Minderico, língua ameaçada de Minde, convidada a integrar Inventário de Património Cultural

A Direção Geral do Património Cultural desafiou o Centro Interdisciplinar de Desenvolvimento Linguístico e Social (CIDLeS) a registar as tradições orais veiculadas pelo minderico, língua ameaçada falada em Minde, concelho de Alcanena, no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.

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A presidente do CIDLeS, Vera Ferreira, disse à Lusa que o desafio surgiu de um contacto realizado com a direção geral no sentido de este organismo estatal divulgar e promover a campanha de ‘crowdfounding’ (angariação de fundos através da Internet) que o centro está a promover até 15 de outubro para garantir a continuidade do projeto de revitalização do minderico, iniciado nas escolas em 2012.

Em resposta, a direção geral condicionou o apoio à campanha ao compromisso do CIDLeS em promover o registo das tradições orais veiculadas pelo minderico no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, por ser “fundamental para a sua valorização pública” e para a missão de “salvaguarda do património imaterial a nível nacional”.

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Para o organismo estatal, o trabalho que o CIDLeS tem vindo a realizar para a valorização do minderico facilita o registo no inventário, disse a investigadora.

Outra condição colocada para que a campanha que o CIDLeS tem a decorrer tenha o apoio da DGPC é a integração, nas medidas educativas e didáticas para a valorização do minderico, de fichas das tradições orais com recurso à base de dados do Património Cultural Imaterial, da responsabilidade das direções gerais do Património Cultural e da Educação.

Essas fichas devem ser elaboradas pela comunidade escolar de Minde no ano letivo 2015/2016.

Vera Ferreira realçou a importância do apoio da Direção Geral do Património Cultural na divulgação da campanha que está em curso na plataforma Hubbub – https://hubbub.net/p/minderico – e que corre o risco de não se concretizar caso não seja atingido, até 15 de outubro, o valor mínimo de 8.900 euros (desde 13 de agosto e até hoje foram doados 1.300 euros).

“Não é preciso muito. Basta doar um euro, cinco euros, o que for. Por um euro podemos ficar sem a totalidade da verba”, disse à Lusa.

Vera Ferreira é linguista e docente de documentação linguística e línguas ameaçadas na Universidade de Munique (onde fez o doutoramento), tendo fundado o CIDLeS, com outros investigadores de diversas áreas, para a documentação, estudo, promoção e revitalização de línguas ameaçadas na Europa e para o desenvolvimento de tecnologias da linguagem para línguas sem recursos.

O minderico, reconhecida internacionalmente em maio de 2011 como uma língua individual autónoma e viva (de um socioleto surgido no século XVII entre cardadores e comerciantes das mantas de Minde generalizou-se à comunidade e complexificou-se), foi uma das primeiras línguas trabalhadas pelo CIDLeS, que tem a sua sede em Minde.

Com o financiamento da campanha em curso, o CIDLeS assegurará uma aula por semana a cada um dos quatro anos do primeiro ciclo, criará o manual de apoio às aulas e dará formação a professores.

Devido a uma empresa de Minde que trabalha com ilustradores portugueses, a Princess Pea, já obteve o compromisso do escritor e ilustrador Afonso Cruz de elaborar um livro infantil bilingue, em minderico e português.

O objetivo mais ambicioso é alcançar uma verba de 12.000 euros, o que permitirá realizar também ‘workshops’ para pais e falantes passivos e editar um livro de receitas tradicionais em minderico, adiantou Vera Ferreira.

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