Perguntas e Respostas | Como, quando, onde, porquê e quem deve tomar a vacina da gripe?

Várias autarquias avançaram com protocolos para que a vacinação gratuita dos mais idosos possa ser realizada nas farmácias de cada concelho, aliviando os centros de saúde.

A vacina da gripe sazonal é gratuita para todos os cidadãos maiores de 65 anos ou que, independentemente da idade, tenham uma doença crónica. Créditos: Pixabay

*Com Ana Rita Cristóvão, Cláudia Gameiro e Paula Mourato

Ontem iniciou-se a segunda fase da campanha de vacinação da gripe – uma data que provavelmente não iremos esquecer tão depressa, pois a imagem do Presidente da República a “dar o exemplo” fez furor na imprensa e nas redes sociais. Mas os motivos pelos quais devemos prestar particular atenção a esta fase de vacinação são outros. Há por parte das equipas de saúde pública a garantia de que a vacina para a gripe sazonal ganha este ano uma importância acrescida, podendo evitar casos que seriam facilmente confundidos com covid-19, devido à sintomatologia semelhante – só mesmo um teste permite diferenciar as doenças, e a triagem inicial dos casos tem um peso enorme nos recursos do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Nesse sentido, o governo avançou com o Programa “Vacinação SNS Local”, para que as autarquias pudessem ajudar no esforço de chegar depressa às suas populações de risco – sobretudo os mais idosos –, aliviando a pressão sobre os centros de saúde. Estão a ser criados postos de vacinação nalgumas freguesias mas a maioria dos municípios optou por assinar protocolos com a Associação Dignitude, da qual faz parte a Associação Nacional de Farmácias, para que a vacinação possa ser realizada nas farmácias de cada concelho.

As farmácias recebem para já 10 por cento das vacinas do SNS reservadas aos idosos (65 anos ou mais), permitindo assim que, para maior conforto e celeridade, possam marcar a sua vacinação na farmácia em vez de o fazerem no centro de saúde, onde algumas pessoas já só estão a conseguir atendimentos para daqui a um mês. As vacinas são entregues gratuitamente pelo SNS e as autarquias financiam 90% deste programa da Associação Dignitude, pagando 2,25€ pela administração de cada vacina nas farmácias aderentes.

Contudo, nas farmácias não será realizada a vacinação gratuita dos doentes crónicos e outros grupos de risco, que só o poderão fazer nos centros de saúde.

Para quem não faz parte dos grupos de risco e/ou prioritários, a vacina é apenas dispensada nas farmácias, com comparticipação de 37%, mediante prescrição médica. Está prevista a distribuição de meio milhão de vacinas para estes casos, a nível nacional. Contudo, como o governo avançou com uma requisição civil das vacinas no mercado para dar resposta às duas primeiras fases de vacinação dos grupos considerados prioritários, as farmácias estão ainda quase sem vacinas para vender, havendo registos de pessoas que estão em lista de espera desde agosto.

O governo adquiriu dois milhões de vacinas – a maior compra de sempre – mas ainda não recebeu todas as doses encomendadas. Em declarações ao jornal mediotejo.net, a representante das farmácias do concelho de Abrantes que aderiram ao programa, Maria do Rosário Trincão, explicou que as seis farmácias aderentes vão ser abastecidas “entre hoje e amanhã, com 50 vacinas por estabelecimento”, por parte do Ministério da Saúde, sendo que “todos os dias haverá direito a um determinado número de vacinas”, para irem fazendo a administração.”Estes pequenos passos são importantíssimos numa pandemia, para podermos proteger a nossa população”, disse, reconhecendo que “a procura da vacina cresceu exponencialmente”.

Maria do Rosário Trincão assegurou que, apesar das dificuldades que as farmácias enfrentam atualmente na aquisição de vacinas contra a gripe, estas “estão garantidas” uma vez que não integram o circuito de distribuição comercial mas são entregues às farmácias pelo Serviço Nacional de Saúde, mas reforçou tratar-se de um protocolo “só para utentes com mais de 65 anos”, estando excluídos os utentes com patologias, doentes de risco e grávidas. A administração tem de ser feita na farmácia e os “utentes com dificuldades de deslocação têm de contactar o centro de saúde”, lembrou, solicitando o apoio ao domicílio.

