“Pelo encerramento da Central Nuclear de Almaraz”, por Hugo Costa

A utilização de energia nuclear para fins denominados pacíficos, aparece na segunda metade do século XX como forma de produção de eletricidade para uso doméstico e industrial de forma mais “barata” que as fontes até então utilizadas. Sempre se conheceram os riscos, mas a verdade, é que a utilização deste tipo de energia foi considerada como segura pela maioria dos analistas até à década de 1980.

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A 6 de abril de 1986, o maior desastre nuclear da História aconteceu.  A explosão do quarto reator da Central de Chernobyl, na antiga república soviética da Ucrânia, causaria uma crise nuclear e ambiental sem precedentes.

Foram milhares os afetados, cujos efeitos ainda se fazem sentir na atual Ucrânia e na Bielorrússia. O estado de degradação da URSS foi utilizado como desculpa para o acidente, porém, há 5 anos, Fukushima veio desmentir este cenário. No país mais organizado do mundo, aconteceu um acidente, quando tudo o que podia correr mal correu.

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A energia nuclear continua a ser uma fonte muito utilizada na produção de energia, representando por exemplo, em França mais de 75% da eletricidade produzida através. Em Portugal, a inexistência de um verdadeiro mercado europeu da eletricidade e a não existência de centrais nucleares colocam esses dados na casa dos 2%. E ainda bem.

A aposta energética deve ser em formas de produção sustentáveis, sem os perigos da nuclear. Mesmo que tudo corra bem, os resíduos e as centrais no fim da sua vida útil continuam a ser um problema.

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Na década de 1970, o povo saiu à rua e numa luta popular conseguiu evitar a construção da primeira central nuclear no país, em Ferrel, contudo o perigo continua à espreita. A central nuclear mais próxima de Portugal está situada em Almaraz – Espanha (província de Cáceres) e possui dois reatores, um que começou a operar em 1983 e outro em 1984. Esta central está situada no Alto Tejo e é a mais antiga central em atividade no país vizinho.

Os alertas são diversos sobre o perigo de Almaraz. Os inspetores do Conselho de Segurança Nuclear de Espanha chumbaram o sistema de refrigeração da central e em 2015 foi notícia a falta de proteção contra incêndios.

A Greenpeace classifica a situação de Almaraz como uma das mais perigosas da Europa. Entre as deficiências detetadas temos a falta de ventilação, a falta de válvulas de segurança, a falta de dispositivos de combate à radioatividade em caso de acidente e a ausência de “planos B” em caso de tragédia.

A situação não pode passar despercebida. Temos de defender o encerramento da central de Almaraz junto do governo espanhol. A defesa do Tejo entrou na agenda política e bem, mas não devemos esquecer o seu maior perigo: Almaraz!

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