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Quinta-feira, Agosto 5, 2021

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“Património da Humanidade como recurso das indústrias criativas”, por Sónia Pedro

Conforme salienta Mike Featherstone no seu livro “Undoing Culture” (1985), os processos de globalização têm como consequência que o mundo seja percecionado, simultaneamente, como maior e mais pequeno. Isto é, se por um lado, a extensão dos horizontes até ao limite do planeta implicam um alargamento de perspetiva, a facilidade e instantaneidade das comunicações definem o seu estreitamento.

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O fenómeno da globalização implica assim a perceção da partilha de um destino comum por todos os seres humanos habitantes do planeta azul, sem nunca deixarem de ser seres individuais e particulares.  Mas esta identidade de espécie que somos assim forçados a reconhecer, acarreta também o apelo a uma solidariedade entre gerações, no sentido de uma verdadeira comunidade humana global empenhada em possibilitar às gerações vindouras o acesso a um património comum da humanidade: seja uma herança histórica, mas também a um meio ambiente saudável.

Contudo, os processos de globalização resultam numa complexificação dos sistemas quer pelas possibilidades de interação entre as diversas dimensões e os diversos sistemas, dos quais são exemplos eventos recentes como os massacres de 11.setembro em Nova Iorque, Charlie Hebdo e 13.novembro em Paris.

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A definição de um património comum à humanidade e a luta pela sua preservação são temáticas oriundas do Iluminismo e da filosofia patrimonial então instaurada.

Já em pleno século XX, o reconhecimento mundial de diferentes culturas possibilitou a instituição de um regime protetor do património mundial – não só os bens patrimoniais do meio ambiente, mas também bens culturais. E contudo, em 1931, a primeira “conferência internacional para a conservação dos monumentos históricos” que teve lugar em Atenas reuniu apenas países europeus. O domínio patrimonial aqui considerado limitava-se aos edifícios e monumentos.

A Carta de Veneza, oriunda da segunda “Conferencia Internacional para a conservação dos monumentos históricos”, que teve lugar em Veneza, em 1964, introduziu a conceção de património urbano (edifícios individuais com valor monumental, conjuntos construídos e tecido urbano).

Na verdade, apesar da abordagem anti-mercantil e anti-hegemónica inerente ao regime jurídico protetor do património comum da humanidade, este não evitou a subversão aos usos mercantilistas nem a imposição de uma conceção ocidentalizada de património. Assim se percebe a importância da atribuição do selo Património Certificado pela UNESCO na formação de novas economias urbanas, nomeadamente no contexto da indústria turística.

Cabe aos Estados nacionais a responsabilidade pela inclusão dos bens nas listagens de Património Mundial. Neste sentido, a intensificação da patrimonialização e corrida ao estatuto de património mundial não pode deixar de ser visto como estratégicos para o reforço da competitividade e da atratividade dos territórios com objetivos políticos e económicos bem definidos – a obtenção de um estatuto de património mundial garante por si só uma maior procura turística.

O património tornou-se, deste modo, um dos campos preferenciais para os trabalhos desenvolvidos pelas indústrias culturais urbanas e uma grande indústria internacional.

Da Lista de Património Mundial fazem hoje parte 1031 bens, distribuídos por 163 países. Em Portugal estão reconhecidos 15 sítios na Lista de Património Mundial e 4 items incluídos na Lista de Património Cultural Imaterial da Humanidade (Fado, Dieta Mediterrânica, Cante Alentejano e Manufatura de Chocalhos).

 

Presidente da Associação Médio Tejo Criativo, Sónia Maria de Matos Pedro é licenciada em Antropologia - Ramo Antropologia Social e Cultural pela Universidade de Coimbra - Faculdade de Ciências e Tecnologia e Mestre em Cidades e Culturas Urbanas pela Faculdade de Economia também da Universidade de Coimbra. Já trabalhou em diversos projetos empresariais. Segundo diz a própria, "ideias e projetos para o futuro é que não faltam".

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