Questionado sobre o facto de este “apoio financeiro” representar mais um custo, pago com dinheiros públicos, num serviço que é gratuito nos centros de saúde, Manuel Valamatos respondeu que a Câmara “vai comparticipar” porque “nesta situação particular da covid-19 entendeu-se que as farmácias poderiam fazer um trabalho extraordinário de ministrar as vacinas e aliviar os centros de saúde”. Referiu ainda que “há muitas pessoas com receio de se deslocarem aos centros de saúde e seguramente na sua farmácia, pela confiança da proximidade, terão mais conforto neste processo. Ninguém substitui ninguém, é apenas um trabalho conjunto de um país a mobilizar-se para termos o maior número de pessoas vacinadas”, afirmou.

Nos municípios do Médio Tejo, estas são para já as farmácias aderentes ao programa “Vacinação SNS Local”, em protocolo com as respetivas autarquias, conforme levantamento do mediotejo.net:

ALCANENA | 500 VACINAS
Farmácia Correia Pinto e Farmácia Ramalho, em Alcanena, e Farmácia Moderna, em Minde.

ABRANTES | 1000 VACINAS
Farmácia Sousa Trincão, Farmácia Mota Ferraz, Farmácia Ondaluz, Farmácia Baptista Rei, Farmácia Silva e Farmácia de Rio de Moinhos.

CONSTÂNCIA | 300 VACINAS
Farmácia Vila Farma

OURÉM | 1000 VACINAS
Em 16 farmácias (só uma não aderiu)

PERGUNTAS & RESPOSTAS 

Quem deve ser vacinado contra a gripe?
Doentes com risco acrescido de desenvolverem complicações pós-gripe: 65 anos ou mais; residentes ou internados por períodos prolongados em instituições; grávidas; doentes com doenças crónicas ou do sistema imunitário; trabalhadores que estejam em contacto com pessoas consideradas de alto risco de desenvolver complicações pós gripe (em lares e infantários, por ex.); profissionais dos serviços de saúde; bombeiros; profissionais dos estabelecimentos prisionais.

Este ano, devido à pandemia de covid-19, a vacinação contra a gripe está a ser aconselhada a todos os que o possam fazer, a partir dos seis meses de idade, pois poderá facilitar o diagnóstico diferencial entre as duas doenças respiratórias. Apesar de não se 100% eficaz (há dezenas de variantes e sub-tipos do vírus influenza), a vacina reduz muito a probabilidade de ter gripe e, se for infetada, a pessoa vacinada terá um menor risco de desenvolver complicações. A vacina é de venda livre, com um custo aproximado de 5 euros, e pode ser comparticipada em 37% caso exista uma prescrição médica.

Quem tem direito à vacinação gratuita?
Nas farmácias aderentes ao Programa Vacinação SNS Local só os maiores de 65 anos. Nos Centros de Saúde, além destes: grávidas; doentes com diabetes mellitus; que fazem diálise; que têm trissomia 21; transplantados; residentes em instituições; utentes de serviço de apoio domiciliário; doentes na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados. A vacina contra a gripe é também gratuita para profissionais do SNS; bombeiros com atividade assistencial; residentes em instituições ou internados em unidades do SNS; guardas prisionais e reclusos.

Quando e como deve ser feita a vacina?
A vacinação deve ser realizada entre outubro e novembro, podendo estender-se até final de dezembro. Quer nos centros de saúde quer nas farmácias, a vacinação requer uma marcação prévia, de forma a evitar filas e concentrações de pessoas nas salas de espera.

Quem é que não deve ser vacinado?
Quem tiver historial de alergia a qualquer um dos componentes da vacina, nomeadamente aos excipientes ou às proteínas do ovo, e quem tenha antecedentes de Síndroma de Guillain-Barré nas 6 semanas seguintes à administração de uma vacina (reação auto-imune que desencadeia fraqueza muscular). A vacinação deverá ser adiada ainda em caso de haver febre, mesmo que moderada.

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