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Quinta-feira, Agosto 5, 2021

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“Pela boca morre o peixe”, por Nuno Pedro

Não que tenha caído em qualquer armadilha ou tenha sido engolido por um anzol, o que é certo, é que o tema por mim abordado neste mesmo espaço no início do mês passado, intitulado “match fixing”, nunca foi tão a propósito, como dias depois se veio a confirmar, com a detenção de vários jogadores e outros agentes relacionados com o fenómeno futebolístico.

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E não se tratou de qualquer premonição, pois a posição por mim então assumida, a qual assentava na inexistência no nosso país de qualquer caso com tais contornos ou mesmo a possibilidade remota de haver indícios de jogos combinados, estavam completamente afastados.

Contudo, os factos vieram a confirmar, ou talvez não (a presunção da inocência é um direito constitucional em que todos os arguidos se presumem inocentes até ao trânsito em julgado da sentença de condenação, epílogo que ainda está longe), que não há fumo sem fogo.

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Numa acção da Polícia Judiciária, foi levada a cabo a operação “Jogo Duplo” que culminou na última jornada do segundo escalão dos campeonatos profissionais (Ledman Liga Pro) com a prisão preventiva de vários jogadores do Oriental e Oliveirense, para além de dirigentes do Leixões e outros indivíduos com ligações ao mundo das apostas desportivas.

Em causa está precisamente o motivo que eu entendia estar muito longe de ser realidade no futebol português, ou seja, a possibilidade de existirem factos susceptíveis de configurarem crimes de corrupção activa e passiva na actividade desportiva, ou seja, o adulterar da verdade desportiva através da manipulação de resultados de jogos de futebol, neste caso da Liga Ledman Pro, com o recurso e influência directa de jogadores neles participantes.

Entre diferentes medidas de coação que foram adoptadas, como a prisão preventiva, proibição de contactos entre os arguidos, termo de identidade e residência ou tão só a suspensão de exercer funções directivas, que afectam cada um dos envolvidos, uma das muitas dúvidas e interrogações que se levantam dizem respeito às consequências que deste processo poderão decorrer quanto à composição dos quadros competitivos do futebol profissional, em função da penalização, traduzida numa possível despromoção de uma ou mais equipas, que poderá verificar-se, tendo em conta a instauração de eventuais processos disciplinares.

Em consciência, espero mais uma vez não estar a seguir pelo caminho errado, não acredito que essa possibilidade possa vir a ter repercussões no imediato, ou seja, com efeitos no campeonato da próxima época, 2016/2017. Apesar de ainda estarmos dentro do período de 30 dias correspondente ao prazo para homologação dos resultados e respectivas classificações e o próprio regulamento de competições prever a suspensão da dita homologação caso existam denúncias de corrupção, não é crível que qualquer investigação esteja concluída antes do início dos campeonatos no próximo mês de Agosto.

E se atendermos à celeridade que a justiça tem revelado, seja ela de que âmbito for, mais fundamentada está esta minha conclusão.

Qual ‘dejá vu’, estamos perante mais um verão quente no futebol português e como se não bastasse, temos ainda a recente decisão do Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa, a qual decretou a integração do Gil Vicente no principal escalão do futebol português na sequência do célebre “Caso Mateus”.

A coisa promete. Pelo meio, valha-nos o Campeonato da Europa em França, na expectativa de uma prestação que mantenha o futebol luso nos patamares que nos últimos tempos nos tem habituado.

Com uma vida ligada ao futebol, particularmente enquanto dirigente, Nuno Pedro, abrantino, 46 anos, integra desde 2008 o quadro de Delegados da Liga Portuguesa de Futebol Profissional e mais recentemente a direcção da Associação de Futebol de Lisboa mas, acima de tudo, tem uma enorme paixão pela modalidade. Escreve no mediotejo.net de forma regular.

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