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Quarta-feira, Agosto 4, 2021

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“Pela sua saúde: A gripe está a chegar”… por Rui Calado

Não é novidade para ninguém que o Inverno nos traz coisas boas, como o Natal, a castanha assada, a lareira acesa, um grande consolo com o café da avó, mas também se lhe atribuem responsabilidades por coisas menos boas, como as constipações, as gripes e as pneumonias. Vem isto a propósito da mais que provável e eminente chegada da gripe, a gripe sazonal, que nos visita com uma regularidade espantosa, sempre que o final de ano se aproxima. Foi assim no ano passado, há 2 anos, há 3 e assim sucessivamente.

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Gripe, outra vez a gripe. Mas será que os profissionais de saúde não têm mais nada com que se “entreterem”, pensará o leitor menos atento. E eu responderei não apenas por mim, mas seguramente pela esmagadora maioria dos profissionais de saúde, que é verdade que temos muitos outros motivos de preocupação, mas também estamos conscientes que a gripe está a chegar e que é muito possível que muitos não se tenham preparado devidamente para a receber.

Que conversa tão estranha. Prepararmo-nos para receber a gripe?

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A resposta a esta questão é muito categórica. Sim, temos obrigação de estarmos atentos à sua chegada, de adotarmos comportamentos que evitem o contágio e a transmissão, de sabermos em cada momento como lidar com o problema. Mas, façamos um teste à nossa preparação:

  • Já se vacinou?
  • RUI2Será possível que alguém ainda não saiba que a gripe é uma doença evitável pela vacinação? É preciso que a população esteja informada de que a vacina está disponível nas farmácias, para satisfazer todos os que decidirem proteger-se e que as pessoas com mais de 65 anos, os portadores de doenças crónicas, as pessoas institucionalizadas, os profissionais de saúde, se podem vacinar gratuitamente.
  • Lava as mãos com frequência?
  • RUI3Será possível que alguém ainda não saiba que o vírus da gripe se pode transmitir através das mãos? Por isso, é preciso não só lavar as mãos com frequência, mas também fazê-lo de forma cuidada, tendo em atenção as regras divulgadas, para que as mãos fiquem bem lavadas. Sem esquecer que se recomenda o uso, durante o período epidémico da gripe, de soluções alcoólicas desinfetantes.
  • Usa uma máscara quando tem tosse persistente?
  • RUI4Será possível que alguém ainda não saiba que os vírus das doenças respiratórias (a gripe, as constipações, a tuberculose) se podem transmitir através das gotículas de saliva? Então parece simples e prudente, talvez mesmo um dever de cidadania, que os doentes com tosse persistente usem uma máscara para evitar, tanto quanto possível, a transmissão da sua doença às pessoas que com eles contactam.
  • Aconselha-se com a Linha Saúde 24? Será possível que alguém ainda não saiba que o primeiro contacto com os serviços de saúde se pode estabelecer através da Linha 808 24 24 24?
  • RUI1No caso de se tratar de uma gripe não complicada, como a doença não tem tratamento específico quando atinge pessoas saudáveis, o utente em vez de procurar um médico de imediato, poderá usufruir de vantagens importantes se recorrer ao aconselhamento de um técnico que está disponível para o ajudar a tomar as melhores decisões e a adotar os comportamentos mais adequados, face à situação que lhe for relatada (naturalmente, via telefone).
  • Vai primeiro ao Centro de Saúde? Será possível que alguém ainda não saiba que os serviços de saúde aconselham os seus utentes a recorrerem em primeiro lugar aos seus médicos assistentes do Centro de Saúde? Colaborar com os responsáveis pelo bom funcionamento dos serviços é uma obrigação de cada um de nós. Os Centros de Saúde do Médio Tejo estão preparados e equipados para prestar cuidados de saúde adequados às carências da população na próxima epidemia de gripe. Em situações de epidemia, recorrer sem necessidade absoluta aos serviços de urgência hospitalar provocará inevitavelmente graves problemas no atendimento, com prejuízo irremediável para aqueles que precisam efetivamente de uma assistência urgente.

Sabia que…

No Inverno passado, em consequência de complicações da gripe, em especial de pneumonias, verificou-se um aumento muito acentuado da mortalidade em Portugal, durante o período da epidemia. Conscientes dos perigos que essa situação encerra, os serviços de saúde do Médio Tejo procederam à administração de mais de 30.000 vacinas, especialmente em utentes de risco e prepararam um Plano de Contingência para servir de suporte a uma melhor organização dos serviços para enfrentarem a situação que se perspetiva.

Numa analogia com o futebol que muitos compreenderão, atrevo-me a dizer que a vitória não depende apenas dos jogadores. É certo que é importante que todos eles assumam as suas responsabilidades e deveres, mas para ganhar, é frequentemente decisiva a colaboração ativa e interessada do público beneficiário. Também durante a próxima epidemia de gripe será desejável que todos ajudem, para atingirmos o objetivo. Tenho grande convicção, quase a certeza que vamos ficar a ganhar!.

Com votos de um Bom Natal,

Rui Calado

Rui Calado é médico epidemiologista e especialista em Saúde Pública. Foi coordenador da USP (Unidade de Saúde Pública) do ACES Zêzere e do Médio Tejo.

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