da Promoção da Parentalidade Positiva. Coloca um pouco de si em tudo o que faz e acredita que ainda é possível ver o mundo com “lentes cor-de-rosa”. Gosta de viajar e de partilhar momentos com a família e com os amigos (as). Escreve no mediotejo.net ao sábado.

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8 COMENTÁRIOS

  1. Felizmente existem órgãos democraticamente eleitos que deliberaram sobre o assunto, neste caso o Conselho Geral do Agrupamento.
    O problema da cronista não são as implicação da deliberação do Conselho Geral, é a sua visão ideológica sobre a educação, a qual limita a educação de jovens apenas à escola e às suas rotinas. O que falhou com este jovens… fomos todos nós, cidadãos e instituições, pelo que não empurremos o assunto… para a escola. O eventual convívio destes jovens, devidamente acompanhados e enquadrados, com crianças e idosos … não é, também, educação??? Ou só damos, ou devemos dar, por eles, entre nós… quando nos assaltam a pacatez??? para que … possamos afirmar hipocritamente… “ah! a culpa é da escola.”

  2. Felizmente existem órgãos, democraticamente eleitos e representativos de toda a comunidade escolar, que deliberaram sobre o assunto, neste caso o Conselho Geral do Agrupamento.
    O problema da cronista não são as implicações da deliberação do órgão máximo do Agrupamento, mas sim, no mínimo, a sua visão ideológica sobre o assunto, a qual remete, somente, para a escola e suas rotinas a educação e a “inclusão escolar e social”.
    Num “tempo novo”, e em que as rotinas das turmas PIEF (note-se que a inclusão, de acordo com o legislador, não pode extravasar o grupo turma, isto é, não há, nem está prevista, a distribuição destes alunos, de forma a promover a sua inclusão, nas turmas regulares, como se verifica com os alunos com NEE´s) nem sempre resultaram/am, não será de ir mais além?
    Então, o convívio destes jovens, devidamente acompanhado e enquadrado, com crianças e idosos… não é também educação, inclusão social? E a integração em meio laboral resultante da parceria com os Bombeiros Voluntários de Abrantes (estranhamente omisso, ou talvez não, na crónica)?
    Não somos todos nós, cidadãos e instituições, … responsáveis pela educação destes jovens? O espaço público de educação não existe?
    Ou só nos lembramos destes jovens… quando a nossa pacatez é assaltada? E nessas alturas, em fim de linha, uns clamam pela autoridade, outros, hipocritamente, remetem para o falhanço das rotinas escolares da escola pública!
    E as rotinas sociais, e as rotinas familiares, e as rotinas institucionais … onde ficam/ficaram?

  3. Tem a doutora Vãnia toda a razão. Impedir estes jovens de ‘frequentar’ a escola, com todas as implicações que o verbo arrasta, é um manifesto erro.
    Na realidade, a dita ‘inclusão’ deve ser entendida como uma ferramenta poderosa para humanizar, para melhorar a comunidade escolar e por arrasto a sociedade. As vezes, quando convém, até ouvimos estes jovens porque são credíveis. Já noutras situações, são ignorados e colocados à parte.
    Não devemos contudo ficar muito admirados. Afinal de contas, estas deliberações são tomadas por orgãos constituídos maioritariamente por pessoas que desconhecem o funcionamento de uma escola e que, da sala de aula e do recreio, apenas conhecem a opinião que o filho leva para casa, quando leva.

  4. A doutora Vãnia Grácio tem efetivamente toda a razão. ‘Escorraçar’ estes alunos da escola é um ‘crime’ de que nos vamos arrepender.
    Eles não são nem melhores nem piores do que os outros. Até porque em alguns assuntos a sua palavra é escutada. Será que nesta altura do ano escolar não aconteceu nenhum problema com os alunos do ensino regular? Uma coisa é certa, ninguém pode acusar os alunos do Pief de portas partidas, de agressões e roubos que têm ocorrido no interior da escola.
    Lembro que o orgão que decidiu tal é formado maioritariamente por pessoas que têm um conhecimento nulo da escola. Podemos dizer que foram democraticamente eleitos. O Hitler também…

    • Se ainda estudas e és analfabeto, o estado desperdiça o dinheiro de todos nós. Vem para o Pief, talvez aprendas alguma coisa… (Duvido… porque deves ser mesmo um calhau, sem ofensa para os calhaus, claro…)

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