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Passe pela Biblioteca | “Textos sadinos”, de Luiz Pacheco

Os responsáveis das bibliotecas do Médio Tejo fazem recomendações de leitura no nosso jornal todas as semanas. “Textos sadinos”, de Luiz Pacheco, é a sugestão hoje apresentada por Ana Sofia Marçal, da Biblioteca Municipal Padre Manuel Antunes, da Sertã.

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Título: Textos sadinos Autor: Luiz Pacheco Editora: Plurijornal Idioma: Português
Ano de edição: 1991 Número de páginas: 83

“Estendo o pé e toco com o calcanhar numa bochecha de carne macia e morna; viro-me para o lado esquerdo, de costas para a luz do candeeiro, e bafeja-me um hálito calmo e suave; faço um gesto ao acaso no escuro e a mão, involuntária tenaz de dedos, pulso, sangue latejante, descai-me sobre um seio morno nu ou numa cabecita de bebé, com um tufo de penugem preta no cocuruto da careca, a moleirinha latejante; respiramos na boca uns dos outros, trocamos pernas e braços, bafos suor uns com os outros, uns pelos outros, tão conchegados, tão embrulhados e enleados num mesmo calor como se as nossas veias e artérias transportassem o mesmo sangue girando, palpitassem compassadamente silenciosamente duma igual vivificante seiva.”

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É assim que começa “Comunidade”, um dos seis maravilhosos textos que integram a obra Textos sadinos, de Luiz Pacheco, todos escritos em Setúbal.

Amado por uns, odiado por outros, Luiz Pacheco ficou conhecido como libertino, irreverente, maldito, marginal. Mas escreveu com ternura, afeto, lucidez e humor. A sua ficção proporciona ao leitor uma verdadeira festa da língua, recorrendo às palavras de Rui Zink, em episódios que vão desde a de boémia à quase miséria, entre mulheres e filhos às costas.

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Foi escritor, editor e crítico, sendo a sua forma de expressão mais comum as cartas e os postais, que usava como forma de exercer a liberdade. Mostrou possuir uma intelectualidade e talento invulgares. Durante décadas disse o que mais ninguém teve coragem de dizer.

Os Textos sadinos são sinceros, muitas vezes comoventes, dizem alguns que têm carácter autobiográfico. São escritos a partir de episódios do seu quotidiano, em jeito de contemplação da realidade na sua forma mais singela e preciosa.

Ler Luiz Pacheco é ler o que há de melhor para se ler. A seu respeito disse António Cândido Franco: “é o maior continente submerso da literatura portuguesa”.

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Ana Sofia Marçal
Diretora da Biblioteca Municipal da Sertã

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