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Domingo, Outubro 24, 2021

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“Pavão”, por Armando Fernandes

Ave de grande beleza, interdita na cozinha judaica por essa razão (a feérica plumagem), na Idade Média era servida assada sem pele, em aparatoso cerimonial, tendo surgido na mesa do Imperador em banquetes de ostentação e regozijo afirmativo do poder.

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Um banquete cujo elemento primacial fosse aquela maravilhosa ave, esta era trinchada pelo conviva mais ilustre, tendo o cuidado de não colocar em causa a plumagem posta após a assadura a fim de o referido cerimonial se manter até ao fim o qual era alvo de um voto de realização de algo em honra da dama de cada participante no ágape ou de Deus.

Pouco a pouco, os pavões deixaram de ser consumidos, contentando-nos em admirá-los e ouvir os seus estrídulos «cantares».

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Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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