Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Sexta-feira, Julho 30, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

“Pata”, por Armando Fernandes

Fêmea do pato, menos corpulenta, mais rechonchuda, sendo a sua carne de maior sapidez que a do macho. Se lermos o pai do Teatro português, refiro-me a Gil Vicente, encontramos os ovos de pata a serem vendidos na Feira de Trancoso.

- Publicidade -

A pata até dois meses de idade é patinha, mesmo até aos quatro meses a sua carne ainda é elemento primacial de dezenas e dezenas dos receituários consagrados às aves de capoeira.

Os seus ovos, entre os 80 e os 120 gramas, são muito benquisto na cozinha oriental, no entanto, manda a prudência sanitária só consumirmos cozidos ou cozinhados. A causa é serem atreitos a germes.

- Publicidade -

Dada a sua dimensão, os ovos de pata nos meios rurais, quando existiam em quantidade, alegravam as merendas dos obreiros sendo preferidos aos de galinha que, quando falamos em ovos, queremos dizer de galinha.

A carne das patas resultam em mais sapidez, quando assadas no ponto, isto é: nem demais, nem de menos, pois ao mínimo deslize ou ficam encruadas, ou apresentam-se ressequidas e sensaboronas, daí preferir as patinhas.

Os amigos dos anexins caso os procurem encontram vários atinentes às patas e à desmesura dos seus ovos. A nossa literatura medieval concede-lhe atenção mormente no seu registo pícaro.

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome