Passe pela Biblioteca | “Rosas de Atacama”, de Luis Sepúlveda

Convidámos os responsáveis das bibliotecas municipais do Médio Tejo a fazerem as suas recomendações neste espaço de forma alternada, às segundas-feiras. “Rosas de Atacama”, de Luis Sepúlveda, é a sugestão apresentada esta semana por Dulce Figueiredo, da Biblioteca Municipal de Sardoal.

Passe pela biblioteca… e boas leituras!

“Eu estive aqui e ninguém contará a minha história” – esta frase, escrita nas paredes do campo de concentração de Berge Belsen, foi o mote para a presente coletânea de histórias de Luis Sepúlveda, mas as suas histórias nada têm de ver com a Segunda Grande Guerra.

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Todos nós nos cruzamos na vida com pessoas que na sua aparente vulgaridade são gigantes, são decisivas, excecionais exemplos de vida, de exemplo e de coragem. As que o autor conheceu na sua vida de andarilho pela Alemanha, Itália, Madagáscar, Patagónia, Lapónia, Amazónia…, ficam a salvo do esquecimento neste pequeno-grande livro, porque ele as resgatou da sua memória e as trouxe até nós, através da palavra escrita e sentida.

Nestas histórias, onde o afeto e o reconhecimento tem o lugar cimeiro, destacamos alguns excertos:

“No aeroporto de Santiago, um funcionário cuspiu-lhe que não podia entrar no país, porque as atividades subversivas realizadas na Alemanha – e só assistira ao funeral do filho – o privavam de viver no Chile. Don Carlos Gálvez, o professor Gálvez e a sua pequena mala, tornaram a Hamburgo. Dois ou três meses depois falava já um alemão suficientemente aceitável para vender jornais à entrada do metro…”

Mas nem só de pessoas fala esta obra, porque há mais quem seja importante nas nossas vidas:

“Amámos aquele gato, e em nome desse amor tive de reunir os meus filhos para lhes falar da morte. […] os meus pequenos, ternos e duros homens murmuraram que sim, que Zorbas levasse aquela injecção que o faria dormir, sonhar com um mundo sem neve e com cães amáveis, com telhados amplos e ensolarados, com árvores infinitas.”

Um livro de poucas páginas e pequeno formato, mas que na verdade é tão grande como a nossa alma lhe permitir ser.

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Dulce Figueiredo
Arquivista e Bibliotecária na Câmara Municipal de Sardoal

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