“Passos Coelho salvou os portugueses do BES e de Ricardo Salgado”, por Duarte Marques          

FOTO: LUÍS BARRA

Hoje é fácil falar, sobretudo graças aos dados que foram ontem confirmados e que ao longo da Comissão de Inquérito ao BES foi possível descobrir, mas a decisão de não salvar o BES foi das mais importantes da nossa história recente, quer pela questão económica, mas também por uma questão de higiene política.

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Numa altura em que ninguém dizia que não a Ricardo Salgado, houve um Primeiro-Ministro que recusou injetar 3 mil milhões de euros dos contribuintes no Grupo Espírito Santo, acionista principal do Banco Espírito Santo. Se o tivesse feito, se tivesse colocado a “mão por baixo” do Grupo BES, e tendo em conta o que sabemos hoje, esses 3 mil milhões de euros seriam apenas os primeiros de várias séries de 3 mil milhões +  3 mil milhões + 3 mil milhões e nunca mais parava, sabe-se lá até quando. O Estado e os contribuintes teriam ficado enredados nesse novelo.

O fundo de resolução então criado investiu no Novo Banco mas todo esse dinheiro será pago pelo restante sistema financeiro e devolvido aos contribuintes. Essa também foi uma boa decisão.

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Na altura, Mário Soares, António Costa e muitos outros socialistas criticaram Passos Coelho e o Governo PSD/CDS. Mais tarde até Assunção Cristas se demarcou desta posição. O processo de venda do Novo Banco à Lone Star foi feito por António Costa, Mário Centeno e Banco de Portugal e as garantias então oferecidas ao grupo americano são leoninas. O modo como se chegou ao montante de 3.9 mil milhões de euros dado como almofada de segurança nunca foi explicado e as contas como se chegou a esse valor continuam escondidas.

A acusação conhecida esta semana confirma muito do que concluiu a Comissão de Inquérito que com muito orgulho integrei. Diz também que, e passo a citar, ao não investirem no GES “as entidades públicas (Banco de Portugal e Governo) puseram cobro a uma atividade criminosa”.

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Hoje sabemos que há um antes e depois do não de Passos Coelho a Ricardo Salgado. Na altura, o Primeiro-Ministro ficou sozinho, provavelmente só com o apoio do seu governo e dos Deputados do PSD, hoje os portugueses estão aliviados por essa decisão tomada pelo Primeiro Ministro e pelo Governador do Banco de Portugal que decidiu a Resolução do BES.

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Duarte Marques, 38 anos, é natural de Mação. Fez o liceu em Castelo Branco e tirou Relações Internacionais no Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, com especialização em Estratégia Internacional de Empresa. É fellow do German Marshall Fund desde 2013. Trabalhou com Nuno Morais Sarmento no Governo de Durão Barroso ao longo de dois anos. Esteve seis anos em Bruxelas na chefia do gabinete português do PPE no Parlamento Europeu, onde trabalhou com Vasco Graça Moura, José Silva Peneda, João de Deus Pinheiro, Assunção Esteves, Graça Carvalho, Carlos Coelho, Paulo Rangel, entre outros. Foi Presidente da JSD e deputado na última legislatura, onde desempenhou as funções Vice Coordenador do PSD na Comissão de Educação, Ciência e Cultura e integrou a Comissão de Inquérito ao caso BES, a Comissão de Assuntos Europeus e a Comissão de Negócios Estrangeiros e Cooperação. O Deputado Duarte Marques, eleito nas listas do PSD pelo círculo de Santarém, foi eleito em janeiro de 2016 um dos novos representantes portugueses na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, com sede em Estrasburgo. Sócio de uma empresa de criatividade e publicidade com sede em Lisboa, é também administrador do Instituto Francisco Sá Carneiro, director Adjunto da Universidade de Verão do PSD, cronista do Expresso online, do Médio Tejo digital e membro do painel permanente do programa Frente a Frente da SIC Notícias.

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