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Passe pela Biblioteca | “Se isto é um homem”, de Primo Levi

Convidámos os responsáveis das bibliotecas municipais do Médio Tejo a fazerem as suas recomendações neste espaço de forma alternada, às segundas-feiras. “Se isto é um homem”, de Primo Levi, é a sugestão apresentada esta semana por Dulce Figueiredo, da Biblioteca Municipal do Sardoal.

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Passe pela biblioteca… e boas leituras!

Há livros que ninguém deveria deixar de ler. Se isto é um homem é um deles.

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Primo Levi, judeu sefardita italiano, nascido em Turim (31/07/1919 – 11/04/1987), opositor à ocupação alemã da Itália, descreve neste livro a sua detenção em 1943, a sua deportação para Auschwitz-Birkenau, a luta dos prisioneiros pela sobrevivência no “Inferno” e a libertação do campo em Janeiro de 1945. Na sua obra A trégua pudemos seguir os seus passos no longo e retorcido caminho que fez depois da libertação para chegar a casa e recuperar uma vida com a normalidade que o pós-guerra e os traumas permitiam.

Se isto é um homem foi escrito em 1947 com o intuito de obter libertação interior e fornecer elementos para o estudo da condição humana e tornou-se num dos testemunhos mais significativos das perseguições nazis aos judeus. Sem melodramas, este é um relato sereno e objetivo do dia-a-dia desumano no Lager (campo), onde a fome, a fadiga, o frio e a ausência de futuro encurtavam a esperança de vida de um homem para um total de três meses. Na verdade, dos 650 judeus italianos enviados com Levi para Auschwitz, apenas 20 sobreviveram.

Depois da guerra, Levi procurou recomeçar. Trabalhou numa fábrica como químico industrial, onde esteve até 1977. Escreveu ficção, poesia, contos, ensaios e memórias sobre o Holocausto. A sua obra O sistema periódico é, desde 2006, segundo a Real Academia de Londres, “o melhor livro de ciência jamais escrito”.

Levi faleceu de forma pouco clara aos 67 anos. Alguns dizem que se suicidou, outros negam-no perentoriamente. No dizer de um amigo, outro escritor sobrevivente do regime nazi, Elie Wiesel, “Primo Levi não morreu hoje [11/04/1987]. Morreu há quarenta anos, em Auschwitz.” Seja como for, a sua obra perdura nas suas palavras e com ela a sua memória:

As personagens destas páginas não são homens. A sua humanidade está sepultada, ou eles mesmos a sepultaram, debaixo da ofensa que sofreram ou que infligiram a outrem. Os SS maus e estúpidos, os Kapos, os políticos, os criminosos, os proeminentes grandes e pequenos, até os Häftlinge indiferenciados e escravos, todos os degraus da insana hierarquia criada pelos alemães, estão paradoxalmente unidos numa única desolação interior. Mas Lourenço era um homem; a sua humanidade era pura e incontaminada, estava fora deste mundo de negação. Graças a Lourenço, aconteceu-me não esquecer que também eu era um homem”.

Arquivista e Bibliotecária na Câmara Municipal de Sardoal

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