Pelos percursos pedestres de Alcanena (C/Vídeo)

Junto ao rio, redescobrindo ruínas, velhos moinhos, museus, capelas ou casas abandonadas, subindo a serra e bebendo das fontes naturais, Alcanena tem cerca de uma dúzia de percursos pedestres sinalizados no seu território. Percorrem, grosso modo, quase todas as freguesias do município e dão a conhecer ao caminhante uma parte significativa do património natural e histórico em torno da nascente do Alviela e da Serra de Santo António. Alguns entrecruzam-se, permitindo que se altere a rota. Há animais, diques e fontes esquecidas. Um vício para os amantes da fotografia ou para aqueles que gostam de saborear o infinito esmagador da natureza.

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"Ponte da Pedra", solar do século XVIII na Quinta do Alviela
“Ponte da Pedra”, solar do século XVIII na Quinta do Alviela

Para quem está habituado a fazer caminhadas pelas serras, a queixa mais frequente é a sinalização caótica que alguns percursos mais abandonados vão apresentando, criando com facilidade alguma desorientação entre os caminhantes.  O concelho de Alcanena tem na sinalização o seu grande ponto forte. Dos folhetos – disponíveis nas juntas de freguesia ou na Câmara Municipal e plataforma on-line – às consecutivas tabuletas e indicações bem visíveis ao longo dos trilhos, é difícil perder-se sem depressa se dar conta do erro. Os percursos são, na sua maioria, circulares, pelo que o ponto de partida é quase sempre o ponto de chegada.

A aplicação para telemóvel “Descubra Alcanena” possui os trilhos sinalizados no mapa, mas a sua utilização pelos caminhantes limita-se à informação já disponibilizada nos folhetos. Para cronometrar o tempo despendido ou localizar-se no espaço, registando a rota pessoal à medida que se vai realizando o percurso e fazendo os naturais desvios de circunstância, são necessárias outras aplicações, muitas delas já conhecidas dos apaixonados das caminhadas. Para quem vai empreender uma destas viagens não deve deixar, portanto, de levar o telemóvel, até para qualquer eventualidade menos feliz.

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Imensas habitações abandonadas encontram-se ao longo do rio Alviela, na Rota do Aqueduto
Imensas habitações abandonadas encontram-se ao longo do rio Alviela, na Rota do Aqueduto

Na sua maioria são rotas planas ou de dificuldade média, mesmo no topo da serra. Percorrem-se facilmente 10 quilómetros sem que se termine num estado de elevada exaustão, o que possibilita atrair os menos dados ao desporto ou em baixa forma física. A paisagem potencia ainda inúmeras paragens, quer seja pelos diques escondidos e as ruínas de velhas vivendas, ou as aldeias típicas e as paisagens sobre a planície do cimo da serra.

O mediotejo.net realizou dois dos trilhos de maior dificuldade da lista, o PR8 (Entre o Aqueduto e o Alviela) e o PR5 (Rota dos Frades). O PR3 em Bugalhos (Rota das Fontes Naturais) e o PR4 no Malhou (Rota dos Ferreiros) têm características semelhantes, acima dos 10 quilómetros e de dificuldade fácil e média. Verificou assim que as quatro horas ou três horas e meia anunciadas facilmente são reduzíveis, mesmo com diversas paragens pelo caminho. Por outro lado, a contabilização geral dos quilómetros ficou sempre acima da indicada nos mapas, em um a dois quilómetros.

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Um dos pontos fortes de Alcanena é a sinalização, repetida com frequênca e visível na natureza
Um dos pontos fortes de Alcanena é a sinalização, repetida com frequênca e visível na natureza
Na serra, por esta altura do ano (fevereiro), é fácil encontrar tomilho e alecrim, um tempero poderoso para os pratos caseiros
Na serra, por esta altura do ano (fevereiro), é fácil encontrar tomilho e alecrim, um tempero poderoso para os pratos caseiros

Não são rotas complexas, algumas delas segue-se quase sempre a direito, e possuem vários pontos de interesse pelo caminho, sendo possível fazer atalhos. Transformam-se em percursos acessíveis a crianças e, por tal, a toda a família, ainda que os mais longos ascendam às três horas de caminhada. Cruzamo-nos com ciclistas ou amantes de diversos desportos, paramos para beber água das nascentes ou roubar laranjas, encontramos indicações para os caminhos de peregrinação a Fátima e a Santiago de Compostela. Para quem é apreciador de comida tradicional e produtos naturais, estas rotas são ainda pródigas em ervas aromáticas, tal como o alecrim ou o tomilho. Aconselha-se a levar uma pequena mala, a fim de ir recolhendo estas plantas pelo caminho.

Na envolvência de uma natureza que parece esquecida no tempo, os trilhos contam a história do concelho de Alcanena. Desde as diversas paragens junto ao Alviela, utilizadas pelas populações mais antigas para se refrescarem no verão, ao velho aqueduto na Louriceira que faz ligação ao seu homónimo de Lisboa, capelas recuperadas com vários séculos, pontes, aldeias rurais e vilas – uma das rotas realiza-se através de Minde – lugares onde ainda se tece com velhos teares, moinhos, o maciço calcário e as suas pias, as nascentes. Há ainda passagens por restaurantes e hotéis, assim como quintas antigas do concelho.

A rota dos Frades (PR5) possui uma vista panorâmica sobre o polje de Minde
A rota dos Frades (PR5) possui uma vista panorâmica sobre o polje de Minde

Não atingindo elevados níveis de exigência, os percursos pedestres de Alcanena permitem desfrutar da paisagem e fazer largos quilómetros sem que nos apercebamos do passar das horas. De inverno recomendam-se saídas pela manhã e não depois de almoço, uma vez que rapidamente anoitece e, mesmo com boa sinalização, não é difícil perder-se na escuridão.

Calçado e roupa confortável, respeito pela natureza, água e um lanche na mala, protetor solar em caso de muito sol. Máquina fotográfica, vontade de conversar com quem nos acompanha. Gosto em descobrir os pormenores mais caricatos que o vale, o rio e a serra nos trazem.

E boa aventura!

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